sexta-feira, 9 de maio de 2014

Travessa do Comércio

Há uns dois posts atrás, eu escrevi que a Praça XV no Rio de Janeiro era aonde tudo acontecia no tempo da família real. Uma região badalada. Devia ser uma vizinhança interessante. Mas é difícil saber, porque o progresso tem esta personalidade destruidora. Vez ou outra, ele fica benevolente, e poupa umas ruelinhas. Que eu costumo chamar de relíquias.

Ali na própria Praça XV tem uma passagem "secreta" pra uma destas. É o Arco do Telles datado de 1730, que faz entrada para a Travessa do Comércio. Um verdadeiro Delorean que leva a gente diretinho pro período colonial: ruelas estreitas apenas para pedestres, paredes assobradadas, luminárias em arcos, arquitetura portuguesa, mini igrejas uma do lado da outra... e personagens lendárias.



Bárbara dos Prazeres, uma portuguesinha serelepe, chegou ao Brasil com 18 anos e aos 20 já tinha matado dois maridos. Porque um é pouco, dois é bom. Resolveu se dedicar ao dom da prostituição e escolheu como ponto o Arco do Telles. Os negócios iam bem, a demanda era vasta, o custo/benefício compensava. Só que o tempo não perdoa, a gravidade derruba tudo, e prostitutas, assim como jogadores de futebol, tem prazo de validade. Bárbara que já não batia bem, não se conformou, e na falta de cirurgiões plásticos, foi a caça de feiticeiros que pudessem lhe trazer de volta a beleza e a juventude. A prescrição dada foi muito simples: sangue fresco de criança morta. A venda nas farmácias e drogarias, só que não. Então que Bárbara virou serial killer de criancinhas. Raptava crianças pobres ou retirava bebês orfãos deixados em frente aos conventos. Ninguém sabe quantas crianças ela matou, nem o que lhe aconteceu depois. Ela simplesmente desapareceu... vush. E a história é tão real, que tem até registros na polícia.

Filosófo do Cais, foi um louquinho destes que andam pelas ruas falando nada com nada, mas que a gente conhece bem por estarem sempre nos mesmos lugares. São praticamente pontos de referência. "Vira ali a esquerda, depois do louquinho". Pois, este louquinho, chamado João Alberto Matias, jurava que era alemão e se intitulava "Barão de Schindler". Andava sempre de fraque verde, descalço, com um cachimbo na boca e um boné alto de penas verdes. Dizem, tinha lutado nas Guerras Napoleônicas. Pode muito bem ser. Fato é que um dia ele surtou de vez e foi levado pro pinel.


Carmem Miranda (deixei esta por último, pro post ter final feliz), a pequena notável, passou parte da adolescência no sobrado número 13 da Travessa do Comércio, aonde sua mãe dirigia uma pensão. Foi ali que ela foi "descoberta". Carmem Miranda, pra quem não sabe, fez carreira internacional com abacaxis na cabeça (praticamente uma zungueira), mas antes disso já era a cantora mais bem paga da cena brasileira, tinha atuado em cinco filmes nacionais e era a estrela principal do Cassino da Urca. Em 1945 também foi considerada a artista mais bem paga de Hollywood. Hoje, na Travessa do Comércio tem um karaokê com o seu nome! Ô, ironia!

Essa na foto não é a Carmem Miranda. É a Rita, que
acho eu, não vai ficar braba de aparecer no meu blog. 

Tudo isso e muito mais passou-se na Travessa do Comércio. Hoje o que acontece são passeios gostosíssimos com direitos a paradas em bares e restaurantes, muita música ao vivo e cervejinha. Tô recomendando.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Escadaria Selarón

Tem que ter muita imaginação, né? Pra pegar uma escadaria pública jogada às traças, e transformar em obra de arte. Só sendo mesmo muito artista. E dos meio loucos.

A meu ver, esse era o caso de Jorge Selarón, um chileno que curtia morar no Brasil a ponto de resolver embelezar a própria vizinhança às custas das suas minguadas finanças. De pouquinho em pouquinho ele foi preenchendo os 250 degraus da Escadaria do Convento de Santa Tereza com azulejos coloridos. Alguns foram pintados por ele mesmo, outros carregados de restos de construção, e outros foram surgindo através de doações nacionais e internacionais. Era o povo do mundo inteiro se encantando com a obra e querendo contribuir. O trabalho durou mais de 20 anos, e só acabou porque Selarón morreu.


Selarón era uma dessas personalidades excêntricas, sabe? Vivia sentado nas escadarias pintando, sem camisa, de barriga de fora, bigodão... a pessoa tem calor na pança, mas não tem no buço, vai entender. Sua marca registrada era a ilustração de uma negra grávida... me lembra Angola. Ah, e ele adourava um vermelho. Em todas as fotos que encontrei nesse mundão da internet, ele estava usando pelo menos uma peça de roupa vermelha.



