quarta-feira, 23 de julho de 2014

Transarquitetônica no MAC

Dia desses, seguindo sugestão da Camila, fui conhecer o novo prédio do MAC - Museu de Arte Contemporânea da USP, que foi inaugurado ano passado ali pelas redondezas do Parque Ibirapuera.
Eu nunca tinha ouvido falar, nem sabia que existia… e ADOREI! Uma exposição mais legal que a outra, e são uns 8 andares de exposição. Passeio pruma tarde inteira! Tudo muito moderninho. Pra quem não gosta de museu clássico, esse é o lugar. Achei, inclusive, comparável a Saatchi Galery.




A exposição, na verdade, a instalação que a Camila havia indicado, foi realmente a mais impressionante: chama-se Transarquitetônica. É tipo… UAU!
Existem duas formas de visualizar. Por dentro e por fora. Quer dizer, por fora, você visualiza, por dentro, você vivencia. É uma experiência! Porque o ambiente vai mudando, a medida que você vai entrando nele. Começa com uma estrutura de paredes brancas, limpas, concretas… e vai se descontruindo, passando pelo pau a pique, pela madeira… até que a estrutura em madeira vai ficando cada vez mais rústica, e os espaços ficam mais estreitos. Você se sente num labirinto. Até que enxerga o final. E o que encontra quando sai? As raízes (ou galhos?) de uma árvore. Como se você tivesse passado o tempo todo dentro da árvore. Entendeu?
Por fora, vendo de cima, você percebe a transformação na estrutura mais claramente. É uma metáfora, sabe? Não? É melhor ir visitar então.



domingo, 6 de julho de 2014

Mais um kit presente

Ando tão arteira! Fiz mais um kit presente. Repara.


Caixinha composta por manteiga de amendoim (feita por mim, seguindo essa receita aqui), geléia de manga com pimenta (também fiz, receita aqui), uma caixinha com paçoquinhas AMOR e uma velinha com essência de canela.
Foi presente de casamento pra esse casal com quem praticamente dividíamos apartamento em Londres (por isso os rótulos em inglês). Como não pude ir ao casamento, quis mandar muito amor do Brasil!


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Obsessão Infinita

A minha obsessão infinita é comida. Mais precisamente carboidratos. Mais precisamente pão de queijo. Mais precisamente pão de queijo com brigadeiro. Essa é a minha obsessão infinita.

Mas não é de mim que vamos falar neste post, é da dona yaya Yayoi Kusama, cuja obsessão infinita são bolinhas.


Demorou preu tomar coragem de enfrentar a fila homérica de duas horas que vêm insistindo em se formar do lado de fora do Tommie Otahke (aonde acontece a exposição). Mas tanto se falava no assunto que resolvi encarar, e lá dentro, descobri seus motivos.

Motivo 1: As instalações produzidas pela Dona Yaya são divertidíssimas! Adjetivo estranho pra obras de arte, mas, na minha modesta opinião, é o mais apropriado. Muitas bolinhas, sempre bolinhas, das formas e nos lugares mais inusitados. Pra você ter uma ideia, na época que Yaya era amiga de Andy Warhol, lá em NY, costumava promover orgias (não sei se reais ou apenas marketeiras) aonde pintava os corpos dos amigos todinhos de bolinhas. Na exposição não tem gente pintada. Tem sala com bolinhas, tem falos com bolinhas, tem super bolonas, e a minha parte preferida: infinitas bolinhas luminosas. As bolinhas da Dona Yaya são fruto da sua esquizofrenia, que surgiu na adolescência. E, apesar da situação clínica, ela é artista, escritora e empresária mega produtiva. Hoje em dia mora num asilo no Japão, aonde se auto internou, mas produz num estúdio ali em frente usando um penteadinho a lá Rita Lee.



