terça-feira, 16 de outubro de 2012

Blumenau

Este post tinha mesmo que ser escrito em outubro (todos os meus movimentos são friamente calculados), kadiquê em outubro tem? Dia das quiança? Dos teachers? Aniversário da hermana (desculpa eu)? Do Eminen?


Não, Oktoberfest.

Eu tô falando da Oktober que acontece todo ano em Blumenau (tem também em Munique), aquela cidadezinha linda de colonização alemã do interior de Santa Catarina. Outra coisa que acontece todo ano em Blumenau é enchente, né? Inclusive a Oktober começou justamente depois de uma enchente catastrófica-do-mal, como forma de levantar a moral do povo (uhu, cerveja!) e dar aquela turbinada na economia.Tanto funcionou que a festa cresce, cresce, cresce. Tem Fritz, tem Frida, desfiles, pavilhões e muito chopp. Ano passado foram cerca de 564.000 turistas.


Só não impediu de continuar tendo enchente no Rio Itajaí-Açu. Antes tivesse pelo menos impedido os resultados. Estou falando isso porque em 2008 eu morava em Blumenau quando aconteceu a maior enchente de todos os tempos. Não foi bolinho!

Eu morava no topo da rua, o que geralmente não é bom porque, né? Subir ladeira. Mas nesse caso foi o MUST, que a casa ficou isolada feito ilha, mas não alagou. O resto da cidade em compensação ficou destruída, parecendo EUA na cena da onda do Impacto Profundo. 135 mortes, 5.617 desabrigados alguns deles amigos meus (os desabrigados, tá?).
Foi praticamente test drive pra morar em Angola, tendo em vista que ficamos marromenos uma semana sem água, e vários dias sem luz. Exercitando o banhinho de caneca. E eu aqui fazendo piada com a desgraça alheia...



Assim até parece que morar em Blumenau foi um fiasco. Mas não foi, foram cerca de 6 meses de pura felicidade, morando na república mais mara ever! Fui embora triste, mas feliz, pra encarar o que seria a maior aventura da minha vida, e eu nem sabia.

Então, recapitulando, foi São Paulo, Curitiba, São Ludgero, Florianópolis, depois Blumenau, e por fim Luanda. Isso é apenas o começo!!! Te prepara, mundo!!!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Batata Flambada no Chopp do Gus

Voltei pra falar de batata, porque batata é o combustível da vida.


Lá em Curitiba, eu falei do Beto, o Batata. Em Florianópolis, vou falar do Gus, do Chopp do Gus. Mas você não ia falar de batata? Exprico: no Gus tem “batata flambada aos quatro queijos”. Nóssinhora!


O Chopp do Gus é um boteco no Corrégo Grande (que é um bairro, não um riozinho), especializado em showzinhos de rock, decorado com discos de vinil e móveis rústicos, e que tem no cardápio uma variedade de comidas flambadas. Batata, aipim, mignon (com gorgonzola), picanha (com cheddar), você escolhe o ingrediente principal, e vem um mocinho de maçarico na mão, pra derreter o queijo que vai por cima. A mágica acontece na sua frente!

Comemorei aniversário e despedida lá, fui algumas vezes com o povo da ID (tô fazendo coração com a mão)... tudo era desculpa pra se acabar na batata!


Óbvio que Floripa tem um montão de outras coisas legais pra oferecer em termos de comidinha, mas eu fiz a minha escolha, e é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Auto Retrato

Pro meu aniversário, preparei minha pópria arte!




Sissinti nessa foto


Azamadas!


Parabéns para mim!!!


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Florianópolis para moradores

Depois de marromenos 3 anos morando no interior, me mudei pra capitar (porta, porteira, portão): Florianópolis. Que todo mundo chama de Floripa, porque Flo-ri-a-nó-po-lis tem muita sílaba.

Florianópolis é cidade pra fazer férias, mas eu fui pra trabalhar (numa agência de publicidade fo-do-na). E o povo gosta de fazer férias por conta das praias, várias delas, uma mais paradisíaca que a outra. Mas eu, como o leitor sabe (sabe?), não curto praia. Tenho fanico com areia pinicando no biquini. De modo que esse não vai ser um post pra ouvir com pout-pourri dos Beach Boys.


Pedras de Coqueiros, diz a lenda que é tudo bruxa petrificada.

Floripa é ilha, mas também tem uma parte no continente. O bairro mais legal em terra é Coqueiros, cadiquê é beira-mar. Alôca, acabou de dizer que não gosta de praia! Vamos esclarecer: Eu não gosto de entrar na praia, mas curto olhar o mar de longe, de onde ele não pode me pegar. Essa área tem muitos mirantes, alguns deles no meio das pedras. Bem romântico pros casalitos.