Não sei se você reparou que todo o texto sobre Selarón está no passado. Isto porque ele morreu. E de um jeito horrível. Foi encontrado uma manhã carbonizado. Onde? Nas escadarias. Ao lado do corpo estavam um galão de substância inflamável e um isqueiro. O povo não sabe se foi assassinato ou suicídio. Aconteceu de, pela mesma época, ele abrir ocorrência na delegacia por estar sendo ameaçado por um ex colaborador. Mas aconteceu também dele declarar em um documentário, que a escadaria só ficaria pronta no dia de sua morte, quando ele próprio passaria a ser parte da obra e se eternizaria.

Vai ficar o mistério e a Escadaria, que hoje é dos principais pontos turísticos urbanos do Rio de Janeiro.

sábado, 3 de maio de 2014

Free walker tours Rio de Janeiro

Você avisa que vai pro Rio de Janeiro e o povo realiza "praia! praia! praia!".
Eu tenho dó de cidade litorânea. Sempre subexplorada pelo turista. Em se tratando da cidade maravilhosa, tem ainda Pão de Açúcar e Corcovado, must see points. Mas eu acho que existe sempre algo mais, principalmente nesta que já foi a capital do Brasil, a única colônia aonde uma família real morou e um rei português foi coroado. Existe História!

Por isso, para a estranheza geral da galera com quem viajei (de verdade!), escolhi fazer um walking tour pelo Centro do Rio, ao invéz de lagartear em Copacabana. E o que eu vi?

Largo da Carioca, aonde tudo começa.

- O prédio da Petrobrás, que já foi considerado dos mais feios do mundo em termos de arquitetura. Eu diria que em termos de corrupção pode muito bem ser.


- Os arcos da Lapa, super aqueduto lançado em 1723 para abastecer a cidade, pertinho da Catedral que por fora parece uma enorme caixa dágua, mas dizem que por dentro é linda. Não sei, estava tomada por manifestantes. Não deu pra visitar.


Escadaria Salaron

- A Cinelândia aonde estão todos os museus + a Biblioteca Nacional e o Teatro Municipal. Tudo fechado pra minha decepção. Feriado santo é sagrado, dizem.

Theatro Municipal


- O Paço Imperial, palácio mixuruca da família real + A Praça XV grudada ao Paço Imperial, aonde tudo de importante acontecia, tipo a Proclamação da Lei Aurea. Ali estão o Convento do Carmo aonde morava Dna. Maria, a louca; a Igreja Nossa Senhora do Carmo, que, se não me engano, foi aonde D. João VI foi coroado; e a Estação das Barcas, que estava fechada para obras.

Sobre a empresa de walking tours:
Preciso fazer este adendo porque fiquei impressionada. As fundadoras da "Free Walker Tours" são uma menininhas de marromenos 22 anos! Sabe o que eu fazia com 22 anos? Não dirigia uma empresa própria de turismo. E é uma empresa mesmo, destas com CNPJ e impostos a pagar. Parece que todas as três já moraram fora, mochilaram pelo mundo e voltando ao Brasil decidiram que faltava resposta à demanda de tours gratuitos (menos tips) por aqui. Néam? Concordo!

A garota loirinha é uma da empresárias de sucesso

terça-feira, 29 de abril de 2014

Ocupação Zuzu Angel

Estilista famosa de renome internacional.
Mãe sofredora de militante político desaparecido.
Uma coisa não orna com a outra, não é mesmo? Não combina. Mas no caos falsamente organizado da ditadura militar, as duas personalidades coexistiram.


Quem assistiu ao filme com a Patrícia Pilar (nem curti) sabe que eu estou falando da Zuzu Angel (apesar da parte da estilista ter ficado bastante ofuscada). Pois bem, a ilustre senhora ganhou Ocupação no Itaú Cultural (ocupou 4 andares e o mês inteiro com eventos relacionados) que vai até 11 de maio aqui em São Paulo. Se cabe a minha opinião, vale a pena visitar.

Alerta de spoiller! Vou contar tudinho!
No térreo, dentro de um nicho escondido atrás de nuvens de acrílico vermelho e transparente, acontece a contextualização aonde podemos acompanhar, através de uma linha do tempo, a situação na vida de Zuzu, em paralelo com a situação política do país e ao hit musical do momento. Que é pra tudo fazer sentido.



