terça-feira, 29 de março de 2011

Kuduro! Pardon my french.

O povo de Luanda é louco, né, minha gente? Não tem água, nem luz elétrica em casa, acorda 5h da manhã pra pegar 3 candongas pro trabalho, anda com bacia na cabeça... mas sempre tem um sorriso no rosto, e dança no meio da rua. Isso só pode ser doença. Tomara que contagiosa.

Essa dança que todo mundo... dança... é uma mistura de coreografia C-3PO (star wars, sabe?) com dança do acasalamento (e qual não é? ). Dizem que surgiu nas musseques (favela em luandês), e nas musseques virou ritmo musical também. Uma coisa análoga ao funk, mas com um pouco menos de baixaria. E o nome, coisa singela, é ku-du-ro... fofo, simplesmente fofo.*

O kuduro (fofo) está ganhando o mundo... já ouvi em Portugal, já ouvi no Brasil. “Ouva” (e “óie”) aí vc também!



Eu já tentei dançar, mas nem a posição cabide sai direito... é triste, muito triste. E aí, tá maluca?

* Joguei no Google, mas não consegui descobrir se o nome “kuduro” vêm do dialeto kimbundu ou se significa aquilo que a gente tá pensando mesmo. Fica no ar...
Pra saber mais, clique aqui.

terça-feira, 22 de março de 2011

Oi? Hein?


- Gentem, não tem água na pia pra lavar a mão!
Saí do banheiro com essa, e todo mundo me olhou estranho.
- Tá, que foi que eu fiz agora?

(Uma vez saí do banheiro do shopping com a base da saia presa no elástico da calcinha). O.o

Dessa vez foi menos pior. Acontece que pia em Angola é o mesmo que sanita, ou pra nóis, brasileiros, vaso sanitário. A vulga privada. Nossa pia, por outro lado, por aqui se chama lavatório. E é o lugar certo de lavar as mãos, tá?
A gente acha que se mudar prum país que fala a “mesma” língua é tranqüilo, jóinha... Experimenta mandar o estagiário comprar urgente um Durex, porque você tá muito necessitada.


O.o Danger, danger!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Nome de Casa

Esses dias, por conta de um trabalhinho pentelho terapêutico, o dossiê dos funcionários da empresa caiu nas minha mãos, e eu percebi duas coisas. A primeira é que a empresa precisa providenciar urgente sobrenome presse provo. José, João, Maria não é sobrenome. Um cerumano que se chama “Ricardo Alberto Diogo” sempre vai se sentir, de alguma forma, incompleto. *

A segunda coisa que percebi foi que, NÃO CONHEÇO METADE DA PIPOL! Choquei! E eu que me considerava popular tipo o Bono.

Constatação feita, saí perguntando pelos corredores: quem é fulano, quem é cicrano? Quando perguntei pelo “Ricardo Domingos Adão”, o mocinho que eu conheço como “Miranda” levantou a mão tipo “Sou Eu”. Quando perguntei pela “Diatesa”, quem respondeu foi a “Irina”. Quando perguntei pelo “David Jorge” quem apareceu foi “Seu Balalau”! Fiquei tonta!

Ok que geral tem apelido nesse mundo, essa parte eu intindi. Tipo, eu lá em casa sou chamada de Táta (com acento agudo no primeiro A, tá?). No colégio me chamavam de “baixinha”... nem idéia do porquê.

Agora, o que Irina tem a ver com Diatesa? Irina me explicou que o pai escolheu um nome, mas a mãe queria outro, e no grito, a mãe ganhou. Ela cresceu se achando Irina, e é assim que se apresenta até hoje. É o famoso NOME DE CASA. Todo angolano tem um nome de casa... um mais confusionista que outro, e nem todos tem a mesma explicação. O curioso é que eles adotam como se fosse nome real, ou pros mais pops, nome-artístico. SUCESSOOOO!

Se meu avô “Sinfrônio” fosse angolano, aposto que pedia pra mãe chamar ele de “Gabriel”. Muito intindia!

