sábado, 9 de março de 2013

Paulista na Paulista

Quando de férias, eu faço turismo. Não importa se é na minha cidade ou na dos outros, que eu não tenho preconceitos. E São Paulo, cidade supimpa na qual eu acordei pra vida literalmente, é bastante explorável. Dá muito pra filtrar uns walk tours. Que é exatamente o que eu vou fazer, começando pela Avenida Paulista.


A Paulista é a avenida mais business-zenta de São Paulo. Nela estão as sedes dos maiores bancos, escritórios de muitas super empresas, alguns consulados... também tem teatros, museus, galerias ... Ou seja, une o útil ao agradável. Contenta geral. Como se não bastasse, ainda é bonita de olhar. É elegante ela e quem anda nela. Já era assim quando eu era pequena, e tá melhorando com o tempo. Tipo eu!

O meu walk tour começa pela FNAC no número 901. Juro que não é consumismo da minha parte. Inclusive, pra ver o que eu quero mostrar, mal é preciso entrar na loja. A atração é mesmo a entrada, TODA GRAFITADA. O grafite está virando símbolo das ruas de São Paulo. É uma arte que eu pessoalmente respeito, admiro, acho mara. E aparentemente muitos paulistas pensam do mesmo jeito, porque a cidade tá virando uma super tela.



Agora vamos caminhar até o MASP que já é ponto turístico desde 1968. No caminho, bem em frente a FNAC tem a Reserva Cultural com filminhos cult. Andando um pouco mais tem o Teatro Gazeta. E um pouquinho mais à frente tem o Centro Cultural Fiesp, que além de teatro, tem galeria. Quando fui, a mostra era de fotografias de Londres nos anos 60. Pertinente, hum?

O MASP está no número 1578. Talvez eu não devesse escrever isso assim em voz alta, mas a verdade é que... eu não gosto do MASP, a super obra brutalista. Acho chato. Acho quadrado, alto e vermelho. Nada assim tão empolgante. E a coleção de obras? Parece que eu já vi antes em alguns outros lugares, bastante dejavu. Meio mequetrefe. Agora abusei, né? Intaum tá, vamos mudar de assunto.

Na frente do MASP tem o Parque Trianon, pra contrastar o cinza com um pouquinho de verde. É gostoso dar uma passeadinha nele, respirar um ar marromenos puro, antes de ir pra mega-mega-megastore da Livraria Cultura. Livraria é loja, mas é loja que vale a pena, néam?



Ah, já ia me esquecendo. No caminho tem o Palacete Franco de Melo, aonde infelizmente a gente não pode entrar, porque o tombamento ainda está em discussão judicial. Esta casa existe desde 1905, e era mansão da família do mesmo nome. Tem 38 quartos lá dentro! Fazendo figuinha pra que vire museu.


Se depois de andar tudo isso, bater uma fominha, é bastante compreensível. Muito sugiro a Padaria Bella Paulista logo ali na Haddock Lobo. Só de pensar no pão de queijo recheado na chapa, com aquela crostinha dos-Deuses crocante por cima... faço u-huu!



Grafites no túnel do final da paulista.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Tchau Angola!

Então tá, último post sobre Angola, então! Até que se prove o contrário!





quinta-feira, 7 de março de 2013

Restaurantes Preferidos em Luanda

Porque comer é de Deus!


Broadway: O nome não tem muito a ver com o local. A não ser pela cortina vermelha que abre o espetáculo. Oi? A-han, o restaurante fica atrás de uma cortina/tenda de tecido vermelho, que literalmente se apropria da calçada. Então, se vc não se aventura a descobrir o que há lá dentro (dá medinho), fica sem saber desse incrível mundo desconhecido da culinária indiana. Quase Narnia!

Na real, toda a decoração é meio, como explicar sem ofender? Pitoresca! Principalmente em épocas festivas. Rola um abuso de luz, brilho, dourado. Já teve até carruagem da Cinderela em época de "Dia dos Namorados" no meio da calçada! Isso é mais por conta da loja anexa voltada pra gente podre de gosto de rica, a Andy's. Mas a Brodway acompanha a vibe "vamos pesar a mão". Ideal é ir a noite, que é escurinho e choca menos. Dá até pra criar um climinha.