No primeiro andar está a exposição da ESTILISTA com modelitos originais envitrinados. Moda atemporal, eu diria. Ou vai ver, me encantei por ser vintage. Não sei, só sei que eu usaria de um tudo. Maxi dresses com estampas floridinhas, de bichinhos, tudo muito colorido, ou rendado, ou bordado a mão. Um capricho e com estilo. Não é a toa que ela vestia estrelas de Hollywood, tipo Joan Crawford. Ali também está a simulação de um ateliê, e o público pode interagir deixando uma mensagem no mural de uma das paredes de mentirinha.

No subsolo está a exposição da MÃE SOFREDORA que escreveu carta pra "Deus e o Mundo" denunciando a tortura e assassinato do filho e pedindo ajuda pra, de alguma forma, localizar seu corpo. É carta pra senador americano, pra presidente, pra jornalista, pra jornaleiro. Pra geral mesmo. Pra torcida do Flamengo. Uma situação desesperadora. Nessa ala encontramos algumas peças da coleção que ela lançou com essa temática, além de vestidos de luto que ela própria usava em protesto. Para o público está aberta a possibilidade de escrever cartas saudosas para quem nunca apareceu. Eu não escrevi, porque achei muito triste. Não é um dom que eu tenho, esse da melancolia.


E pros finalmentes, no sub-subsolo (que deve ter um nome técnico diferente deste) está um mural de parede a parede com uma das últimas estampas criadas por Zuzu não finalizada (supostamente ela foi assassinada em um acidente de carro forjado). A proposta aqui é, cada um dar seu toque: um desenhinho, uma pintura dentro da linha, um poeminha batatinha quando nasce... cada um contribui com o que pode.

Eu tô contribuindo com esse post, vale?
Pra uma biografia completinha da Zuzu, sugiro este texto aqui, ó: "Estilista mineira Zuzu Angel enfrentou os militares em busca do filho."

domingo, 27 de abril de 2014

RUA no Porto

E a noite do Porto? Pessoalmente recomendo um lugar bem legal. Chama-se Rua.
Você tá ai mentalizando a tchurminha reunida na calçada, curtindo um som de carro no úrtimo... um funk light, um lepo-lepo... assim no meio da rua. Mas é nada disso! O RUA é um bar de tapas (paf paf), que fica na Travessa da Cedofeita, uma ruela estreita de paralelepipedos bem tradicional do centro antigo do Porto.

 

Agora vou escrever uma coisa que vai dar a impressão de que tudo isso é um grande jabá: sou amiga dos donos do Rua. Eu fiz a comunicação visual do bar. Mas, te acalma, não é só por isso que eu recomendo.

1. Recomendo porque o ambiente é descontraído e diferente. O bar é fechado, mas quer dar a impressão de que você ainda está passeando pela rua, por isso, o chão é calçamento (tem até sarjetas de mentirinha pra ficar bem realista), nas paredes tem grafites e luminárias estilo aquelas públicas, o menu é baseado no layout de jornais da década de 40 (eu sei, eu que fiz)

2. Recomendo porque o cardápio é maravilha, muito do gourmet. Mas você não disse que era um bar de chineladas tapas? E é, tapas no sentido de petiscos, porque as porções são pequenas. A idéia é provar um pouco de tudo. E acredite, vai dar vontade, porque mesmo o petisquinho mais tradicional tem um quê de diferente. Muitos dos pratos também foram baseados em comidinha de rua. Né? Pra manter o tema.

3. Recomendo pela música, porque o Rua é bar de tapas, mas também é music bar. Tem showzinho quase todo dia, isso quando não tem jam session. Os shows são de estilo variado, mas tem muita músiquinha brasileira, tipo chorinho, bossa nova (de novo, não tô falando de lepo-lepo).

E pra não dizer que aqui não tem jabá, tem um selfie jabá, meu próprio. Que é pra você ver o material que desenvolvi para o bar no início do ano passado.





sexta-feira, 25 de abril de 2014

Ópera no Theatro Municipal

Quando você pensa em ópera, qual a primeira coisa que lhe vêm a cabeça? Julia Roberts em dia da transformação da Xuxa ao lado do Richard Gere? Luciano Pavarotti? Todas as anteriores? É exatamente nisso que eu penso. Em resumo a imagem de ópera da minha cabeça sempre foi: Um espetáculo de dramalhão clássico, cantado e representado por uma minoria rechonchuda e altamente talentosa, destinado à diversão da nobreza.

Well, eu não sou da nobreza, e eu fui à ópera. Aqui no Theatro Municipal de São Paulo. E vos digo, não custa nem um terço de um ingresso prum show da Beonça em tour pelo Brasil. E ninguém mais veste longo de Óscar pra ir à Ópera. Julia Roberts estaria completamente fora de contexto. 