Motivo 2: Metade da fila homérica é de pessoas interessadas na exposição, a outra metade é de gente querendo fazer selfie em cenário badalado. Independente do motivo, lá estando, todo mundo faz selfie. Eu própria sou adepta do selfie. Eu faço, curto e posto. Mas não entendo gente que enfrenta duas horas de fila única e exclusivamente para fazer o selfie. Estou falando de grupos de adolescente que ficam se acotovelando nas instalações pra ver quem clica o melhor smize, e que só vai reparar que esteve num evento artístico depois, quando estiver olhando o fundo das fotos. Isso eu não entendo. E detalhe, além da fila de duas horas do lado de fora, para cada instalação, lá dentro, forma-se outra fila, não necessariamente mais rápida que a anterior. Estilo Disney, sabe? É muita vontade de fazer selfie. Beirando o exagero.


Intaum tá. Até dia 27 de julho tem Yaya no Tommie Otahke. Recomendo, sejam quais forem seus motivos.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Um só coração

Não, esse post não é sobre a Copa. Mas meio que é.

Esse post é sobre aquele sentimento que todo brasileiro adquire durante a Copa, qualquer Copa... até nessa, a Copa do #imagina. Ahãn… tô generalizando. Mas é que eu costumo ser descrente quanto a existência do brasileiro sem o mínimo de comoção futebolística. Até sei de rarissississímas exceções, dessas que preferem assistir Netflix enquanto todas as vuvuzelas do prédio tocam, mas acho que deve ser difícil ignorar toda a vibe ao redor (sem falar do barulho).

De qualquer forma, repito, esse post não é sobre a Copa. É sobre uma peça de teatro, chamada "Um só coração", que trata do "ser humano brasileiro"na Copa. Neste contexto, vários aspectos bem nossos viram temática: jeitinho brasileiro, culturas diversas, povo que ri á toa, que se manifesta (mesmo sem saber como ou porquê(s)), que assiste sempre o mesmo horário eleitoral gratuito, que faz selfie, reclama no facebook, leva bala de borracha… todas essas questões das quais a gente ou se orgulha ou se envergonha.

Mas é comédia? Sim e não. Então é drama? Sim e não. É musical? Sim e não. Basicamente, a peça é sobre o sentimento de SER BRASILEIRO, ou seja, uma grande mistura.

Infelizmente cheguei tarde (apesar de ter assistido a peça duas vezes, durante os ensaios e agora em cartaz), porque só vai ter mais uma exibição. Há quem interessar possa:
Peça: Um só coração da Cia Dom Caixote, em cartaz dia 03/07 às 21h no Espaço Parlapatões, Praça Roosevelt ,158. Moito recomendo!


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Festa Junina no Museu da Casa Brasileira

Neste domingo fui a festa junina do Museu da Casa Brasileira. Que, né? Nem parecia uma festa junina. De tão organizadinha.



Eu sou do tempo em que festa junina era uma cena bem roots, sabe? Toda cheia de barraquinhas recheadas com os bolos das tias, quadrilhas mal ensaiadas com músicas tradicionais, sacolinha de prendas cheia de brinquedinhos plásticos do R$1,99 (quando nem existia R$1,99)… Saudades daquela época em que tudo o que eu queria era pescar um peixinho da barraca da pescaria…

Mas eu não estou falando mal da festinha do MCB, tá? Que tava bem bonitinha, bem organizadinha, e não fossem os animadores pentelhos gritando mais alto que pensamento lá do palco, teria sido um programinha bem feitinho pro domingo. É que eu não suporto gritaria no palco! Quando começaram a tocar só uns forrózinhos instrumentais ficou bem mais agradável. 


A verdade é que eu estou velha pra essas coisas… fica feio ir brincar na pescaria, eu não tenho mais o que fazer com uma prenda Barbie paraguaia, até correio elegante perdeu seu apelo.
Mas não vou desistir, e até final deste junho, prometo, vou reconquistar meu espírito caipira numa festa bem tradicional! Porque o balão vai subindo e vai caindo a garoa, o céu é tão lindo e a noite é tão boa! Tenho dito!