Voltando ao tópico inicial - CO-MI-DA - a Brodway enquanto restaurante indiano, tem pratos baseados em comida indiana grelhados e/ou molhinhos temperados. O meu cardápio (a quem interessar possa) era o seguinte: naan de entrada, palak paneer de prato principal e gajar halwa de sobremesa. Desculpa, isso foi só pra me exibir que eu sei escrever (3 palavras) em outra língua. Naan é um pãozinho achatadinho que, acho eu, é frito com o recheio. Pode ser de alho, de queijo, de alho com queijo... Palak Paneer é um molho de espinafre com queijo cottage, que eu muito vou aprender a fazer, mesmo que na foto ele pareça incomível de tão éca. E Gajar Halwa é tipo um pudim de cenoura ralada com leite condensado. Tô ficando com fome!






Chez Wou: Esse é chinês. Fica na ilha de Luanda. E entra na minha lista de preferidos porque era aonde eu sempre ia cazamiga. Quase uma vez por semana batíamos ponto lá. É que agradava a todas e era baratinho (dentro do baratinho de Angola, néam?). A decoração é tão over quanto a do Broadway, só que chinesa. Recomendo muito o choco grelhado e o macarrão de feijão, que é meio transparente e marronzinho. Tipo minhoca.




Espaço Bahia: Esse foi o primeiro restaurante que conheci em Luanda, e persistiu na lista dos melhores até o fim. A grande vantagem era o ambiente realmente bem decorado (sem sarcasmo) e de frente pro mar. Claro que a comida ajudava e muito, afinal aonde mais se come pizza de camarão com lagosta? Puro amor no meu coração!



Esses foram os que eu conheci logo de cara, e continuei curtindo durante toda a minha estada de quase 4 anos em Angola. Claro que tem muito mais. Uns fecharam, outros mudaram de dono, outros eram caros demais ou ficavam na beira da praia, aonde eu evito de ir, porque meu cabelo fica elétrico. Lá pelo final conheci uns ótimos na região do Talatona, tipo o Brasa, o Bistrô do Bellas Business ou o K...

Licencinha, vou fazer um lanchinho!

As cabrinhas da Samba

Uma história ilustrada.

Era uma vez uma cabrinha chamada Onofre...

... que adorava caldinho de lixo.

Vez em quando, Onofre almoçava na Samba...

...e chamava Gertrudes pra acompanhar.
Fim.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Guardinha de trânsito em Angola


Eu não vou conseguir trocar do assunto Angola por aqui, enquanto não escrever sobre o bicho-papão-trauma-pra-vida-toda dos expatriados: o guardinha de trânsito!

Guardinha de trânsito é chatice em qualquer lugar do mundo. Eles atrasam a vida da gente, fazem blitz, passam multa, não deixam a gente beber e dirigir. Pow! Haja pacença!

Mas em Angola é pior, acredite! Eles vêm com trilha sonora do Psicose.



Costuma funcionar assim: Eles batem ponto aos montes nas esquinas e estradas mais obrigatórias, e miram nos expatriados. Kdiquê? Expatriado se confunde com as regras locais. Então o guardinha, sagaz que só ele, pede os documentos, inventa uma lei imaginária e ameaça passar multa. Só que ele não passa... ah, ele não passa. Porque se ele passar multa, não vai ganhar gasosa (propina). Za-ta-men-te! Tô aqui falando da corrupção nossa-de-cada-dia.

Se o guardinha resolve ser correto (ó, nunca vi acontecer), e realmente precisa te dar uma multa, ele vai ter que apreender a sua carteira de motorista, que só é liberada depois do pagamento. Não tenho conhecimento, mas dizem que as multas angolanas são de arrebentar um bolso. Niqui o povo prefere liberar uns kwanzas pros moços (quem nunca?). Eu sei, eu sei... não é certo!

O processo da propina também é demorado. Nada de vapt-vupt. Leva mais ou menos umas 3 horas de vai e vem e enrolação. Porque o guardinha é especialista em pressão psicológica. Ele some com seus documentos, ameaça te levar pra esquadra (fui algumas vezes), faz cara de mau, te deixa bem de saco-cheio até soltar um “Como é que você pode me ajudar?”. Sim, sim, geralmente a idéia parte dele. E daí é mais uma hora só de negociação. Porque ele sempre vai querer praí uns 100 dólares, enquanto que você só vai liberar uns 20.