Mas a minha surpresa maior nem foi essa. A grande surpresa foi: A ópera - Falstaff do Giuseppe Verdi - é uma COMÉDIA! E existe? Pois, existe! A gente custa a perceber porque tudo é cantado em italiano em tom de dramalhão, sendo piada ou não, mas é comédia. Dá pra dar risada. E TU-DO-TU-DO é cantado. "Pega ali meu chinelo" é cantado. "Essa coxinha é de ontem" é cantado. "Trim trim" do telefone é cantado. 

Apesar da estranheza inicial, eu curti muito. Principalmente o último ato. Nunca vi tanta gente em cena. A peça é uma adaptação operística de uma obra de Shakespeare, e portanto se passa na Inglaterra, em Windsor. Nessa montagem moderninha tem até punk!


Imagine, uma ópera cheia de punks... tem nada a ver com a imagem que eu tinha na minha cabeça. Nada a ver. Lá se foi a imagem Julia Roberts. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

DIY - Mini projeto de Páscoa

Páscoa é época de renascimento renovação fazer DIY. Yey! Este ano não fui tão elaborada quanto em 2011 (que teve até caixinha em forma de coelho canibal) mas ainda assim, gosti do resultado (quem vai ganhar preferia qualquer coisa da Nestlé, mas a vida é cheia de decepções, não é mesmo?)!


Etapa 1 - Preparando: Com um palitinho, pressione as duas pontas do ovo (uma de cada vez) até furar. É necessário um tiquinho de habilidade e perseverança. Um dos furos tem que ficar imperceptível. O outro tem que ser grande o suficiente pra deixar passar uma balinha. Assopre o furinho pequeninho pra que todo o conteúdo saia rapidinho pelo furo maior. Lave o ovo por dentro e deixe mergulhado em desinfetante culinário por uns minutos. Depois é só deixar secar de cabeça pra baixo e de um dia pro outro.


Etapa 2 - Decorando: Para a pintura, usei tinha guache. Circulei os ovinhos com fita crepe, pintei a parte de cima de uma cor, a de baixo de outra, e depois de retirada a fita, pintei o meio de uma terceira.  Resultado: ovinhos tricolor. É bom pra quem gosta dessas coisas de time. Como a tinta guache sai na água, envernizei com um esmalte transparente (hashtag improviso). Deixei secar de um dia para o outro.


Etapa 3 - Recheando: As balinhas mais minis que encontrei foram os tic-tacs. Duas caixinhas para cada ovinho. Pra fechar, recorri ao celofane. Recortei círculos pequenos de celofane transparente e colei junto as saídas dos ovinhos usando de novo o esmalte (acho que podia ter sido cola também, né?). Pra abrir o ovinho, é só descolar o celofane.


Fim! Como eu disse antes, este ano foi mais simples, não teve caixinha. Mas eu arranjei umas mini bem mini sacolinhas, e carimbei com o "uhu!". FELIZ PÁSCOA!

sábado, 12 de abril de 2014

A lagartixa da Bartira

Eu estou morando em Perdizes, um bairro cheio de subidas e descidas, o desânimo dos pedestres (eu não sou motorizada). Perdizes é como a vida, cheia de altos e baixos.

Pois, imagine que você está num ponto lá em baixo, olha pra ladeira em frente (ui!) e vê uma lagartixa gigante desenhada no meio do asfalto. Surpresaaaaaa! Porque Perdizes é como a vida, sempre aparece uma surpresinha no meio do caminho.


Fui atrás de saber "quem, como, quando?", e descobri que a lagartixa original foi feita em 2012 por um artista auto-denominado TEC. TEC é um hermano argentino que já mora há uns aninhos no Brasil, e gosta de deixar desenhos gigantes espalhados por lugares inusitados. Esse da Bartira já resiste há muito tempo, porque os moradores curtem, e em cada renovação ganha um traço diferente.

Assim TEC, se você tiver meio de bobeira, também tem asfalto aqui na Aimberê.

domingo, 6 de abril de 2014

David Bowie is

Vou confessar pra vocês que, quando ouvi falar desta exposição, intindi nada. Pra mim David Bowie era um cantor pop dos anos 80 que tinha feito um filme pra Sessão da Tarde (Labirinto)... e só. Qual seria o sentido de toda uma exposição-homenagem em vida? Como ficaria Elton Jhon nesse contexto?

Santa ignorância, Batman! Eu simplesmente desconhecia a existência de todo um background bombástico nos anos 70. Porque, veja bem, David Bowie foi o precursor do glam rock, o que quer dizer que ele inspirou Queen, e a produção do Rock Horror Show, (Ney Matogrosso, de certeza) só para citar alguns. 


David Bowie assumiu um caráter completamente andrógino no início dos anos 70, uma mistura de roupas femininas e masculinas + maquiagem + brilho, que conseguia deixar o povo confuso. Até porque, na altura, ele era um ser casado e com filho. Inclusive, apesar de ter se "assumido" gay, hoje em dia ele está casadíssimo com a top model Inman. Parece que foi só golpe de marketing. Porque bom marketeiro ele é, e o maior exemplo disso foi a criação de seu personagem Ziggy Stardust.