É nisso que dá escrever post segunda feira de manhã… fica registrado todo um mau humor. 

domingo, 8 de junho de 2014

Kit Flash Gordon

Neste final de semana, eu e marido comemoramos nosso primeiro ano de casados. Mas já? É, caro leitor… estamos envelhecendo. Tá tudo registradinho nesse post aqui, ó.

Pois eu resolvi que era data pra presente, e pra presente elaborado, por isso criei o Kit Flash Gordon. Quem??? Flash Gordon começou como herói de quadrinhos, e digievoluiu para séries, filmes e desenhos animados. O ídolo do meu marido é o do filme, bem tosco por sinal, produzido no início dos anos 80 (link para trailler). Marido assistiu muito quando criança… pra ele é um clássico. Ouso dizer que Flash Gordon devia estar para as crianças portuguesas, assim como os Goonies estavam para a maioria de nós. Já torturamos um ao outro obrigando-nos a assistir. E vira e mexe, ele coloca a trilha, elaborada pelos Queen, para tocar.

Da trilha constam quotes do filme em si, e foi daí que tirei a idéia. Portanto, agora vos apresento, o Kit Flash Gordon!








1. "No! Not the bore warms!" Nesse saquinho estão minhocas de gominha. Como no filme ninguém descobre o que são as tais bore warms (obviamente instrumentos de tortura), eu realizei que essa seria uma boa forma de ilustrar. Vermes!

2. "Death to Ming!" Ming é o grande vilão. Na caixinha "Death to Ming" tem um canivete suíço, que, né? É pra matar o Ming.

3. "Gordon's Alive!" Frase de um dos personagens mais icônicos do filme, não podia faltar. Gravei na caneca junto com um desenhinho (que achei googlando, não é de minha autoria, me avisa se for sua que registro aqui).

4. "Flash Gordon. Quaterback. New York Jets." Frase de apresentação do Gordon. Achei que caía bem em uma camiseta.

Na caixa do kit em si está gravada a frase "Flash! a-ah! Savior of the Universe!", que é refrão da música tema do filme, e por isso está quotada como "Fred Mercury's quote". Daí saiu a brincadeira da tag, quotada como "Thais Miguele's quote". Todas as demais frases também estão quotadas. E eu nem sei se a palavra "quotada" existe, mas estou usando mesmo assim.

Com exceção do desenho do Prince Vultan todas as outras artes são minhas. Me diverti num grau elaborando, que acho que o presente foi mais pra mim que pra ele! Até porque a nerd da relação sou eu.

Presentes a parte, o que eu quero mesmo, é muitos muitos mais anos juntinhos!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sindrome do Regresso

Acho que eu tô sofrendo disso!

"...Algo que passou a ser observado, é que muitos brasileiros que deixaram o país, ao retornarem, estão sofrendo de depressão, crises de pânico e falta de estímulo. É a chamada Síndrome do Regresso..."

Tá, não exageremos. Eu não tô frustrada, depressiva, nem querendo ir embora. Na verdade, eu tô adorando retornar para São Paulo. Estou lidando muito bem com isso, e acho que os motivos são dois:

1. Faz mais de 15 anos que saí de São Paulo pela primeira vez, e nesse interim mudei de países, estados e cidades várias vezes. Tudo no plural. Acho que já tive a minha cota de traumas por mudanças. Hoje em dia, eu não tenho traumas. Eu tenho um vício. Vício de mudar. Estar sempre explorando novos ares. E é exatamente isso que estou fazendo em São Paulo agora. Explorando como se nunca tivesse sido moradora antes. Como se não tivesse nascido aqui. E convenhamos, a cidade mudou tanto que agora só tenho assim um leve deja vu vez em quando. Até o sotaque da cidade mudou. Eu sou do tempo que só os "mano" se chamavam de "mano".