*Acabei de realizar que tenho tios que se chamam “Sheyla Pedro Antônio”, “Niubes Pedro Antônio”. Sobrenome de presente de Natal pra eles!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Haute Couture

A zungueirada de Luanda adoura gritar “madrinhaaaa” quando vê a gente passando na rua. Se a oferta é de paninho mara, eu bem paro. Os paninhos não são naturais de Angola. Eles brotam, em sua maioria, lá na Ilha de Java o que é estranho, porque Java fica na Ásia, e muitas das estampas são africanas.
Eu geralmente compro pra levar de presente pra família quando vou pro Brasil. Tem tia que já me mandou parar, disse que prefere ganhar meia! Afinal, é presente pela metade, né? Não serve de nada se a pessoa não tiver afim de ir até a costureira.
Acontece que eu, particularmente, sou chiiiiiique a ponto de ter “estilista” (ui, último biscoito). Como o Henriques (o estilista) se acha Jhon Galleano e me cobra o zóio da cara, até agora só fiz três vestidinhos basicões. Nenhum pra usar na entrega do Óscar. Repara aí em baixo eu em look book!


Agora comprei um paninho inédito de estampa dourada com azul, super novo-rico “haute couture”, e não sei o que fazer a respeito. Queria um megadress, mas o tecido é duro e o vestido pode ficar piramidal. Sugestões?

Encomendas?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Breakfast at Al Dar

Sabe a Lei da Atração? Então, eu quando estou comendo, costumo repetir na minha cabeça "Eu sou magra, linda e sexy, eu sou magra linda e sexy, eu sou magra, linda e sexy", que é pra ver se o universo conspira. É que pra dieta mesmo eu não tenho muita paciência...gula de gordinha.
Daí, escutei dizer que o pequeno almoço (café da manhã) é o horário mais joinha pra comer besteirada. Bóra descontrolar!

O AlDar, restaurante / lanchonete /padaria árabe aqui na Ingombotas abre as 7h já com croissant de queijo quentinho, bomba de berlim (sonho), rosca de coco... tudo esperando pra ir pro meu estômago. E os doces? Esses nem parecem de comer tamanha a decoração. Eu usava fácil como enfeite de cabelo.

Costumo aparecer lá, como quem não quer nada assim cedinho, mas vale visitar no almoço e no jantar, quando rolam uns pratos árabes fast food. É mesmo fast e é mesmo food! Recomendo a shawarma de falafel. Na padaria, os pães não valem muito a pena, porque são meio casca grossa (ha ha), mas os bolos são coisa de loco.

Ponto negativo: nem adianta pedir irish coffe porque é um restaurante árabe, não irlândes eles não fornecem alcoól. Nem em gel.

Se joga! Kame hame ha!

Oi? Se meu mantra funciona? De vez em quando eu fico meio pneuzuda... A Lu tem dicas mais decentes.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Kitaba



Kitaba: Paçoquinha de jinguba* com jindungo*. Aperitivo picante* e salgado pra acompanhar o fino* da Cuca*. Não se encontra em qualquer curva, só lá no mercado do São Paulo*.

Glossário: Jindungo é pimenta, jinguba é amendoim, picante é apimentado, fino é chopp, Cuca é a marca mais famosa de cerveja angolana, e o mercado do São Paulo é uma reunião de camêlos, estilo Roque Santeiro, que fica lá no bairro que tem o nome da minha cidade.

Valapena!

terça-feira, 1 de março de 2011

Angolana é gira dos pés a cabeça, mas o cabelo, esse é de brasileira!


O Brasil exporta beleza (ói eu!). Globalizamos o brazilian but, o Dr. Hollywood, somos recordistas mundiais em cirurgia plástica! Tudo pra sanar a humanidade do problema meia velha/maracujá de gaveta. Fear not!