Eu tive alguns problemas com os mocinhos, mas logo aprendi a fórmula: demonstrar que tem todo o tempo do mundo, dinheiro nenhum, ser muito educado e sorrir o tempo todo como se não houvesse amanhã. Eles percebem que desse mato não sai coelho, e te deixam ir embora em menos de meia hora.

Agora vou pedir encarecidamente pros amigos compartilharem seus causos de guardinhas aqui nos comentários. Certeza que vai sair muita pérola.

Eu não tenho foto de guardinha.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Coca Cola



Foi da noite para o dia, inúmeros muros aleatórios pintados de um vermelho impecável. Um mapa da África vazado no meio. Um slogan, uma marca. Pros "paranóicos teóricos da conspiração" explico já que não foi ação terrorista. Foi ação publicitária.

A Coca Cola, malandrinha, quis aumentar as vendas a popularidade na África e criou uma adaptação da campanha global "Razões para Acreditar". Niqui ficou "Mil milhões de razões para acreditar em África". Spot na TV, jingle no rádio, anúncios nas revistas. Angola foi ainda o único país a ganhar seu próprio vídeo com artista angolano famoso, o Anselmo Ralph. Tudo pra dar um teor altamente nacionalista. Funciona, né? Taí o "sou brasileiro e não desisto nunca" pra provar (até quem só é patriota em Copa solta uma lagriminha). 
A campanha vinha ainda cheia de ações culturais, concursos onlines... aumentar as vendas com consciência social, néam? Que é tendência. 

Mas, o que mais me impressionou foi mesmo a ação dos muros pintados, porque esses estão no meio das musseques, o tempo todo, no dia-a-dia, virando referência. Esses vão ficar marcados na memória. As crianças vão crescer, visitar a casa dos pais, e lembrar... eu brincava ali perto daquele muro da Coca Cola. 

E pra não dizer que estou toda queridinha, vou fazer uma ressalva crítica quanto a distribuição de mídia. Explico: o vídeo era transmitido nos cinemas, antes dos traillers (naquela hora em que vc procura um controle remoto).  Só que o público do cinema em Luanda é mais expatriado que angolano. Eu diria, sei lá, chutando, uns 60% de expatriados variados. Entendeu? Target* errado. O povo até podia ser nacionalista, mas não exatamente em relação a Angola, néam?

Quando cheguei em Angola, a lata da Coca era assim, ó!
*Hoje escrevi difícil só pra provar que sou mesmo publicitária, tá bão? Para ler mais sobre este case da Coca Cola, clique aqui. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Acordo China e Angola.

Felizes para sempre!


Aconteceu mais ou menos assim:
A guerra civil acabou e Angola se viu meio falida. Pra resolver, pediu dindin prozamigos, mas sabe comé?...Negócios a parte. Foi quando surgiu a queridinha China com uma proposta generosa: "A gente emplesta dindin, e vocês nem plecisam pagar em valor, ne? Pode ser em petlóleo e contlato nas oblas de reconstlução do país, ne?" Nas entrelinhas vinha ainda: "as constluções devem acontecer com as nossas, empresas, nossos funcionários, nossos equipamentos e nossos materiais." Foi assim que tudo começou. 
Tô pra dizer que pra Angola pareceu fácil, porque tanto o petróleo quanto as obras brotavam do chão, niqui as contas não foram bem feitas, e a balança se desequilibrou melhor pro lado da China. Não que eles tenham sido espertos no mau sentido. Foram simplesmente economicamente visionários. Em troca de um x em doleta, ganharam importação de petróleo, exportação de uma série de coisas, e ainda garantiram emprego prum bando de gente (o que é relativo, levando em consideração que estamos falando do país mais populoso deste mundo). Negócio da China, hein?
Então que, enquanto povo mega adaptável, os chineses se multiplicam loucamente por Angola. Literalmente tem caminhão de chineses pelas ruas. A lenda conta (fofoqueira que ela é) que os primeiros trabalhadores eram na verdade condenados. Mas de certeza que hoje eles não são. São homens de negócios, ou pais de família instalados no meio dos bairros que os demais expatriados nem se atrevem a entrar. 
Os chineses parecem ter medo de nada. Principalmente de trabalhar. Viu uma obra funcionando 24 horas viradas, certeza que é de chineses! 
Taí um povo que eu admiro! Outra coisa que eu admiro é yakissoba! Muito admiro!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Prós e contras de expatriar em Angola

Começo a escrever o post sissintindo "utilidade pública". 