2. Eu fiz escala de moradia em Londres antes de voltar pro Brasil. Se tivesse vindo direto de Angola, daí o sentimento seria bem pior. Mas como assim? Angola não é um país praticamente estrutura zero, o oposto completo de Londres? Você não deveria estar sentindo falta da pontualidade inglesa ao invés do trânsito angolano? Sim, caro leitor, mas não estou. Porque em Angola eu tinha minha família de amigos, sabe como é? Um bando de expatriados se apegando uns aos outros como irmãos. E vivendo intensamente todos os momentos, que sabíamos, um dia acabariam. Em Londres não deu tempo de nada disso. Nem de fazer amizade, nem de criar laços, nem de ter lembranças de porres memoráveis cazamiga...

Em resumo, é disso que estou sentindo falta. DOS AMIGOS. Antes que alguém se ofenda, vou logo explicando: claro que tenho pessoas muito queridas aqui na cidade. Meus primos, meus tios, minha melhor amiga do ginásio por exemplo, amo todos. Mas eles estão quase há uma Zona de distância. E as distâncias em São Paulo, ui, não são bolinho. Tem também o povo do trabalho, mas, como reclamar do povo do trabalho para o povo do trabalho? Sendo demitida em 3, 2, 1...

Não, sério, o ruim de chegar assim em uma cidade que tem tudo (universidades, empregos e oportunidades) é que muita gente nem saiu daqui. Então que todo mundo passou uma vida inteira no mesmo lugar formando suas turminhas, geralmente por afinidade, acaso do destino. Não é por mal que você não se encaixa nas tchurminhas. É por falta de costume. Afinal, como de repente se tornar uma dazamiga? Dessas que vêm com coleções de piadas internas? De fofocas infinitas? De noites acordadas? Não dá, não rola. Leva tempo. E em São Paulo falta tempo. Falta disponibilidade... e eu super entendo.

Eu sei que vai chegar o dia em que eu vou ler isso aqui, dar risada e ligar prazamiga. Espero que este dia chegue ontem!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Virada Cultural. Meio que fui!

Não, não tenho nada de novo pra contar. Tá friozim, tá chovendo... a última foto do meu instagrão é de uma sopa... que eu mesma fiz, na minha própria casa. Podia ser pior, podia ser miojo.
Eu posso contar o que fiz no ooooutro final de semana. No retrasado, pode ser? O final da semana da Virada Cultural paulistana.

Não, eu não participei ativamente da Virada Cultural paulistana, porque, apesar de já ter ido em festinha no Morro do Vidigal, tive medo do Vale do Anhagabaú nas madrugadas. Por isso, pra não deixar passar em branco, fui ao show do Karnak aqui no SESC Consolação.


Ain, foi tão legal! Eu nem super curto Karnak. Quer dizer, admiro o André Abujamra desda época da finada MTV, mas não conhecia exatamente músicas da banda, com exceção de "Alma não tem cor", que não é do Zeca Baleiro. Mas o show é muito legal, porque eles interagem o tempo todo com o público, fazem caras e bocas, e as músicas são cantáveis, dançantes. O saxofonista é show! Os músicos são de verdade.

Além disso, a estrutura do SESC estava muito legal. O tema nesta parte que eu fui era circo, tipo dos vintage, então tinha gêmeas siamesas, malabares, povo se equilibrando naquelas bicicletinhas de uma roda só... todos maquiados, só que não de palhaço tosco. Estava tudo muito bem organizado, o show foi mara e de grátis, ninguém se acotovelava. O que mais uma pessoa pode querer prum sábado a noite?


Sabia que o André Abujamra foi o responsável pela trilha de abertura do bum-bum-bum Castelo Rá Tim Bum?

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Aulinha de Culinária Chinesa

Você sabe aonde fica Sichuan? Nem eu! Mas já sei fazer um prato típico de lá.


É que o Instituto Confúcio para Negócios - orgão que promove uma parceria educacional entre China e Brasil dentro do campus principal da FAAP - anda oferecendo umas aulinhas de culinária chinesa esporádicas for free. A deste sábado foi baseada na culinária de Sichuan, uma província central da China, famosa por seus pratos tão apimentados, mas tão apimentados que chegam a adormecer a boca.