Durante o período mais famoso de David Bowie (início da década de 70) ele foi Ziggy Stardust, um extra-terrestre andrógino caído na Terra. Parece tosqueira, mas não é, porque ele representava (compunha e cantava também, claro) loucamente bem. A ponto de ficar ofuscado pelo personagem. Há certa altura ninguém mais queria saber de David Bowie, só de Ziggy Stardust, e ele, cheio de dorgas na cabeça, deu uma enlouquecida com a situação, e cortou laços com o ET repentinamente.   

Na exposição do MIS eu descobri isso tudo. Descobri também que depois de muita rehab, ele virou ícone super pop. Descobri que ele representava, pintava quadros e compunha as próprias músicas (se bem que muitas delas usando um programa chamado Verbasizer que cria letras juntando frases prontas ramdomizadas). Descobri que ele praticamente lançou Alexander Macqueen! Descobri que já tem marromenos umas cinco décadas que ele faz sucesso, e que eu curtia e conhecia uma série de músicas dele, sem saber que eram dele (que eu sou analfabeta musical), tipo "Under Pressure",  "Changes", "The man who sold the world", "Rebel Rebel" e a minha preferida do momento "Space Oddity". Descobri que ele sempre estava a frente do seu tempo. 

O zóio colorido são sequela de uma briguinha de infância.

Pontos negativos da mostra (nem tudo são flores):
1. Ao entrar na exposição, todo mundo recebe um audio-guia. Até aí, normal. Só que nem tanto, porque ele tem um sistema diferenciado - é ativado automaticamente sempre que aproximado de uma faixa diferente. Intaum que você tá lá andando, quando de repente começa a tocar uma música tema daquela parte da exposição na sua cabeça. Genial, não é? Nem tanto... porque, né? Não funciona direito. Devem ser interferências, porque o som ficava sumindo o tempo todo assim sem mais nem menos, mesmo quando eu estava paradinha, tipo brincando de estátua. 
2. As plaquinhas de legendas cronológicas eram mini! Tudo bem que eu sou cegueta, gente, mas oi? Ter que se aproximar de cada placa, quase grudando o zóio pra conseguir entender o que tá escrito, é fora de cogitação. Principalmente numa exposição que anda bem cheinha. Talvez seja por conta da luz, sei lá, sei que perdi muita informação por falta de conseguir enxergar. 

O resto tá ótimo. Uma lindeza só!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Casa das Rosas

É difícil de acreditar, mas acredite: a Avenida Paulista já foi estritamente residencial... calminha e bucólica até... de ouvir o cri-cri do grilinho. Era residencial do tipo elitizada, só palacetes dos barões do café, mas ainda assim, era residencial. E isso a menos de 100 anos. Dona Misao, não fosse japonesa, teria conhecido em vida. Dessa época sobraram pouquíssima evidências, que o progresso foi cruel, mas há quem interessar possa, a Casa das Rosas, no nº 37 está aberta para visitação.


Concebida para ser presente de casamento do Seu Ramos de Azevedo* - o arquiteto dos famosos da época - para a filha (eu não vou aproveitar a oportunidade pra reclamar de não ter ganho nem uma "Casa da Barbie" do meu pai), a Casa das Rosas enquanto residência durou uns 50 anos, até marromenos a década de 80, quando foi vendida a uma mega construtora megalomaníaca. Ói o perigo! Por pouco que o espaço não vira arranha céu envidraçado. A sorte foi que no mesmo período, ela foi tombada (kabum!) como patrimônio nacional. Daí, pra não perder o investimento, a construtora propôs ao Governo manter e restaurar a casa original, e construir um predião no terreno dos fundos. Um puxadinho bem do moderno, eu diria. Seria bizarro, não fosse a Paulista. Até combina.

Intaum que atualmente funciona na Casa das Rosas o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Seu Haroldo foi poeta fundador do construtivismo e tradutor. Por conta da homenagem, além de uma biblioteca, acontecem exposições voltadas a poesia lá dentro. Lá fora, o jardim de rosas, que dá nome à Casa se mantém, e ainda foi instalado um café bem simpático junto a ele. Não esqueçamos dos eventos, que foi pra um desses que fui neste sábado: a feira "Troca tudo sem dinheiro até conselho", que é auto-explicativa. Eu troquei um sapato velho por uma saia mais velha ainda... bem linda! E se você conferir a agenda da Casa, vai ver que aquilo borbulha de cultura em forma de cursos, concertos, palestras e eteceteras.