Angolana tem genética perfeita, tecnologia de células anti-gravidade na pele, e pode se dar ao luxo de dispensar esses nossos fogos de artifícios (chatinhas). Mas elas também importam da gente, importam containners inteiros de cabelo!
Pode ser em forma de aplique, peruca, a granel...angolana compra. A gente observa as transformações (hora de morfar) na semana do pagamento, um verdadeiro desfile capilar. Dizem as más línguas que elas gastam marromenos mil dólares em cabelo/mês... noffa! E você jogando tudo pelo ralo da banheira, né?
Tem angolana que vai pro Brasil fazer compra de cabelos na 25 de março, e é normal elas pedirem pra gente trazer uns kilos, quando sai de férias. Eu, escrava da chapinha, muito entendo a questão, apesar de curtir mais o afro fashion Janaina do que o Beyonce.


Expatriada por outro lado, pode até usar cabelo original de fábrica, mas estoca na mala litros e litros de creminho de tratamento, afinal a água de Luanda tem o poder de desintegrar o couro cabeludo da gente. Eu pessoalmente encontrei um salão mara aqui no Maculusso (momento propaganda $$*): é o Salão de Ana, que faz brazilian wax (pede pra marcar hora com a Filó), e massagem capilar de virar o zóinho. Passa lá: Rua Joaquim Kapango, 57.

* A popagranda é de grátis, não cobrei nem permuta.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fazer mercado em Luanda

Geral sabe que fazer mercado em Angola é uma odisséia. A gente tem que lidar com atendimento do mal, preços do mal, falta de produtos do mal. Eu não quero reclamar... mas já reclamei. Surpresa zero dizer que o caos começa na hora de estacionar, e para ilustrar vou contar um causo que me aconteceu lá no Frescos da Vila Alice, que como o nome diz, é mercado de gente enjoadinha.
O Frescos não tem estacionamento, mas tem um bando de manobristas freelancer (if you know what I mean). É descer do carro pra ouvir uns três gritando: "madrinha, tá seguro, eu sou fulano". Parece que batizei metade dos maranjos de Luanda, e nem lembro.
Feitas as compras (comprei codorninha e kani kama), sai eu, Carol e Zana correndo do mercado directo pro carro. Planeamento padrão: entra-se no carro, trava-se as portas, dá-se a partida... dá-se a partida... dá-se a partida. Pato-que-o-pariu, foi-se a bateria! Nisso, meu afilhado já tá batendo no vidro: "madrinha, 200 (kwanza) não dá, falta 100". Olho em volta: "alguém pagou alguma coisa?". Não! Afilhado hoje não tá podendo com a contabilidade.
Dentro do carro, a gente tenta relaxar, curtindo uma sauna mara na espera da boleia. Afilhado do lado de fora entra em estado de compaixão, e fica contando o ponteiro do "nosso" (oi?) velocimetro (parado) em voz alta, tipo bem alta: "20, 30 70, 80, pronto, agora pode ir!"
- 20, 30, 70, 80, pronto, agora pode ir!
Tava tão ritmado que a gente gravou pra usar de toc de telelé*. Ele tanto insistiu, que conseguiu (quem insiste sempre alcança). "Tá bom, afilhado, vou tentar dar a partida outra vez!" E vou te contar, rap de afilhado alucinado é tipo dança da chuva: realiza!


* Telelé é apelido de telemóvel, que é o mesmo que celular.

Pra fazer justiça: lá nos Frescos o atendimento é do bem, tem todo tipo de produto dentro da data de validade... só os preços são do mal, mas isso é Luanda.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Celebridade: Dina Simão.

Ano passado fui convidada prum findi test-drive na pousada Nayuka lá na Ilha do Mussulo. É foda ser VIP (viação itaim paulista)! Na real, o guest era meu morzinho namorado, eu fui de acréscimo (e de borla). Anyway, what a weekend!

Entre os convidados, todas pessoas giras, estava uma celebridade de verdade (besides myself): a Dina Simão. Dina é angolana do Dundo, que adolescente partiu pra Portugal, pra tentar a vida de modelo (lusophony next top model). Segundo me contou, naquela época era a Tyra que bombava, e o povo achava que afro-fashion tinha que ter cara e bumbum pra dentro de Barbie. Dina que não foi feita no photoshop, era mulher de verdade, e em prol de outras como ela, realizou que tudibom seria revolucionar esse mundo das modelos todas-iguaizinhas. Pra isso virou estilista, criou marca própria e passou a ser aquela que escolhia quem desfilava ou não. Tava feita a justiça!