Prós: Quem vai pra Angola, geralmente vai convidado por uma empresa. Porque não acontece, né? Da pessoa acordar um dia pensando: Hum... que vontade de ir morar na África Central. Daí, se a empresa convida, também oferece benefícios, numas de te seduzir. Os benefícios são vários e meio inacreditáveis num primeiro momento (eu jurei que era pegadinha do Malandro): alojamento, transporte, parte da alimentação paga, e uma ajuda de custo pros gastos adicionais (tipo cheetos e trakinas). A empresa ainda oferece férias há cada 3 meses (para a maioria dos brasileiros, e há cada 6 meses para a maioria dos portugueses), com passagens pagas de ida e volta. Uma tonelada de prós! Puro amor no meu coração!

Contras: A empresa paga tuuuuuudo isso que é pra ter controle total da sua vida. Ou seja, está pagando caro pelas suas horas e vai querer usufruí-las ao máximo. Em outras palavras, quer sugar sua alma e fabricar um zumbi! Além disso, se eles pagam casa, podem te colocar pra morar numa república possilga cheia de gente pentelha, e (pânico) dividindo quarto. O mesmo se aplica ao transporte. Se eles pagam, podem prover  um único carro para ser dividido entre um batalhão. Niqui, vc pergunta: então porque é que a pessoa não aluga uma casa e anda de ônibus? E eu, humildemente respondo:  Não rola! Luanda está em segundo lugar no hanking de capitais mais caras do mundo. O aluguel de uma casinha mequetrefe chega a 2.000 doletas mensais, que devem ser pagas integralmente conforme o tempo do contrato. Ou seja, alugou por 6 meses, paga os 6 meses adiantado. Tá, e busão, é liberado? Não, e isso foi explicadinho nesse outro post aqui, de vários anos atrás (dá um pulinho lá). Ou seja, se a empresa não oferecesse todos aqueles benefícios, não valeria a pena, monetariamente falando, expatriar em Angola.  

Prós: Expatriado que não tem contas pra pagar, resolve o que fazer com sua ajudinha de custo, e isso muitas vezes é traduzido em gastar a toa. Em viagens, restaurantes, festénhas. Claro que isso é só pros irresponsáveis (eu, eu, eu!). Os responsáveis investem no sonho da casa própria. Então que eu não vou reclamar da vida, porque consumi muita lagosta na beira da praia. Mas também, lagosta em Angola é tão normal quanto hamburguer no McDonalds. E, como vcs sabem (sabem?), viajei bastante, ainda que como mochileira em hostel. 

Contras: Você pode ter uma vida legal fora de casa, mas dentro de casa são outros quinhentos, e nem é pelos hommates melequentos. Acontece que durante as guerras angolanas (da libertação colonial e a civil), a infra-estrutura do país ficou em segundo plano, o que resultou em distribuição de água, luz e saneamento básico podrinhos. Niqui com frequência rola tomar banho de canequinha no escurinho. Imagina passar os dias assim, sem fazer idéia de quando a situação vai mudar. É uó! Em alguns bairros, isso é mais raro. Mas no Centro é o que há de mais frequente. E o esgoto a céu aberto? A lotação de lixo pelas ruas? Melhor mudar de assunto. 

Prós: OS AMIGOS! Em Angola, os amigos viram família, mesmo que sejam de países diferentes. E que saudades tenho de todos! Os amigos são a maior conquista de um expatriado em Angola.

Contras: Que mais? Angola é um país com distribuição de renda super estranha, if you know what I mean. Pobre é muito pobre. Rico é muito rico. Não tem boas escolas, nem sistema de saúde pública decente. Opções de lazer são escassas. Resumem-se em praia e um único shopping chatinho (que eu sou paulista, e pra mim shopping é passeio). Tudo é caro... (mode on véia reclamenta). 




Desse jeito parece que tem muito mais contra que pró, e ainda assim, se alguém perguntasse "quer voltar?", o zóio brilhava. 