Mas legal mesmo de verdade é a ilha. A descida da ponte que faz ligação com o continente é paisagem de tirar o fôlego. Melhor welcome éva. Até hoje me emociono. A avenida beira-mar, outro abuso! Conjunção perfeita entre obra dozómi e da natureza. É, de Floripa só dá pra falar assim, com muito elogio.

Eu morava na Trindade, bairro da Universidade Federal, antro de república de estudantes. Eu fazia parte de uma. Foi minha iniciação nessa vida de dividir apartamento. A Trindade é bairro completo, tudo pertinho, não é necessário sair dele pra nada. Mas eu saía. Saía muito pra ir à Lagoa da Conceição.


Beira-Mar

Funciona assim: antes mesmo de chegar na Lagoa per se, existe uma região que é só botecos temáticos ou não, de todos os tipos, cores e sabores. No verão é inferninho de turista e adolescente, ou turista-adolescente (me-do-pro-fun-do!). Por isso que eu, enquanto anti-social, só ia fora de temporada (menos quando tinha vento sule). A maioria dos barzinhos é movido a base de música ao vivo, coisa que eu adouro!

Acabou o inferninho, há que descer a serra – desfiladeiro. Turista pára pra tirar foto no mirante. Eu, descia embalada - ha! (Mintirinha, mãe.) É bonito, mas dá vertige. No final deste percurso aporta-se na Avenida das Rendeiras... toda beira-mar, toda ela restaurantezinhos e camarões. Intaum que eu óbvio parei de comer carne nessa época, néam?


Avenida das Rendeiras

Eu aqui não vou falar de Jurerê e esses pontos tutz-tutz. Vou falar de Santo Antônio de Lisboa, que é história! Como o nome diz logo, o bairro é de origem portuguesa, com igrejinha da época colonial, e várias casinhas originais. A beira-mar é bonita, mas bonito mesmo é sentar num barzinho por ali e se acabar nas ostras. Tem muita criação na região.


Santo António de Lisboa

E é tudo o que eu tenho pra dizer hoje, tá bão?

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Tubarão, Termas do Gravatal, Braço do Norte

A cidade “grande” mais próxima de São Ludgero é (tun-tun-tun-tun) Tubarão. Ou seja, pra pegar um cineminha ou comer bigMac do Bob’s (Luanda feelings), há que se viajar uns 40 minutos em estradinha. Eu sempre achei que Tubarão (tun-tun-tun-tun) era cidade pequena com feiurinhas de cidade grande. Em outras palavras, nunca simpatizei.



Em compensação neste trajeto está Termas do Gravatal, um cantinho difícil de não gostar. Termas do Gravatal faz parte da cidade de (ganha um doce quem adivinhar) Gravatal. E se diferencia por ter (ôto doce) águas termais. Niqui é região turística.

Tem uma porção de hotéis, chalés, cabanas, tudo alimentado pelas águas quentinhas que saem da fonte a 37º. Tem parque aquático com tobogã altão. Tem restaurante italiano de qualidade. Tem café simpático pra sentar e conversar (o Café com Arte). Tem comércio de artesanato, roupinhas e eteceteras (que fecha aos domingos e feriados). Tem a única balada que reúne os adolescentes das cidades todas (a Recanto). E tem muita, mas muita excursão da terceira idade. Dá pra não curtir?




Neste caminho entre São Ludgero e (tun-tun-tun-tun) Tubarão, tem também Braço do Norte. Capital das molduras, dizem. Não tem como ser mais chato que isso. Só tem lá certa graça dentro da minha cabeça, uma vez que, tendo trabalhado no Jornal e na Gráfica local, o que não falta são lembranças.
E é por ter trabalhado aí, que hoje estou aqui, mas isso é assunto pra outro post.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Já ouviu falar em São Ludgero? Não? Normal...

São Ludgero é um santo alemão. É também uma cidade de Santa Catarina, da qual, ingual o santo, ninguém nunca ouviu falar. Antes de existir o Google Maps, não dava nem pra encontrar no Atlas. Área total de 120 km2. Muito mini. E eu morei nela.



Foi mais ou menos em 2003. Meu bolso tava tão furado, que eu mal conseguia pagar o mínimo da prestação da C&A (I know that you know the feeling ). Engoli o orgulho (azediiim), e decidi que era boa idéia voltar pra casa de mamãe-papai. Que, por sua vez, estavam de mudança pra São Ludgero.