*O nome Ramos de Azevedo não te lembra nada? Nadinha? Porque, se você for paulista, de certeza já andou num busão Praça Ramos! Exato! Seu Ramos dá nome à Praça Ramos. Só porque ele foi "o cara" que projetou o Teatro Municipal, o Mercado Municipal, a Pinacoteca do Estado... entre outros. Eu disse que era "o cara".

sexta-feira, 28 de março de 2014

Parque Buenos Aires


Nós temos um Parque Buenos Aires aqui no meio de São Paulo. A capital do Brasil não é Buenos Aires. A capital da Argentina é Buenos Aires. Então kadiquê nós temos um Parque Buenos Aires no meio de São Paulo? É pra confundir turista? 


Pergunto porque esse não é um parque qualquer. Ém parque lindeza, estatuado, cheio de verdes, cheio de nichos... Podia ter o nome de qualquer outra capital: Berna (capital da Suiça), Skopje (capital da Macedônia), Ouagadougou (capital de Burkina Faso, que você nem sabia que era um país). Mas foi decidido que seria Buenos Aires, e pra não restar dúvidas, um busto do primeiro ex-presidente argentino Rivadávia foi aplicado bem imponente no local. O que é curioso visto que Rivadávia foi inimigo do Brasil na Guerra Cisplatina (pra decidir quem ficava com o Uruguai). Curioso também porque Rivadávia teve que renunciar quando perdeu a Guerra, e de raivinha decretou que nunca mais voltaria para Buenos Aires. 


Então em muitos sentidos, me parece nada a ver irônico existir um Parque de nome Buenos Aires no meio da Higienópolis, e mais ainda com uma estátua do cabeção do Rivadávia. 
Tia Wikipédia, sempre tão prestativa, não soube me dar explicações, fez tela azul. Só o que ela me disse foi que o espaço, que originalmente tinha um mirante e um telescópio, foi criado pra criar vista para o Vale do Anhangabaú. Isso até a invasão dos prédios gigantes alienígenas, claro. O que eu achei de mais parecido com uma justificativa foi o fato de que houveram imigrantes argentinos se instalando por ali. 

Anyway, não deixe o mistério do nome estragar seu passeio. O Parque Buenos Aires é um espaço verde muito gostoso, bem no meio da cidade. Dá pra fazer cooper, piquenique, passear o cachorro. Inclusive, um dos diferenciais do parque é que ele tem uma área específica para os au-aus (experimenta jogar um gato ali no meio) e outra para bebês (experimenta jogar um gato ali no meio). De vez em quando rolam eventos, exposições artísticas... E se verde em grandes quantidades for cansativo pra você, o shopping Pátio Higienópolis é ali do lado. 


domingo, 23 de março de 2014

Cestinha de ovo assado.

Da série DU-VI-DO-Ô que vai dar certo! Porque tem receita que a gente vê na internet, principalmente dessas gringas com tipinho de capa de revista, que quando a gente testa, vira uma lambança, um fudúncio, fica toda errada. O que era pra ter formato de coração fica parecendo lutador de sumô, e vice-versa. Igual o suco de limão do Chaves, que tem gosto de tamarindo e parece groselha.

Mas esse aqui não é o caso. Essa receita eu vi em um montão de sites até ter coragem de fazer. Parecia boa demais pra ser verdade. Mas é verdade! Fácil, rápida, barata e bonitinha de enfeitar a mesa.


Cestinha de ovo assado

- 1 bandeja de lombinho defumado desses fatiados. Obs: a receita original dizia peito de peru, mas
quando fui comprar, eles eram o dobro do preço, e a metade da espessura (pareciam papel manteiga). então me aventurei no lombinho e deu mais do que certo. Com o peito de peru, é necessário usar duas fatias pra cada cestinha. Com o lombinho, só uma já é suficiente.
- a mesma quantidade de ovos.
- sal

Só isso. A receita leva apenas três ingredientes. Claro que você pode pirar no temperinho do ovo, mas, convenhamos, nem é necessário.

A montagem é feita em forminhas de cupcake. Se não houver, improvisa com uma xícara. Há que untar. A fatia de lombinho é arrumada no fundo da forminha, formando uma cestinha (daí o nome, né?). Uma fatia pra cada forminha. Depois você vai quebrando os ovinhos. Um ovinho pra cada cestinha. Se vazar pras laterais da cestinha, não se desespere, ele pega o formato da forminha e fica direitinho. Uma pitadinha de sal por cima de cada ovinho. E fim! É só levar pro forno e esperar uns 25, 30 minutos. Sucesso!