Mas agora eu não volto, que eu tô curtindo ficar aqui! 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pôr do sol angolano


Meu último post sobre Angola foi todo ranzinza. Mas refletiu em nada meu estado de espírito, kadiquê o país pra mim, neste momento, é uma coisa só: PURA NOSTALGIA.
Explico: desde final de novembro já não sou Expatriada Desesperada em Angola. O quêeee?
Desculpa aí, não falei nada antes pra, né? Fazer a misteriosa. Poder escrever um ou dois postzinhos a mais sobre este lugar cheinho de histórias mal contadas pra contar.




Niqui neste primeiro post de despedida, vou falar sobre o pôr do sol, que em Angola é 3x mais bonito que em qualquer outro lugar do mundo. (Quer dizer, essa não é uma afirmação verossímil, porque eu não conheço o mundo todo. É mais bonito que em todo o resto do mundo do qual tenho conhecimento.)
Anyway, o sol do pôr do sol de Angola é uma super bola enorme laranja brilhante, pra qual inacreditavelmente se pode olhar diretamente, sem ter que fazer olhinho de chinês.
E isso não é fruto da minha imaginação cheia de saudades. Pode perguntar pra qualquer outro expatriado desesperado em Angola.

Foto by Malu Claúdio

sábado, 19 de janeiro de 2013

Feliz Natal!


Expatriado brasileiro feliz é aquele com passagem na mão em dezembro, né não? Passar o Natal suando do lado da árvore enfeitada com neve artificial é a essência do nosso espírito natalino (fazendo coração com a mão).

Mas se você for expatriado brasileiro em Angola, até chegar na fase do "ho-ho-ho" é uma verdadeira odisséia. Explico: só existe uma companhia aérea que faz a linha Angola-Brasil com ponto final em São Paulo ou Rio de Janeiro, a TAAG (tá aqui, agora guenta). De modo que ela lota no final do ano, néam? Que Angola é quase Miami de tanto brasileiro.

Empresa esperta começa a comprar as passagens dos seus expats a partir de junho/julho, porque senão periga ter que iniciar as férias coletivas no meio de setembro. Mas não basta comprar as passagens (mesmo que à vista), tem que reconfirmar e reconfirmar e reconfirmar a reserva até a data prevista. E ainda assim fica um medinho pairando no ar. Isso porque é "prático, normal" um ministro, general ou outro ser ryco qualquer comprar em cima da hora, e por debaixo dos panos, a SUA passagem. Aquela pela qual você anseia com tanto amor. É por isso que, mesmo quem viaja as 18h, acampa no aeroporto as 6h. Para garantir, através do check in, que ninguém desvia sua vaguinha da classe econômica.

E quem perde a vez, como faz? Existem rotas alternativas, só que com escalas e consequentemente várias horas de viagem a mais. Dá pra chegar no Brasil parando em Lisboa, via TAP; parando na África do Sul, via South Africa Arways; parando em Dubai, via Emirates. (E essa é a história de como eu optimizei meu tempo, e conheci alguns dos países citados) :).

Por fim, escrevi tudo tudo isso só pra dizer: Feliz Natal (atrasadim) procêis!


domingo, 25 de novembro de 2012

Choco

Só choco. Sem late. Conhece?


Eu conheci quando vim pra Angola, e foi amor à primeira mordida. Explico: choco (sem late) é fruto do mar. Sendo fruto enquanto bixo, já que essa expressão se refere a bixo e não fruta.
Choco é tipo lula e polvo, mas é nem um nem outro. É primo direto da família dos cefalópodes, e assim como os parentes tem 8 tentáculos.
E o sabor? Tem gosto de que? Deixa ver se me faço entender: tem gosto de bife de polvo, se bife de polvo existisse, só que melhor. Captou?



sábado, 24 de novembro de 2012

Rainha Ginga

Angola não tem Princesa Diana, Rainha Elizabeth, Duquesa Kate Midletown.

Mas tem Rainha Ginga. Serve?


Ilustra by Sebalopdel

Conta a lenda que a Ginga, cujo nome verdadeiro era Nzinga (ficadica pra nome de rebenta), não se dava muito bem com o maninho, Ngola. Quando quiança, era aquela gritaria: Manhêeee, o Ngola puxou meu cabelo. Manhêeee, o Ngola quebrou minha Barbie. Ngola, o maninho pentelho, era júnior, levava o mesmo nome do pai, niqui conclui-se: herdeiro do trono.

Tá acompanhando?