A professora benevolente adaptou pra culinária brasileira, apimentada nível Bahia. Se bem que a turma tava bem globalizada: tinha espanhol, mexicano, chinês, e nóis. Aprendi a fazer o Ma Puo Tofu. Quer dizer, não sei bem se aprendi, porque ainda não tentei reproduzir sozinha no calor da minha cozinha. Na aulinha ficou bem comível. Cobaias?


Como você pode imaginar, o Instituto também ministra cursos de mandarim, workshops, seminários, e até um MBA em China Comtemporânea (pra quem é mais culto do que guloso).

Não sei quando vai acontecer a próxima aula, mas se cadastrando no site, você recebe notificações. Quem sabe você aparece lá, e a gente troca figurinhas da Copa.


domingo, 18 de maio de 2014

Casa Guilherme de Almeida

Daí a pessoa tá num dia completamente preguicento... pijamento... e se obriga a dar uma saidinha de casa só pra ter assunto pro blog. Deve de ser doença! O que me faz pensar... o que surgiu primeiro? O ovo ou a galinha? Ou seja, o quê alimenta o quê? A minha vontade de escrever é o que me faz criar passeios? Ou o meu gosto por passear é o que me faz escrever o blog? Num sei... fica a reflexão...

Bom, o alvo da saidinha rápida foi um Museu aqui no bairro mesmo (eu moro no limbo indefinido entre Pompéia, Perdizes e Sumaré): o Museu Casa Guilherme de Almeida. 


Queeeem? Pois, não se sinta ingnorante se você não souber quem foi este célebre senhor, o Guilherme de Almeida. Não que ele não tenha sido super importante pra história das artes no Brasil. Não que ele não tenha tido uma vida super dinâmica, interessante, digna de biografia (se até Bruna Surfistinha...). O problema na minha opinião foi que ele tinha tantos talentos, e atuava em tantas áreas, que uma acabava por ofuscar a outra. 

Perceba: Guilherme de Almeida foi advogado por formação, jornalista, crítico de cinema, ilustrador publicitário e tradutor por profissão, poeta modernista e ensaísta por vocação. Dessas pessoas que faz a gente se perguntar: "que horas dorme?". Adivinha quem idealizou a semana de arte de 1922? Aham, ele mesmo! Que era BFF do Mário e do Oswald de Andrade, do Di Cavalcanti...  Como se não bastassem as tendências artísticas, ele ainda se voluntariou ao exército na Revolução Constitucionalista de 1932 contra Getúlio Vargas. Daí foi exilado em Portugal.


Por isso, apesar de ter tido uma vida tão rica, ele próprio não foi cheio de posses. A Casa da Colina, atual Casa Museu Guilherme de Almeida, sua morada durante os últimos 20 anos de vida, é assim... um sobrado com dois quartos. Recheado de obras originais de pintores, escultores e escritores renomados, mas ainda assim um sobrado. A visita, com guia a tiracolo, é bem interessante, principalmente na área do sotão, aonde ele costumava trabalhar. 

E não esqueçamos da programação agitada de workshops, oficinas, palestras... 



O ECO
"Perguntei à minha vida: Como achar a apetecida felicidade absoluta? E um eco me disse: Luta! Lutei. Como hei de a esta pena dar cadência serena que suaviza, embala e encanta? O eco então me disse: Canta! Cantei. Mas, como, num verso, resumir todo o universo que em mim vibra, esplende e clama? Então o eco me disse: Ama. Amei. Como achar agora a alma simples que eu pus fora pelo prazer de buscá-la? O eco, então, me disse: Cala! Calei-me. E ele, então, calou-se. Nunca a vida foi tão doce... Tudo é mais lindo a meu lado: Mais lindo, porque calado."
Guilherme de Almeida

terça-feira, 13 de maio de 2014

Confeitaria Colombo

Juntar turismo com gordice... que idéia fantástica!