Além de vingadora, Dina ainda é bailarina de danças africanas (com prêmio e tudo), educadora e actualmente apresenta o Sexto Sentido na TV Zimbo (tipo Ana Maria Braga). A pópria mulher-bombril! Se eu bem fosse esperta, tinha gasto filme de 36 poses, e pego autógrafo (mas bem não sou). Lembro dela contando causos de infância, de quando ela fugia com as primas a noite, pra assistir aqueles rituais de mutilação das partes baixas das meninas. Sinistro!

Me faltou alma de RP, e não troquei cartões (com ela, ou com qualquer outro "quem" daquele resort)... shame on me! Eu era pedestre na Ilha de Caras, faltou noção. Anyway, what a weekend!

Agradecimentos especiais ao casal do Algarve, que nos super recebeu na pousada, e que nos serviu o melhor choco grelhado éva. E ao more namorado que me incluiu no pograma.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Banana anti-alérgica

Banana com leite condensado e Neston, hein? Realizou? É looooooouco de bom! Melhor que Ruffles com requeijão, melhor que pão com manteiga e áçucar! Afirmo com experiência porque já comi mooooito  (quando era inocente e não conhecia a caloria). Com o tempo percebi banana enquanto bombril... ia como mistura do almoço, no pão feito x-mico... lá em Curitiba eu comia com barreado (é ruim mas é bom).

Aqui em Luanda, banana é vendida na rua feito churrasquinho, e com ginguba (amendoim). Quem prepara é a zungueira turbinada com "churrasqueira". A banana não é das que a gente conhece, é mais gorda e menos doce, tipo banana da terra, mas o nome é banana dágua. A mistura parece fan-tás-ti-ca, e desde que cheguei, me mordo de vontade.

Mas não pódo... porque Luanda me deixou defeituosa... alérgica à banana. Não sei por que, como, onde... também nunca perguntei! Dever ser sequela (se-que-la-da) de uma úlcera de Red Bull (sem wisky, juro) que me pegou em 2009.

Isso é contra a natureza do homem que descende do macaco, mas como eu descendo da borboleta...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O sonho do cone próprio

Eu já disse aqui que Luanda tem mais carro que barata. Só esqueci-me de explicar aonde é que o povo enfia (ui) essa frota toda enquanto vai trabalhar.

Esquece a falta de infra-estrutura, saneamento, rede elétrica, porque é na falta de estacionamento que a gente percebe que Luanda foi pega desprevenida pelo boom migratório decorrente da Guerra Civil (midêxa ser fútil). Fica claro, por exemplo, que na época do planeamento do Centro (ou baixa) era tendência prédio sem vaga de garagem, porque todos os arquitectos fizeram a linha. Parque de estacionamento devia ser considerado coisa do dêmo, e carro era pros fracos.

Décadas depois, tá feita a muvuca!

Pra sentir o drama, a dica é tentar achar vaga entre as 6h (zatamente) e as 18. Na falta, vale fila dupla ou o upgrade pra fila tripla. Também é básico, normal, ”fazer o pedestre” e estacionar na calçada.

Mas veja pelo lado positivo: essa deficiência gera toda uma indústria de empregos, que vai desde o flanelinha (com ou sem especialização em lavagem de carros), até o motorista jóinha que fica dando voltas no quarteirão enquanto você está em reunião de negócios. E no “pequenas empresas, grandes negócios” de hoje concluímos que: o primeiro cidadão que abrir um estacionamento no meio de Luanda vira herói nacional!

