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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Um só coração

Não, esse post não é sobre a Copa. Mas meio que é.

Esse post é sobre aquele sentimento que todo brasileiro adquire durante a Copa, qualquer Copa... até nessa, a Copa do #imagina. Ahãn… tô generalizando. Mas é que eu costumo ser descrente quanto a existência do brasileiro sem o mínimo de comoção futebolística. Até sei de rarissississímas exceções, dessas que preferem assistir Netflix enquanto todas as vuvuzelas do prédio tocam, mas acho que deve ser difícil ignorar toda a vibe ao redor (sem falar do barulho).

De qualquer forma, repito, esse post não é sobre a Copa. É sobre uma peça de teatro, chamada "Um só coração", que trata do "ser humano brasileiro"na Copa. Neste contexto, vários aspectos bem nossos viram temática: jeitinho brasileiro, culturas diversas, povo que ri á toa, que se manifesta (mesmo sem saber como ou porquê(s)), que assiste sempre o mesmo horário eleitoral gratuito, que faz selfie, reclama no facebook, leva bala de borracha… todas essas questões das quais a gente ou se orgulha ou se envergonha.

Mas é comédia? Sim e não. Então é drama? Sim e não. É musical? Sim e não. Basicamente, a peça é sobre o sentimento de SER BRASILEIRO, ou seja, uma grande mistura.

Infelizmente cheguei tarde (apesar de ter assistido a peça duas vezes, durante os ensaios e agora em cartaz), porque só vai ter mais uma exibição. Há quem interessar possa:
Peça: Um só coração da Cia Dom Caixote, em cartaz dia 03/07 às 21h no Espaço Parlapatões, Praça Roosevelt ,158. Moito recomendo!


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Ópera no Theatro Municipal

Quando você pensa em ópera, qual a primeira coisa que lhe vêm a cabeça? Julia Roberts em dia da transformação da Xuxa ao lado do Richard Gere? Luciano Pavarotti? Todas as anteriores? É exatamente nisso que eu penso. Em resumo a imagem de ópera da minha cabeça sempre foi: Um espetáculo de dramalhão clássico, cantado e representado por uma minoria rechonchuda e altamente talentosa, destinado à diversão da nobreza.

Well, eu não sou da nobreza, e eu fui à ópera. Aqui no Theatro Municipal de São Paulo. E vos digo, não custa nem um terço de um ingresso prum show da Beonça em tour pelo Brasil. E ninguém mais veste longo de Óscar pra ir à Ópera. Julia Roberts estaria completamente fora de contexto. 


Mas a minha surpresa maior nem foi essa. A grande surpresa foi: A ópera - Falstaff do Giuseppe Verdi - é uma COMÉDIA! E existe? Pois, existe! A gente custa a perceber porque tudo é cantado em italiano em tom de dramalhão, sendo piada ou não, mas é comédia. Dá pra dar risada. E TU-DO-TU-DO é cantado. "Pega ali meu chinelo" é cantado. "Essa coxinha é de ontem" é cantado. "Trim trim" do telefone é cantado. 

Apesar da estranheza inicial, eu curti muito. Principalmente o último ato. Nunca vi tanta gente em cena. A peça é uma adaptação operística de uma obra de Shakespeare, e portanto se passa na Inglaterra, em Windsor. Nessa montagem moderninha tem até punk!


Imagine, uma ópera cheia de punks... tem nada a ver com a imagem que eu tinha na minha cabeça. Nada a ver. Lá se foi a imagem Julia Roberts. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Florilégio II - Nas ondas do rádio

Esse é pra quiança paulista dos anos 80, que cresceu assistindo a TV Cultura. Não é preconceito estatal, gentem! É que Cultura, acho eu, só tinha em Sâo Paulo. Corrija-me se eu estiver enganada.

Kadiquê esse público tão seleto? Nem é, néam? Tanto que, no dia em que lá estive, vendo a peça, toda a platéia era caravana da terceira idade. Porque esse sim é o público! Mas quiança paulista que cresceu nos anos 80 assistindo TV Cultura se encanta, porque o elenco são personagens da infância:

- Mira Haar: mais conhecida como "a mãe do Lucas Silva e Silva" do "Mundo da Lua", onde tudo pode acontecer...
- Patrícia Gasppar: também conhecida como Caipora do "bum-bum-bum Castelo Rá Tim Bum".
- Carlos Moreno: aka Garoto Propaganda da Bombril. Esse geral conhece. É ícone nacional!


Eu sei que ator desgosta de ser conhecido por um só papel. Mas, veja bem, nesse caso foi inevitável, e não desmerece o talento. Pelo contrário, prova que é inesquecível.

E a peça? É um espetáculo, figurativa e literalmente. Trata-se de um programa musical da era do rádio, só que ao vivo. E, se é musical, os artistas fazem o que? Cantam, caras! Muito e muito bem! Eles cantam, representam, fazem graça... tudo junto e misturado! Carlos Moreno é tenor, sabia? As músicas são antigas, porque esse é o contexto, mas "todos conhece". Todos faz coro!

E se toda essa minha tietagem não te convenceu, digo mais, a peça é grátis! Todo sábado e domingo as 16h no Museu da Casa Brasileira até 08 de dezembro. Coração com a mão!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

"Sua Incelença Ricardo III"

Marido (me acostumando com o termo) chegou anunciando: Vamos assistir a uma peça de teatro na praça Dom João I! Ai, pregui, xente... tava frio, era tarde, a peça era no meio da rua, brasileira, e fazia parte de um festival de teatro. Juro que não é pré-conceito. É conceito. Adquiri depois de várias decepções nos Festivais de Teatro de Curitiba, sabe? Peça de grátis, valendo a pena, posso contar nos dedos. Com exceção das escritas/dirigidas/atuadas pelo Frávio, craro.


Mas fui, né? Que a gente não diz muito "não" dois dias depois do casamento. E, ó, inda bem! Que eu mordi a língua, e a peça arrasou. Mesmo eu não curtindo o estilo circense, ou a adaptação do texto pra linguagem paraibana (de novo, não é preconceito, é que, sei lá, não combina dizer que está indo lutar com o exército francês depois de um "óxente!"). 
O que eu amei: cenário, figurino, mudanças de cenários e figurinos ali no meio da rua, pra todo mundo ver, e ainda sim, de forma a combinar. E o principal: as cenas musicais. Porque o ator principal, Marcos França, é diretor musical, músico de formação, toca uma sanfona e um piano na perfeição, e canta. Todo mundo na peça canta, sozinho, em conjunto ou uníssono. Duas das interpretações que muito ganharam aplauso foram  Bohemian Rapsody (do Queen) e The Logical Song (do Supertramp). Ah, e pra quem é noveleiro, só como referência, uma das atrizes (das piorzinhas) era a Socorro, das Empreguetis. 



DADOS GERAIS
Festival: FITEI, que esse ano tava sem verba e acabou sendo patrocinado pelo Brasil-sil-sil, como parte do "Ano do Brasil em Portugal".
Peça: Sua Incelença Ricardo III