Claro que não foi essa a motivação dos fundadores da Confeitaria Colombo há 120 anos (1894). A motivação deles, dois tugas,  foi trazer ao Brasil um pouquinho da Belle Epoque européia. Com a chiqueza da decoração, dos adornos, e, imagino eu, do atendimento diferenciado. Durante as primeiras décadas de 1900, a Confeitaria Colombo era frequentada pela alta sociedade, pelos barões do café, recentes industriais ou grandes comerciantes. Pelos artistas e formadores de opinião.


Hoje a clientela não é mais assim tão seleta, néam? Que aquilo faz fila de turista querendo tirar foto dos vitrais, e consumir só um cafezinho (eu! eu! eu!). Mas independente desta mudança, é muito mérito que um simples estabelecimento tenha conseguido sobreviver, se destacar e, por isso, se transformar frente a tantos outros que provavelmente surgiram pelo meio do caminho.


Eu pessoalmente, não me impressionei nada quando vi do lado de fora. Pensei "jura que é dessa coisinha mequetrefe que todo mundo tanto fala?". Porque, né? Aquele toldinho azul não faz juz. Lá dentro é outra satisfação. Pisos, papéis de paredes, móveis, vitrais, utensilios, elevadores... tudo nos remete a outra época, a outro patamar. Até onde eu percebi, eles tem uns quatro ambientes: o restaurante do segundo andar, a confeitaria do primeiro, o balcão do lado direito e o espaço memória, que é um mini museu Confeitaria Colombo, ao lado do restaurante.


Não comi docinho, e tenho uma boa justificativa: estava num dia de desarranjo. Mas posso sempre usar isso como desculpa para voltar.

domingo, 11 de maio de 2014

Parque Lage

Quando eu era pequena criança, jurava que a Xuxa morava no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, CEP 22470. Quem nunca? E por isso eu sempre quis, com força, conhecer o lugar. Só que ainda não foi desta vez (fuén fuén fuén).
Em compensação, consegui visitar o Parque Lage. E já está de muito bom tamanho.


Sabe cheirinho de floresta? Aquela sensação estranha de respirar ar puro? É das primeiras coisas que se nota ao entrar no Parque. Isso e as palmeiras reais gigantes que batem no céu. É evidente que existe muito verde, muita árvore, muita planta... o balaio de todo parque. Mas também tem daquelas coisinhas inusitadas pra serem descobertas pelo caminho, tipo: aquários encrustados em rochas, ruínas, cavernas cheia de estalactites e gmites, macaquinhos...


Mas o que mais tem é debutante, noiva e grávida fazendo photobook. Aff... sério, no dia em que fui, tinha umas duas por metro quadrado. Devo ter saído em várias fotos. E tudo brega! Não se aproveitava um figurino, maquiagem e/ou pose (com exceção das grávidas que usam uniforme "saião e pancinha", e por isso, são sempre fofas).
Veja bem, eu não tenho nada contra photobook, tá? Acho mara quando bem produzido.



Enfim, o ponto alto do Parque é o Palacete (vide fotos) com vista pro chafariz, construído em volta de uma piscina toda clássica. Ele foi presente do Sr. Henrique Lage (último proprietário privado) pra sua esposa, uma cantora lírica italiana. Não é romântico? Dizem que eles servem um café da manhã fantástico. Eu até tentei provar, mas tinha fila de espera.

Se não me engano, a Escola de Artes Visuais funciona no Palacete, o que faz com que rolem algumas exposições nas instalações. Quando fui, por exemplo, estava acontecendo uma exposição de jogos de luzes no antigo estábulo. Saí de lá cegueta, mas achei bem legaus!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Travessa do Comércio

Há uns dois posts atrás, eu escrevi que a Praça XV no Rio de Janeiro era aonde tudo acontecia no tempo da família real. Uma região badalada. Devia ser uma vizinhança interessante. Mas é difícil saber, porque o progresso tem esta personalidade destruidora. Vez ou outra, ele fica benevolente, e poupa umas ruelinhas. Que eu costumo chamar de relíquias.