Dizem que NY sofre do mesmo problema, o que quer dizer que estamos na rabeira do primeiro mundo, né? U-hu!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Relógio Biológico Rede Grobo


Eu fui criança dos anos 80 criada pela televisão (senta, Cráudia). Fui programada pra ir directo pra caminha depois de dar Boa Noite pro Jornal Nacional (Willátima ou Fat-Liam). E domingo, casual sunday, ganhava bônus de botar o pijama só depois de ver a zebra do Fantástico.

Como faz quando a gente perde o Relógio Biológico Rede Grobo, que existe dentro de cada um de nós? Aqui em Angola tem Grobo Internacional (ryca e dyva), mas é toda virada do avesso. Exemplo: "nossa revista semanal" não deprime o domingo porque ele é transmitido na segunda. Comassim? O resto da programação é praticamente feito de lavagem cerebral novela. Nesse momento tem marromenos umas 6 passando: Sete Pecados, Senhora do Destino, Malhação (foréva), a das 6h, a das 7h e a das 8h. Tem Jô ao meio dia, e alguns seriados, mas é tudo com 2 anos de atraso. Anda "incrusível" rolando Sai de Baixo.
Agora quer ver o que realmente mexe com a cabeça de um "cerumano"? O jornal da noite passa de manhã, o da manhã passa as 2h da tarde, o do almoço passa as 17h30, e o Jornal Nacional, esse só Deus sabe. Como diria o sábio chinês: ôlocomeu!

Obs: a Grobo é a segunda rede de televisão mais assistida em Angola. Ó, nóis! Nossa diferença de fuso horário é de 4 horas a mais em relação ao Brasil.
Obs 2: Fox Life rules!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Eu podia estar roubando, eu podia estar matando...


Eu Já falei da galeria Feira do Roque. Eu já falei do trânsito da Samba. Agora vou falar da simbiose “Feira do Roque + trânsito da Samba”. Angolano que é marketeiro sabe reconhecer potencial nicho de mercado, e motorista “Jeannie-é-um-gênio” (engarrafado) em ponto morto no trânsito, significa oportunidade de venda, né mesmo? Filosofia comercial de flanelinha de farol.
O “shopping” do trânsito da Samba (avenida que faz ligação entre o centro e alguns dos principais bairros da cidade) é tipo churrascaria, mas sem o churrasco. Vc só faz ficar sentadinho, esperando pela próxima bugiganga no espeto. E não é incômodo, não há insistência, e principalmente ninguém te chama de tia (só de madrinha :P): se vc quer, quer, se não quer, relaxa.
Difícil resistir, porque tem muita coisa útil: lanterna LED de emergência, raquete elétrica pra matar mosquitos, cartão de saldo para celular, caneca pra comer cereal killers, pipoca... Eu sou fã da pipoca.

Tô crendo que tem multidão que faz mercado, cesta-básica-compreta, no trânsito da Samba. É digno!

Foto by http://lacybarca.wordpress.com/
Gentem, repararam no busão? É o “pogresso” chegando por aqui.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Roque Santeiro

Já que entrei nessa vibe popular...

Até finzim do ano passado, Luanda tinha o maior mercado a céu aberto (ou feira) de toda essa África! Movimentava tipo 10 milhões de dólares e 15 mil pessoas todo dia! Noffffa! Vendia-se de tudo, e quando digo tudo quero dizer tudo mesmo. Bicho morto, bicho vivo, bicho meio morto e meio vivo; cabelo virgem de brasileira (a brasileira não precisa ser virgem); eletro-eletrônico do vizinho expatriado; entre outras coisas. Dizem as más línguas que até uma casa de mulher-dama bombava por lá (vendendo corpos). Mas o bam-bam-bam campeão de venda eram os pescados. Dava pra sentir o cheiro daqui!
Mara era o nome do “empreendimento”: Roque Santeiro! Ó nóis! Parece que a novela passou por aqui nos anos 80 e virou frisson. Geral queria fazer a Viúva Porcina!
Eu não tive vontade tempo de conhecer, mas quem foi disse que aquilo era a visão do inferno e o cheiro do Tietê. Operativo desde 1986, o mercado fechou por conta da ilegalidade revitalização (jura?) do bairro onde funcionava (Zambizanga). Nem idéia de como é que esse povo está se virando agora, mas isso tá me “cheirando” a impacto social. Tô certa ou tô errada?