O canal do Rango no youtube foi o que me inspirou a finalmente testar. Lá tem a receita em vídeo!!!

quinta-feira, 20 de março de 2014

Jazz nos fundos

Sabe Pegadinha do Malandro? Foi marromenos o que eu achei que estava acontecendo quando cheguei na João Moura, 1076, o suposto endereço do "Jazznosfundos". Porque, né? Não tinha bar. Tinha um estacionamento, desses mequetrefes com pedrinhas no chão. A sorte é que eu estava com gente que já conhecia o local... por isso segui. Achando estranho, e seguindo. Passando por um povo suspeito, e seguindo. Entrando no submundo do estacionamento, e seguindo. Jurando que alguém ia roubar meus orgãos, e seguindo. Lá no fundo dava pra ver uma luzinha fosca, uma porta dodgy de lata, e ouvir um sonzinho de música abafado. Chegamos!
Foi como atravessar o portal. De repente estávamos em outro mundo, parecido assim com... Berlim. É, a parte de dentro também era dodgy, mas um dodgy diferente, um dodgy fabricado, um dodgy artistico. 


Deixa eu resumir, o jazz nos fundos é um bar/projeto muito louco! Trata-se de um music bar escondido nos fundos de um estacionamento, decorado com inúmeras intervenções artísticas modernas, mobiliado com sucata, aonde se pode ouvir/assistir jazz ao vivo. Daquele tipo de jazz frenético, aonde parece que cada músico segue uma pauta diferente, mas funciona. Muito bom! Segundo o site, a ideia deles é recriar as origens do jazz, quando ele era música proibida tocada por e para gente proibida em plena época de lei seca americana. Agora tudo é liberado nesse mundão perdido! Então dale ouvir jazz na João Moura. 

Se seu sofá tá mais atraente nessa noite de quinta-feira, não tem mal. O projeto está todo na internet. Os shows são exibidos ao vivo. Só que daí você não vê a atual exposição da galeria de arte, logo na entrada do bar... só lamento! :)  

quarta-feira, 12 de março de 2014

Rota do Chá no Porto


Digamos que você está seguindo o roteiro dos meus dois últimos posts. Digamos que você acabou de passear no Museu, e sentiu uma súbita vontade irresistível de tomar chá (acontece sempre, não é mesmo?). Há como!

Praticamente na quadra de trás do Museu tem um lugarzinho todo alternativo, puxando assim para o indiano, chamado "Rota do Chá". O lugar é meio que escondidinho, fica atrás de uma loja. Ao adentrar a primeira sala, a pessoa tem que apertar o zóinho, porque o ambiente é todo luzes vermelhas, e fica difícil distinguir mesa de cadeira. Quando a vista se acostuma, e a decoração começa a se revelar, parece uma tosqueira só: recortes grudados nas paredes, bonequinhos indis amontoados, tipo slumdog millionaire... Mas é sem querer querendo. É uma bagunça organizada e proposital pra gente entrar no clima indi.

Não pare por aí, continue andando em direção ao jardim. O dia em que eu fui estava chovendo (decepção nível tudo), e eu nem consegui super apreciar, mas pensa num lugarzinho mágico... futtons e coloridos e estátuas orientais e plantas e flores...

Depois entrei no site e me dei conta que existem mais uns dois ambientes que eu não conheci. Oh, well, fica pra próxima. Tem chá de todo tipo, mas também tem comidinhas. Acho que vale a visita, quando vocês estiver por Portugal de saco cheio de bacalhau.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Museu Soares dos Reis


Pertim do Palácio de Cristal do Porto (post anterior) tem um Museu Nacional de Artes relativamente grande, o Soares dos Reis. Esse moço, Soares dos Reis, foi escultor famoso, niqui deduz-se: o museu é todo estátua. Mas nem é, nem tem tanta assim. As que tem são fantásticas, do tipo que parecem que vão fazer "boo" a qualquer momento. Só que além delas, o lugar é cheio de telas, gravuras, ilustrações... todas sobre o norte de Portugal.


Intaum que o nome do Museu é homenagem ao escultor, que nasceu no Porto (em Gaia), e morreu de forma triste: se-suicidou-se.

"Sou cristão, porém, nestas condições, a vida para mim é insuportável. Peço perdão a quem ofendi injustamente, mas não perdôo a quem me fez mal."
Célebres últimas palavras.

Rancoroooooso. Parece que os últimos peitos seios bustos que lhe foram encomendados não foram assim muito muito apreciados, e isso gerou certa frustração na pessoa. Enquanto designer eu entendo. Quando o cliente não curte o layout, a gente xinga muito mentalmente. Mas na era digital, suicídio seria minimamente um exagero.


