Essa semana fui visitar a aldeia da minha sogra... que é uma quirida. E eu não estou escrevendo isso só porque ela me disse que passa por aqui vez em quando. Juro!
Ceiroquinho é uma cidade com 20 e poucos habitantes.
Zatamente! Você não pegou vesguice! São apenas dois dígitos de habitantes. Sabe quando você diz que São Paulo (Curitiba, Florianópolis, variações...) é um ovo?
Intaum, Ceiroquinho é um próton de um átomo de uma célula que forma a lateral esquerda do blastocisto deste ovo.
Marromenos isso.
Então que Ceiroquinho não tem escola, nem hospital, nem lojinhas, nem mercearias, nem sala de cinema IMAX. De verdade mesmo, nem rua dessas normais aonde os carros passam, Ceiroquinho tem. O que Ceiroquinho tem, são ruelinhas e escadarias para pedestres, casas de xisto, fontes naturais, uma boa vizinhança, muita tranquilidade, e uma vista de tirar o fôlego.
Óbvio que uma vilinha dessas não consegue sobreviver sozinha. Existem várias outras aldeias, de maior ou menor tamanho (eu sei: unbelievable) ali ao redor, pelas encostas da serra. A maioria delas tem origem lá pelos idos de 1200, e características muito parecidas.
Aparentemente, Piodão é a mais turística. Talvez seja a única. Praticamente toda ela é casa de xistos (pedra-material da montanha), o que acaba por criar uma atmosfera bem típica. Se não fossem os chatinhos dos vendedores ambulantes, querendo encher a gente de souvenir-tralha na base da insistência nível máximo, seria um lugar completamente bucólico.
Fajão foi a aldeia que eu mais curti depois de Ceiroquinho em si. Acho que pode ser considerada cidade grande média, já que tem restaurante (divino, por sinal), cafés, uma piscina comunitária pra alegria da galera... mas não tem escola também.
Boiças: é de loucos! Esta aldeia tem 1 dígito de habitantes. Um dígito, caras! Não sei ao certo que dígito é esse, mas quem me deu a informação, é de confiança: o tio Tó (tio do maridão, e agora meu, por ligação). Tio Tó conhece a região todinha como a palma da mão, porque é sapador florestal (tipo o guardinha do Zé Colmeia, só que mais astuto). Dá pra ir apé de Ceiroquinho à Boiças.
Well, foi uma viagem rapidissíssima de uma noite, e praticamente foi isso que eu consegui ver. Isso, mais o super lago formado pela Barragem do Alto da Ceira, a master concha desenhada na serra pra marcar o Caminho de Santiago, as super eólicas, a igreja romana de Arganil... Ó, valeu a experiência. Até colhi cereja do pé, veja bem! Uma fruta que eu achava que só existia em calda, no vidrinho. Guria de apartamento, sabe como é?
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| igreja romana de Arganil |
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| Não dá pra enxergar o desenho de conchinha daqui, mas está ali. |
Adicionando comentário da minha sogrinha ao post:
Fantástica a forma como descreves estes lugares tão bucólicos e tão queridos para mim. Foi nestas serras que aprendi a ser gente a guardar o rebanho de cabrinhas que era tarefa dos filhos pequenos enquanto a Mãe cuidava das terras e o pai colhia a resina dos pinheiros, isto à 45 anos atrás.Nesse tempo a aldeia era cheia de gente crescida e muitas crianças pois até existia uma escolinha a funcionar.Agora apenas restam as tais poucas pessoas mais concretamente 11 sendo que 6 delas são senhoras idosas e solteironas. Muito mais havia para dizer, mas já dá para terem uma pequena ideia.