A mini-cidade é toda de colonização alemã, niqui o povo é alto, loiro e de bochecha rosada. Todo mundo se conhece. TODO MUNDO. Por nome e sobrenome. São 10.000 habitantes que se conhecem ao vivo. Pessoalmente não me agrada a sensação.
Dá pra conhecer São Ludgero toda em, sei lá, 20 minutos. E é simpática, bonitinha, toda limpinha, aconchegante. Tem igreja, cemitério, acadimia, escola de inglês (hermana era teacher), quitanda, farmácia... e na-da-pra-fa-zer. A não ser que você curta um bailão de vanerão no salão paroquial.
Olha, eu curtia (nem ligo que vc tá dando risada), principalmente na festa do Padroeiro da cidade, que era MEGA evento de 3 dias no mês de maio. Bingo, leilão de gado (papai pirava), parque de diversões, jantar tradicional com salsichão, gemüse*, muito chopp, e craro, o bailão em si.



Super ponto positivo: São Ludgero está em lugar estratégico. Tem de um lado a serra gaúcha pra fazer turismo no inverno geladão, e do outro as praias catarinenses que o povo adoura no verão. Laguna é a mais próxima. Tudo isso há menos de duas horinhas de carro, tá?


E tem também o sítio do papai que é lugar iluminadim-di-Deus!

* Gemüse que o povo de São Ludgero chama de guimis é um purê de batata com repolho, couve e um baconzinho. Táqui a receita.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Beto Batata e o Museu do Olho

Da última vez que fui pra Curitiba, conheci um ponto turístico que, pasmem, eu não conhecia: o Museu do Olho do Niemeyer. Não, não, o nome do museu não é esse, é “Museu Oscar Niemeyer”. Quem projetou foi o póprio, e tem formato de olho. Tá bão? Muito legal, passeio pra tarde toda, com mostras permanentes de artistas de renome.


Mas eu vim falar de um negócio muito mais importante.
Eu vim falar do Beto Batata. [Salivando]. Levanta a mão quem já comeu batata suíça (ou rostie). Crocante por fora, derretéeendo por dentro. Tá em dúvida? Confere aí a foto.


Batata Suíça é dessas comidas que não deviam vir em prato. Deviam vir em altar.

Quando cheguei em Curitiba era novidade. Veja bem, nem em São Paulo existia. Queeeeê?
Até onde sei, o Beto Batata* foi o importador da idéia, e tinha um restaurantezinho mega aconchegante no Alto da XV. Depois ele começou a entregar em casa (lembrança deu na cama de pijama com um batatão no colo). Depois outros lugares começaram a copiar, e hoje em dia, ele já tem franquias nos shoppings. Merece, gente! Pra mim o Beto Batata é 3x mais importante que o Bill Gates, e podia ser presidente do Brasil.
*Beto Batata é o nome do restaurante e não do dono do restaurante, mas eu nem ligo.


E garotinhos? Já comeu? No Beto Batata tem também! Fotos deste blog e deste blog que também tem receita.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Walk Tour em Curitiba

Quem acompanha o blog (alguém? alguém?) sabe que não sou de ficar falando da vida pessoal. Solto aí dicas de viagens, curiosidades sobre Angola, que é pra isso que ele serve. Mas hoje eu vou dizer que do mês passado pra cá, aconteceram umas coisas que me deixaram meio baralhada, assim, sem saber das cenas dos próximos capítulos da minha pórpia vida. E eu só to escrevendo tudo isso que é pra dar uma explicação do sumiço geral. A quem interessar possa.
Sem mais aclarações, voltemos ao tema anterior: Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim...

Eu tava falando de Curitiba, aquela cidadezim lindi-Deus, que tinha mania de ser européia, e eu bem achava que era (antes de conhecer um pouco dazoropa – há). Fui lá que eu virei gente. Fiz faculdade, arrumei o primeiro emprego, fui morar sozinha pela primeira vez, tive o primeiro namorado (e tudo que ele trouxe no pacote-há).

Deixa, né? Que tem um gordinho de amarelo na foto.

Como ex-moradora central, posso falar que Curitiba é cidade boa pra walk tour. E o meu começa no Largo da Ordem que é onde tem o Relógio das Flores e o Chafariz da Cabeça do Cavalo (esse nome fui eu quem dei, por falta do oficial). O Largo da Ordem é... um largo, com igreja (a da Ordem), rodeado de galeriazitas de arte e artesanato, e pontuado pelo Memorial de Curitiba, que é um prédio moderninho com um terraço lá no alto que faz uma vista mara. De domingo rola a Feirinha do Largo, que de inha só tem o nome, porque é uma baita duma feirona de artesanato, comidinhas e afins. Segundo o tio Google acabou de me contar, é a segunda maior do país.