Falemos também do prédio do Museu, conhecido como Palácio dos Carrancas. O apelido vêm dos primeiros habitantes, os Morais e Castro. Devia ser uma família bunita! O prédio também já funcionou como casa de hóspedes da realeza, e depois foi doado a Santa Casa da Misericórdia, pra virar hospital, mas foi comprada pelo Estado que transformou em Museu. Pelo menos não foi em estádio.

terça-feira, 4 de março de 2014

Palácio de Cristal do Porto


A pessoa tem que explicar que vai falar do Palácio de Cristal do PORTO, porque existem, ou existiram,  vários outros pelo mundo, todos mais ou menos da mesma época (1800 e bolinha), todos seguindo a mesma modinha das feiras e exposições mundiais.
O do Porto, assim como o de Londres, no qual foi baseado, já não existe mais. Foi substituído por um pavilhão modernoso. Sob protestos, devo acrescentar.

Sorte a nossa, que por conta dessas manifestações (não são só 0,20 centavos), os jardins do Palácio ainda existem. E eu considero umas das oitavas maravilhas do mundo. Está na minha lista particular. Que é muito mais legal que a oficial.

Funciona assim: o jardim de entrada é lindão, tem estátuas, árvores, flores da estação... a coleção toda. Mas divertido mesmo é descer as escadas pros miradouros e ir ladeando as laterais do parque, porque aí sim estão os tesouros escondidos: capelinhas, estatuázinhas, escadarias que de tão antigas já estão verde musgo (tô falando de musgo mesmo), e tudo isso com vista pro Douro. Sério, é mágico! Depois também tem o laguinho ao lado do novo pavilhão, e os inúmeros pavões que ficam passeando livremente exibidos, como se não houvesse amanhã.




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Feliz Natal!!!

Zatamente, é com essa cara de pau que volto com o blog depois de dois meses de sumiço! Como se fossem dois dias. Falando do Natal em pleno Carnaval! Mas vá, o layout novo ficou bonitinho, né?

Este ano (2013/2014) passei as festas lá no friozim, em Portugal. Ói, foram anos expatriando, viajando por aí, e sempre fiz questão de voltar pra São Paulo no Natal. Esperar o Papai Noel na casa da vovó. Esse foi o primeiro longe da família. Quer dizer, longe da família nem tanto, que agora, casadinha, a família se estendeu.

E, como foi a experiência? Bem divertida. Bem parecida também. Tirando o mega contraste térmico, de resto é tudo igual: árvore montada, família reunida, ceia farta, troca de presentes a meia noite. Só não tem panetone. Porque tem bolo rei: uma roscona seca recheada de frutas cristalizadas. Falta nela, aquele tchãn, sabe? Mas nem por isso deixei de me acabar. Que Natal taí pra isso.

Próspero Ano Novo pra todos nóis!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mousse de Múcua

Um dos posts mais visitados de todos os tempos aqui no blog se-chama-se Cara de Múcua. Frustração pra muita gente! É que o povo vêm atrás da receita de mousse de múcua, e só o que encontra é uma descrição bem da inútil dessa frutinha exótica.
Então chega, né? De trollar os leitores. Aqui está, para a vossa alegria, A RECEITA.

MOUSSE DE MÚCUA  
Mousse é marromenos tudo igual. Leva creme de leite, leite condensado, gelatina... A diferença do mousse de múcua é quanto a preparação da fruta. Porque a múcua não dá em suco, quando espremida. Múcua parece isopor. Você já viu suco de isopor? Então... 
Foto deste blog
Pra fazer o suco da múcua é necessário ferver essa parte branca aí de dentro dela, que, acho eu, são as sementes. Daí elas vão amolecer. Passando o que resultar disso numa peneira, obtemos um suco bem grosso. Consideremo-lo a polpa da fruta! O resto é receita de mousse.
Ingredientes:
  • 1/3 da polpa de 1 múcua (É...  polpa de múcua rende muito. Com uma polpa é possível fazer 3 receitas. Mas nem me pergunte quanto rende. Deve dar, sei lá, um potão).
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 lata de creme de leite (conhecido lá em Angola como "natas")
  • 1 folha de gelatina sem sabor
  • 3 colheres de água quente
Dissolva a gelatina na água quente. Bata com os demais ingredientes no liquidificador. E leve à geladeira (em Angola, "geleira") pra esfriar e ganhar textura. Cabou! Aff, se todo prato fosse essa praticidade, hein?

Xô contar que, eu nunca fiz mousse de múcua. A receita me foi gentilmente cedida pela querida Benali Santos, que teve o cuidado de me explicar com detalhes como preparar a fruta. É tipo o pograma da Cátia, sabe? A Palmirinha ia lá mostrar a receita, mas a Cátia é que era a apresentadora.

Enjoy! Depois apareçam aqui pra me dizer se ficou bom, tá? E pra me mandar uma foto pra eu ilustrar direito esse post.

Antes que me perguntam, a múcua é o fruto do imbondeiro, árvore balaio de tão normal lá por em Angola.No Brasil, ela é conhecida como baobá.