O rei morreu resistindo à ocupação portuguesa, e deixou o pepino-poblema na mão do Ngola Jr. Ngola Jr., que era banana-covardão, mandou a irmã no seu lugar, pra dar uma de diplomata e entrar em acordo com os tugas. Não antes de matar o póprio sobrinho, que sucederia ao trono no caso da sua morte. Família puro amor (coração com a mão)!

Nzinga, toda ela ginga, jogo de cintura e simpatia, trocou uma idéia com os tugas (instalados lá em Luanda) e encantou geral. Fez acordo e se converteu ao catolicismo, digitransformando em Dona Ana de Souza (nome-de-pobre). Depois dessa, voltou pra junto do irmão sissintindo. E já que tava podendo, mandou envenenar o pentelho, e virou rainha absoluta. Po-de-ro-sa, abso-lu-ta!

Quer dizer, marromenos, que os tugas não reconheceram a nomeação, e voltaram com as tentativas de conquistar esse pedaço de terra. Foi aí que ela, na TPM, deu chilique e virou guerreira. Juntou uma coleção de povos vizinhos em reunião de condomínio, e convenceu geral a resistir ao domínio colonial.

De guerrinha em guerrinha, ela teve algumas irmãs seqüestradas, e mesmo sendo mulé teimosa, vez em quando tinha que negociar a devolução das mais quiridas. Num desses acordos, estabeleceu uma paz assim relativamente pacífica, e se aposentou do cargo de rainha guerreira. Morreu com 82 aninhos lavando a dentadura.

Mintira, essa última parte eu inventei.

Assim, num tá bem contada essa história. Ninguém sabe direitinho o que aconteceu. Mas eu curti a minha versão. E vc?

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Eu na Caras!

Desculpaí, mas agora eu só falo com quem já saiu na Caras.


Oportunidade única, e eu resolvo fazer cara de Bozo.
O presidente celebridade na capa. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Nova Marginal


Eu vou ser clichê e fazer post sobre a nova marginal de Luanda como todo blogueiro angolano? Siiiiim! Eu vou trocar esse post por um abacaxi? Nãaaaao! Sílvio Santos feelings.

Desde que eu cheguei em Luanda (e muito antes disso também), a cidade era um grande canteiro de obras (mais clichê do que isso eu não consigo). Construção e reconstrução pra todo lado. A maioria como parte de plano governamental. Pessoalmente simpatizo com o projeto Vias de Luanda, que tá espalhado por tudo quanto é bairro, e não prevê só jogar piche asfalto nas ruinhas, mas também criar toda uma infra-estrutura por baixo delas. Rede de água, esgoto, cabeamentos, tudo junto e misturado.

Não sei se a nova Marginal fez parte do projecto. Só sei que, nóssinhora, ficou bu-ni-ta! A avenida marginal, que na verdade se chama 4 de Fevereiro, é basicamente a beira mar de Luanda. E vinha desde a Guerra Civil se acabando nas dorgas. Completamente jogada as traças. Depois de 30 meses de obras, que incluíram viadutos, novas vias e eteceteras, ficou feito nova. Parece hora de morfar de Pokémon. Tem calçadão, calçadinha, ciclovia, quadras mil e até ponte decorativa-decorada com luz neon. Eu tô criando coragem pra ir lá fazer caminhada gritando “Arrastão! Arrastão!”.  Conheço expatriado que faz e sobrevive curte.
Fotos pra quem não acredita quando eu elogio:





quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Zaire, a província

Por motivos profissionais estou ficando amiga-íntima da história do Zaire, a província de Angola vizinha da República do Congo (o país). E, ói, tem muito causo interessante. Eu acho e a Unesco também. Por isso tem projecto pra tombar (scataplaf) M’Banza Congo, a capital, como patrimônio cultural da humanidade.


M’Banza pronuncia-se Umbanza. É bom vc aprender, porque, né? Vai usar muito na vida.


Naquela região antigamente funcionava o Reino do Congo! Tipo a Roma Antiga só que da África Central. Ou seja, OS CARAS! M’Banza Congo era o centro nervoso do império todo, era de lá que saiam as ordens. Depois que os portugueses chegaram, mudaram o nome da cidade pra São Salvador do Congo, e fizeram geral se converter pro catolicismo, que era modinha. E quem não queria batizado? Morria, né? Que a Igreja Católica era pura piedade!