O pedestre já olhou a feirinha toda, faz o que agora? Desce pra Praça Tiradentes, aonde tem a Catedral Metropolitana de Curitiba. Tem várias formas de ir para lá, mas eu recomendo que seja pela galeria subterrânea da Travessa Nestor de Castro, kadiquê é o único lugar do mundo aonde eu já vi ter centro de RPG (aquele joguinho em que os nerds imitam o Frodo). Quer dizer, não sei se ainda há. Veja bem que as minhas lembranças são de final dos anos 90 / início de 2000.


Saiu da Terra Média, caiu na Tiradentes, dá uma olhada em volta, entra na Catedral, pega o ônibus de turismo, se quiser (é a primeira parada). Seguindo em frente à catedral, no final da Praça, à direita, há um mercado de flores bem fofo. Recomendo o passeio, até porque quando acaba o mercadinho, o pedestre chega na Praça General Marques, que é aonde fica o Museu Paranaense.


Mercado das Flores


Praça General Marques
 
Vamos pro calçadão? Onde tem calçadão tem alma da cidade, né não? Descendo a primeira rua à direita, cai-se na XV de Novembro, ou Rua das Flores, tradicional rua de comércio curitibano. A essa altura, o pedreste só vai ver lojas populares, do tipo “quer pagar quanto?”. Mas continuando o passeio, à direita, a aura muda. Cafézinhos e banquinhos espalhados, o bondinho, o Palácio Avenida, tradicional pelo coral de Natal (al, al, al) do HSBC (ahan, é o prédio da propaganda), jardineiras floridas (daí o nome). Cuidado que nessa região costuma ter um daqueles palhaços sombra. Vejo graça nenhuma. Palhaço é muito bicho do mau.

Pouco depois do bondinho e antes da Praça Osório, está a Boca Maldita, região que recebe o nome da confraria de pensadores de mesmo nome. O sea, é lugar pra intelectual sentar, ler a Gazeta do Povo e discutir as fofocas. Em seguida vem a Praça Osório. Ah gente, adouro a Praça Osório, principalmente em julho, que é quando tem a feirinha de inverno. Duas palavras pra você: vinho quente. Curitibano toma vinho quente com gemada, comendo pinhão. Ô saudades!

Quem se interessar por um walk tour mais completo, tem esse aqui, escrito pelo Frávio, o mocinho que promoveu o Curitagram. Orgulhinho de ser amiga desse Frávio aí. Ó, e segundo ele mesmo, tem que esconder o dinheiro na meia pra fazer esse passeio, porque a cidade tá despoliciada. Pronto, perdeu o charme.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A primeira vez, a gente nunca esquece.

E eu nem tô falando de sacanagem.

A primeira mudança da minha vida foi de São Paulo à Curitiba. Fui arrastada, óbvio, no auge dos meus 15 anos. Eu era puro drama e hormônio. Nada muito diferente de hoje.
Me lembro que o começo foi uó. Fazia muito frio, eu não queria sair do quarto, e sofri bullyng na escola. Só porque eu usava calça semi-bag com lingüeta de tênis branco de fora. A-han... muito mereci!

Mas a questão não é essa. A questão é que em Curitiba eu era moradora-turista (qdo ainda não era modinha), por conta da parentada que vinha visitar, e queria sair fazendo tour. Nessas horas, era pegar a jardineira e parar nos principais pontos. A listar:

Jardim Botânico
Bosque Alemão
Ópera de Arame

Jardim Botânico Rio de Janeiro, CEP 22.470: Flores e flores. É bom de deitar na grama, lagartear e tirar fotos Instagram.

Ópera de Arame: Tem a estrutura parecida com a da estufa do Jardim Botânico, o sea, dá pra ver a calcinha das mina que vão de saia. Isso por que o chão é de ferro e furadinho. Pra chegar no auditório, a gente passa por cima do laguinho cheio de carpas coloridas. Eu sempre acho que o chão vai desaparecer, e eu vou cair. Na cafeteria, tinha (há, sei lá, 8 anos atrás) o melhor chocolate quente éva. Talvez ainda haja. Minha colação de grau da facul foi ali.

Parque Barigui: É só um parque pra fazer caminhada, parar e tomar um chopénho. Era paisagem do busão no caminho pra facul. E no inverno, parecia cena européia, com a geada sobre a grama e as ovelhinhas pastando.

Bosque Alemão: Vez em quando eu passava lá só pra comer struddel, mas a trilha também é fofa, e conta a história de João e Maria.

Esses eram os meus preferidos entre tantos outros, a citar: Parque Tanguá, Tingui, Universidade do Meio Ambiente, blá blá blá wiskas sache.