Mais informações sobre o Roque, clique aqui. Kame hame ha pra vc!

Foto by aNa

domingo, 30 de janeiro de 2011

Zungueira

Aqui em Luanda, comércio informal é literalmente parte da paisagem. Mas antes de vc pensar no camêlo com a barraquinha cheia de trecos (é 3 por 2 real) do Paraguai (vide China), deixa eu explicar que por aqui quem melhor representa "a crasse", é a zungueira.
Zungueira: Angolana gira (e de postura impecável) que vende seus produtos dentro duma bacia, em cima da cabeça. Na bacia da zungeira encontra-se de um tudo: carregador de celular, marmitex (fresquinhoooo), detergente, livro, tomate, tecido importado (muito compro), etecetera... O ponto de venda é qualquer calçada. Quando elas se juntam pra fofocar numa esquina, está formado um shopping. Seu uniforme típico padrão é o traje africano cheio de amarrações, "ingual" na foto (vibe Milão), e "ingual na foto" faz parte do pacote "bebê amarrado nas costas". Um questão de atitude!

Tenho pra mim que a vida da zungueira é dura, e por isso fiz um versinho em homenagem a essa mulherada que não perde a pose nem com abacaxi na cabeça: "Pra ser zungueira tem que ter disposição. Pra ser zungueira tem que ter habilidade. Eu venho te contar que não é mole não. E agora pra rimar, vou escrever um palavrão". Brincadeirinha, hoje tô o Bozo!

Pra saber mais sobre as zungueiras (porque meu post tá uó) vá para .

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Minhas Férias

Esses dias alguém me parou numa festa e falou: Dóro seu blog de viagens! Elogios a parte, comassim? Meu blog é sobre Angola, gentem, eu juro! Mas já que virou fofoca...

Lá em casa a gente tem sangue cigano (Ó, Dara). Sério mesmo! Conta a lenda que a nona “de nova” morava em tenda rodando o mundo, e lia a mão do povo na perfeição. Conta a lenda também que quando ela “de velha” morreu (e, tipo, já estava morta) saiu visitando a casa da netaiada. Quem achava que ela estava viva, tratava por visita. Quem sabia que ela estava morta, gritava*.
Anyway, por conta dessa árvore ginecológica genealógica, meus pais (que puxaram a mim) não têm residência fixa, e no final do ano passado resolveram ir embora do Brasil. (A Dilma ter ganho as eleições teve nada que ver com isso... pura coincidência.) Portanto...

Destino de férias: Uruguai.
O que eu vi do país me encantou. Cidades pequenininhas, arborizadas, limpinhas... nem parece vizinha do Brasil (desculpa, aê).
Primeira constatação: toda cidade tem coleção de estátuas com praça no meio (ou vice versa). Toda estátua é sempre do mesmo cara: José Artigas. Dono de fábrica de esculturas, produção em série, certo? Não, celebridade histórica, dãm? Bombou horrores na independência (um trocadalho, kkk).
Segunda constatação: toda casa dá com a porta directo na rua. Quintalzinho, varandinha, garagenzinha separando casa de calçada, é out. Privacidade é pros fracos... mara é deixar a porta aberta, que é pra quem estiver passando saber o que tá rolando do lado de dentro.

Terceira constatação: todo cachorro toma calmante. Quando dá 18h, e o proletariado começa a chegar em casa, a cachorrada é liberada pra passear na rua. Pastor Alemão, pit bull, chiuaua, não tem preconceito... Eles vão, sem coleira, sem lenço e sem documento (nada no bolso ou nas patas), não latem, não correm atrás do carteiro, não cheiram os bumbuns uns dos outros. Ficam caminhando, aos montes, em total harmonia, naquele universozinho prozac deles*. Os donos cuidam, sentadinhos na frente de casa, puxando um mate (a-hãm), feito gaúchos (maldade, gente).
Quarta constatação: Adoray o povo (hermana)! Nunca fui tão bem recebida como turista (e nem estava usando muita mini-saia). Os comerciantes fazem questão de falar português, pra comunicação ficar mais fácil! Ficadica, Europa!