Foi assim com a mãe do rei. Ela tava dodói e recorreu aos curandeiros. Pecado mortal! O rei, que por lei, tinha que mandar matar a mãe, resolveu ser brincalhão. Fez uma festinha em sua homenagem, e debaixo da cadeira dela preparou um mega buracão-armadilha. Surpresa! A pobrezinha sentou, caiu lá embaixão (scataplum), e foi enterrada ali mesmo, viva. Pra provar que humor negro já existe há bué de tempo.

Não, gentem, óbvio que não achei graça!


Então que o povo tinha medo do catolicismo, porque matava. E também porque a Igreja principal, Kulumbimbi, surgiu do-nada-do-dia-pra-noite. Diz a lenda, né? O que aconteceu de verdade foi que, enquanto ela era construída, taparam a área com, sei lá, lona laranja (isso em 1491), e ninguém viu até a inauguração. Hoje a igreja é pura ruína, tipo a casa muito engraçada que não tinha teto, não tinha nada. Mas, de novo a lenda falando, contam que nunca-nunca chove dentro dela. Nunca!

E tem também a árvore da força (may the force be with you), Yala Nkwo que é centenária, da idade do Obi-Wan Kenobi e tem seiva vermelha. O povo jura que é sangue! Era sob ela que o rei executava as sentenças. Se sangra não sei, mas de certeza que é assombrada. Taí lugarzinho bom pra fazer ghost walk tour.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ACESSORIZESSE!


Declaro que conheci quase todos meus BFFs no ambiente de trabalho. Mas eu também trabalho... entre outras coisas. Foi assim com Carol, Zana, com o Flávio, eteceteras.
Mas eu tô aqui pra falar da Lilian Marcelino, que foi a primeira pessoa que conheci em São Ludgero (lucky me). Trabalhavamos juntas no jornal local, a Folha do Vale. Ela como jornaleira jornalista, eu como diagramadora-designer-faz-tudo.

Hoje a Lilia é assessora de imprensa lá em Ribeirão Preto, e dona do blog de moda ACESSORIZESSE! (assim chique com exclamação no final). Recentemente ela me pediu uma ilustra pra servir de cabeçalho pro blog, e voíla.

Os doodles não são meus. Peguei lá no shutterstock.


Neste momento, ela está sendo usada lá na página do blog no FB, mas Lilia me garantiu que gostou (pq, né? Ela é simpática) e vai colocar no blog assim que a transformação total da Xuxa estiver pronta pro público. Eu não me aguentei, e vim logo fazer fofoca.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Mais uma de Argentino: San Luís

Meu pai também é cigano feito eu (ou vice-versa), e do tipo católico. Só mora em cidade com nome de santo: São Paulo, Curitiba (fail), São Ludgero, San Luís, San José. Destas todas só não falei de San Luís pra vcs. Mas, não seja por isso. Falo já-agora.


San Luís fica no centro-oeste da Argentina, vizinha da cordilheira dos Andes. Neva no inverno, faz um calor absurdo no verão, mas a paisagem é sempre a mesma: os picos branquinhos. Cena de postal cafona de Natal. Mesmo lindo! Eu nunca vi neve, daonde conclui-se que nunca estive lá na época de frio, mas passei algumas temporadas derretendo na quentura.

 

Na primeira, papai não tinha casa porque ainda estava avaliando as possibilidades, e ficamos hospedados no hotel dos venados (dois bambis). Hotelzinho muito legal, com piscina e bañero... ai, ai... bañero. Me lembro que a cidade fechava toda pra fazer a siesta. Anoitecia muito tarde e os restaurantes abriam a partir das 22h da noite. O povoado tinha um único shopping, afastado de tudo. Meu pai perdia o salário todo de um mês no cassino.

Cassino, vc entra com os dois rins...
Hotel Dos Venados

Da última vez que fui, de 2008 pra 2009, a cidade já tinha crescido bastante, estava uma mocinha. Mas não perdeu o charme de vilinha interiorana.
Um passeio que o povo gosta de fazer por lá, é acampar ou piquenicar em Potrero de los Funes, uma área de campo com rios e cachoeiras (lê-se mosquitos).
O povo nota 10, nem parece argentino.

Estação Ferrocarril

*bañero em argentino é salva-vidas. Tava achando que eu passei a viagem toda desarranjada, né?