Ali na própria Praça XV tem uma passagem "secreta" pra uma destas. É o Arco do Telles datado de 1730, que faz entrada para a Travessa do Comércio. Um verdadeiro Delorean que leva a gente diretinho pro período colonial: ruelas estreitas apenas para pedestres, paredes assobradadas, luminárias em arcos, arquitetura portuguesa, mini igrejas uma do lado da outra... e personagens lendárias.



Bárbara dos Prazeres, uma portuguesinha serelepe, chegou ao Brasil com 18 anos e aos 20 já tinha matado dois maridos. Porque um é pouco, dois é bom. Resolveu se dedicar ao dom da prostituição e escolheu como ponto o Arco do Telles. Os negócios iam bem, a demanda era vasta, o custo/benefício compensava. Só que o tempo não perdoa, a gravidade derruba tudo, e prostitutas, assim como jogadores de futebol, tem prazo de validade. Bárbara que já não batia bem, não se conformou, e na falta de cirurgiões plásticos, foi a caça de feiticeiros que pudessem lhe trazer de volta a beleza e a juventude. A prescrição dada foi muito simples: sangue fresco de criança morta. A venda nas farmácias e drogarias, só que não. Então que Bárbara virou serial killer de criancinhas. Raptava crianças pobres ou retirava bebês orfãos deixados em frente aos conventos. Ninguém sabe quantas crianças ela matou, nem o que lhe aconteceu depois. Ela simplesmente desapareceu... vush. E a história é tão real, que tem até registros na polícia.

Filosófo do Cais, foi um louquinho destes que andam pelas ruas falando nada com nada, mas que a gente conhece bem por estarem sempre nos mesmos lugares. São praticamente pontos de referência. "Vira ali a esquerda, depois do louquinho". Pois, este louquinho, chamado João Alberto Matias, jurava que era alemão e se intitulava "Barão de Schindler". Andava sempre de fraque verde, descalço, com um cachimbo na boca e um boné alto de penas verdes. Dizem, tinha lutado nas Guerras Napoleônicas. Pode muito bem ser. Fato é que um dia ele surtou de vez e foi levado pro pinel.


Carmem Miranda (deixei esta por último, pro post ter final feliz), a pequena notável, passou parte da adolescência no sobrado número 13 da Travessa do Comércio, aonde sua mãe dirigia uma pensão. Foi ali que ela foi "descoberta". Carmem Miranda, pra quem não sabe, fez carreira internacional com abacaxis na cabeça (praticamente uma zungueira), mas antes disso já era a cantora mais bem paga da cena brasileira, tinha atuado em cinco filmes nacionais e era a estrela principal do Cassino da Urca. Em 1945 também foi considerada a artista mais bem paga de Hollywood. Hoje, na Travessa do Comércio tem um karaokê com o seu nome! Ô, ironia!

Essa na foto não é a Carmem Miranda. É a Rita, que
acho eu, não vai ficar braba de aparecer no meu blog. 

Tudo isso e muito mais passou-se na Travessa do Comércio. Hoje o que acontece são passeios gostosíssimos com direitos a paradas em bares e restaurantes, muita música ao vivo e cervejinha. Tô recomendando.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Escadaria Selarón

Tem que ter muita imaginação, né? Pra pegar uma escadaria pública jogada às traças, e transformar em obra de arte. Só sendo mesmo muito artista. E dos meio loucos.

A meu ver, esse era o caso de Jorge Selarón, um chileno que curtia morar no Brasil a ponto de resolver embelezar a própria vizinhança às custas das suas minguadas finanças. De pouquinho em pouquinho ele foi preenchendo os 250 degraus da Escadaria do Convento de Santa Tereza com azulejos coloridos. Alguns foram pintados por ele mesmo, outros carregados de restos de construção, e outros foram surgindo através de doações nacionais e internacionais. Era o povo do mundo inteiro se encantando com a obra e querendo contribuir. O trabalho durou mais de 20 anos, e só acabou porque Selarón morreu.