Além da cidadezinha onde meus pais montaram o circo, conheci ainda Colonia Del Sacramiento - um vilarejo pequeno e histórico, da época dos portugueses (ora pois), que faz a linha Uruguai/Buenos Aires todos os dias, via balsa. Dá pra ir nadando também, ou não. – e, a capital, Montevidéu. De Montevidéu não vou falar, porque tô com preguiça tem foto pra ver. Bjo, bjo!
Montevidéu vista do céu
* No episódio da nona morta, meus pais viram a fantasma do lado do meu berço, e é por isso que até hoje eu durmo de luz acesa: pra nona não tropeçar.

* Eu, fazendo a cool, sentadinha na Rambla de Montevidéu, quando um pastor alemão qui-ri-dinho sentou do meu lado e encostou a cabeça no meu ombro. Porque devíamos ser amigos de outra vida e eu não lembrei. Ficamos assim por horas, até que ele se cansou, foi embora, e eu voltei a respirar.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Madrid: Peguei o trem errado!

Povo de terceiro mundo tem toda uma visão mágica da Europa, certo? A gente acha que por lá só tem elfo, fada, Gollun (my preciousssss). A gente crê que toda paisagem é digna de StockPhoto sem royalt free. A gente sente que pegou complexo de inferioridade assim que desce do avião.

Daí, cheguei em Madrid, e tive certeza que o trem fez curva errada e caiu em SP. Cheguei até a procurar um busão Praça Ramos. Isso porque Madrid é sujinha, feinha, toda pichadinha, um verdadeiro nojinho. Aposto que eles colocam a culpa na imigração (típico!). Só pra constar primeiro mundo: São Paulo já fez isso e não colou. A imigração acabou e a decadência continua (oi?).

Se eu já não estava curtindo horrores, imagina a raivinha batendo, quando na porta do Museu do Prado, descobri que Velásquez estava fora da área de serviço / ou desligado. Pasmei! Vi “as meninas” do Picasso no Museu da Rainha Sofia (creep!) e dei uma voltinha pelo Museu de cera. Mas só passei a me realizar enquanto turista quando cheguei ao Palácio Real. Ok, isso São Paulo não tem!

O Palácio Real de Madrid é mara! Tem toda uma coleção de papel de paredes centenários/vintages luxo. Ficadica Tok Stock, pra próxima coleção! E por fora tem um daqueles super-jardins com labirinto, que é pra gente se jogar e se perder. Por ali gari deve ganhar melhor, porque é tudo bem limpinho.

Pra noite tem a Plaza Mayor: um quadradão rodeado por prédinhos antigões . No meio do quadradão tem estátuas (mortas e vivas), e embaixo de cada prédio tem um restaurante diferente. Artista itinerante tem tanto que chega a dar poluição sonora... humpf!

Tá bom, confesso, era minha TPM falando! Mas viagem terminada o balanço é o seguinte: valapena Barcelona pros cosmopolitas, Valência pro baile tudo, e Granada pros desapegados. O resto eu pulava fácil. Se joga!

Foto 1: Sexo in Nueva York
Foto 2: Palácio Real
Foto 3: D. Quixote e Sancho Pança