Selarón era uma dessas personalidades excêntricas, sabe? Vivia sentado nas escadarias pintando, sem camisa, de barriga de fora, bigodão... a pessoa tem calor na pança, mas não tem no buço, vai entender. Sua marca registrada era a ilustração de uma negra grávida... me lembra Angola. Ah, e ele adourava um vermelho. Em todas as fotos que encontrei nesse mundão da internet, ele estava usando pelo menos uma peça de roupa vermelha.



Não sei se você reparou que todo o texto sobre Selarón está no passado. Isto porque ele morreu. E de um jeito horrível. Foi encontrado uma manhã carbonizado. Onde? Nas escadarias. Ao lado do corpo estavam um galão de substância inflamável e um isqueiro. O povo não sabe se foi assassinato ou suicídio. Aconteceu de, pela mesma época, ele abrir ocorrência na delegacia por estar sendo ameaçado por um ex colaborador. Mas aconteceu também dele declarar em um documentário, que a escadaria só ficaria pronta no dia de sua morte, quando ele próprio passaria a ser parte da obra e se eternizaria.

Vai ficar o mistério e a Escadaria, que hoje é dos principais pontos turísticos urbanos do Rio de Janeiro.

sábado, 3 de maio de 2014

Free walker tours Rio de Janeiro

Você avisa que vai pro Rio de Janeiro e o povo realiza "praia! praia! praia!".
Eu tenho dó de cidade litorânea. Sempre subexplorada pelo turista. Em se tratando da cidade maravilhosa, tem ainda Pão de Açúcar e Corcovado, must see points. Mas eu acho que existe sempre algo mais, principalmente nesta que já foi a capital do Brasil, a única colônia aonde uma família real morou e um rei português foi coroado. Existe História!

Por isso, para a estranheza geral da galera com quem viajei (de verdade!), escolhi fazer um walking tour pelo Centro do Rio, ao invéz de lagartear em Copacabana. E o que eu vi?

Largo da Carioca, aonde tudo começa.

- O prédio da Petrobrás, que já foi considerado dos mais feios do mundo em termos de arquitetura. Eu diria que em termos de corrupção pode muito bem ser.


- Os arcos da Lapa, super aqueduto lançado em 1723 para abastecer a cidade, pertinho da Catedral que por fora parece uma enorme caixa dágua, mas dizem que por dentro é linda. Não sei, estava tomada por manifestantes. Não deu pra visitar.


Escadaria Salaron

- A Cinelândia aonde estão todos os museus + a Biblioteca Nacional e o Teatro Municipal. Tudo fechado pra minha decepção. Feriado santo é sagrado, dizem.

Theatro Municipal


- O Paço Imperial, palácio mixuruca da família real + A Praça XV grudada ao Paço Imperial, aonde tudo de importante acontecia, tipo a Proclamação da Lei Aurea. Ali estão o Convento do Carmo aonde morava Dna. Maria, a louca; a Igreja Nossa Senhora do Carmo, que, se não me engano, foi aonde D. João VI foi coroado; e a Estação das Barcas, que estava fechada para obras.

Sobre a empresa de walking tours:
Preciso fazer este adendo porque fiquei impressionada. As fundadoras da "Free Walker Tours" são uma menininhas de marromenos 22 anos! Sabe o que eu fazia com 22 anos? Não dirigia uma empresa própria de turismo. E é uma empresa mesmo, destas com CNPJ e impostos a pagar. Parece que todas as três já moraram fora, mochilaram pelo mundo e voltando ao Brasil decidiram que faltava resposta à demanda de tours gratuitos (menos tips) por aqui. Néam? Concordo!

A garota loirinha é uma da empresárias de sucesso