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Finally Andaluzia: Sevilha

Sevilha é uma cidade caldeirão. Não vi bruxa, mas nem por isso deixei de cozinhar até o âmago. Sem exagero: eram 18h e ainda faziam 42 graus (á sombra). Por conta disso, multidão em peso migrava pro litoral, estilo cena de filme catástrofe (Impacto Profundo, Independence Day, A Era do Gelo). Mas eu sou diferente, eu sou original, não sou seguidora das massas (não votaria na Dilma nem que ela me pagasse bolsa Haagen Das). Portanto, bóra pra Sevilha.
Adoro cidade kinder ovo, do tipo que você resolve descobrir a pé, sem mapa, e logo encontra surpresa dentro. Geralmente funciona assim: achou calçadão, é o centro da cidade! E o calçadão de Sevilha é uma verdadeira loucura, coisa linda de Deus (literalmente). Comporta a maior catedral gótica desse mundo todo, que (segundo as más línguas) tem uma escadaria do tipo "no way".
Contornando a igreja, você dá de cara com Alcázar, que é igual Alhambra (vide post Granada boooom) só que menor e, "in my opinion", mais bonita. Ali pelas redondezas tem um bairro boêmio (glup, glup), e carruagens espalhadas de esquina em esquina, pro caso dalguém querer fazer a Cinderela (bêbada).

Seguindo o calçadão cae-se (e levanta-se) na Avenida Torneo, às margens do Rio Guadalquivir, toda ela turística, com prédios históricos, jardins e "incrusível" a Arena de Touros Maestranza, onde rolam as famosas touradas. Eu, vegetariana que curte bacon que sou, repasso um profético aviso aos toureiros: "certeza que você nasce azeitona na próxima encarnação, que é pra virar petisco e levar palitada no lombo". Uma simples questão de carma.
E a noite? No verão coma suas tapas ("the winner is" queijo brié com creme de framboesa), e vá pro hostel dormir. Zzzzzzzzzz! Os shows de Flamenco são chatinhos, o calor se mantém infernal, e as festas estão todas bué, bué distantes, nas praias.
Próxima parada: Madrid

Foto1: Catedral Gótica / Foto2: Alcázar / Foto3: Rio Guadalquivir

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Granada (booooom)

De volta ao “travel book español in blog”.
Ao contrário do que o nome sugere, Granada (boooom) tem uma história toda “make peace not war”, Woodstock Vibe in (é respirar, e sentir, se é que você me entende).

Imagine você que numa época em que perseguir seres de pensamentos ecléticos – judeus, ciganos, muçulmanos, emos – era moda, Granada sim-pá-ti-ca acolhia geral (“incrusive” testemunhas de Jeová) numa grande e animada comunidade. Invariavelmente o lugar acabou dominado pelos católicos da inquisição, assim como todo o resto da Espanha, pra fins de padronização (vide ISO9001). Mas o que tem de bom pra ver, continua sendo de origem moura ou cigana (tomou?).
É o caso da Alhambra - antigo palácio do Sultão (pai da Jasmine) no pico do morro cercado por jardins/oásis - e do bairro Albaicin. Ah... Albaicin (suspiros). Vilarejo saído do desenho do Alladin, todo ele ruinhas estreitas de paralelepipedos (repita-rápido-3x), com portais e pracinhas de fontes naturais (aonde os hippies das cavernas* vão buscar água nos dias de tomar banho), e casas de chá (de cogumelo) marroquinas de canto em canto. Uma diliça de ver e de comer, tem narguilé e tapas free (slap, slap). De noite, a vista de Alhambra é uma verdadeira loucura, e tem sempre uma guitarra cigana por perto, que é pra realizar o clima.
Apesar da descrição, o sentimento burca não se incorpora. Muito pelo contrário, o lugar é hippie todo, como que saído da Estrela Guia (novela em que a Sandy é hippie, mas depila as axilas). Os *hippies de raiz (oi?) literalmente vivem em cavernas (aprovadas pelo governo) aonde antes se alojavam os ciganos. E os ciganos, além das luxuosas moradias (tsc, tsc), e das tias que ficam pedindo pra ler sua mão (porque o preço do livro tá um abuso), deixaram de herança pra nóis os melhores shows de Flamenco éva.

Eu, que ia passar só 1 noite na cidade, acabei estendendo pra 4, com uma vontade louca de ficar for life. “One day I will”! Meu sonho de consumo é passar o resto da vida abduzida (se é que você me entende) numa rede em Granada (boooooom). Pronto, falei!

Foto1: Alhambra
Foto2: Vista de Alhambra do Albaicin
Foto3: Makuto - best hippie hostel éva.