Sem contar os passeios que não são turísticos, tipo surfar na dobra do biarticulado u-hu!! Próximo post: mais Curitiba pra vc.

sábado, 30 de junho de 2012

Vila Leopoldina


Esse negócio de escrever sobre as minhas origens, me deu a-que-la nostalgia. Liguei o disco das Paquitas, e fui ver fotos de infância.
Morei marromenos metade da minha vida na Vila Leopoldina, bairro da Zona Oeste de São Paulo, subdivisão da Lapa. São Paulo é assim tão grande, que tem bairro dentro de bairro, dentro de bairro, e assim sucessivamente até o infinito. Vovó ainda mora lá, na casa bem assombrada, que um dia vai virar Museu. Eu e a primaiada decidimos. Vai ser sen-sa-ção. 

Rua da vovó. Não mostro a casa que é pra não lotar de paparazzi.


Estudei todo o primário e ginásio (joga anos 80 no Google pra traduzir) no Centro Educacional SESI 414.
Era tipo escola pública, mas ao mesmo tempo não era. Naquela época não tinha mamata de passar de ano só porque nasceu, tá? Era difícil, puxado, e eu era nerd. Nussa, como eu era nerd. Eu era nerd estranha com cara de nerd estranha. Esse tipo de pessoa.
O SESI 414 é na verdade um complexo formado por escola, hospital e clube. Quando eu era quiança de 80 centímetros, aquilo era todo um reino. Então que o reino não está em ruínas, persiste firme e forte no meio da rua que agora está elitizada. É gentem, esse pedaço da Leopoldina ficou metido, tá sissintindo todo classe média alta, cheio daqueles condomínios de prédios de vários andares.

Centro Educacional SESI 414

Incrusível a Igreja do Padre Tarcísio ficou inserida aí nesse meio. O Padre Tarcísio é mara, hein? Fez meu batizado, catecismo, primeira comunhão, e casamento de umas tias (deixando de ser tias). Eu fui daminha! Agora ele é Monsenhor, o Padre Tarcísio, e isso é tipo, promoção de padre. E ele também é o responsável pela fundação da Casa do Pequeno Cidadão.

A Igreja do Padre Tarcísio, que não tem esse nome, mas eu nem ligo.

Ponto turístico nessa região, acho que só o CEAGESP, vulgo CEASA. Quer dizer, pra mim nunca foi turístico, mas da última vez que lá estive tinha ônibus de excursão chegando. É seguindo a VIBE do outro post, tá mesmo lindão. É cair no pastel de vento com caldo de cana!


A pracinha onde eu andava de bike, até o papai chegar do trabalho.

E minha única preocupação da vida, era encontrar o Geninho no desenho da She-Ra.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Podo falar da minha cidade? Podo?



Porque eu sou paulista paulistana. E o paulista paulistano tem certeza que não existe vida inteligente fora da cidade. Desconfia que o sol gira-gira em torno da Sé. É bairrismo, eu sei. É dessas coisas que ninguém diz em voz alta, porque é politicamente incorreto.

Mas não se preocupe, que isso passa quando a gente sai do estado, e diz “uau” pro resto do mundo.

Ainda assim, hoje vou ser bairrista. Uma bairrista crítica, veja bem. Porque eu sou o tipo de paulista paulistana que depois que saiu da cidade, passou a ter horror em voltar, por conta do mega hiper super caos de aglomerado de gente junta.
Não vou entrar numas de política, porque não me cabe, mas enquanto pessoa layouteira, curti muito a cara de São Paulo pós Lei Cidade Limpa. É contraditário a publicitária aqui achar isso, eu sei. Tem muito morador que reclama, diz que é pura maquiagem, e mimimi. Don`t care! Se o povo não valorizasse uma estética, a Playboy não photoshopava celulite,e as Boys Bands eram erradicadas.

O que me chocou mesmo foi a eficiência do Poupa-Tempo. Faz juz ao nome. Eu era uma descrente! Jurava que tirar documento gritava burocracia. Daí veio o Poupa-Tempo pra me provar que “não necessariamente”. Foi assim, RG, CPF, tudo renovadinho em cerca de 15 minutos. Tudo bem que fui num novo posto, pouco conhecido (o da Lapa, pronto estraguei), e que o RG não sai no mesmo dia. A questão é que é prático, é rápido, funciona, e o atendimento, daqui ó.

Mas não é só isso, não sei bem explicar. Enquanto visitante esporádica, de uma semana /ano, tenho achado tudo um tanto melhor: transporte, opções qualitativas de laser (que sempre houveram aos montes, mas agora chegaram aos subúrbios), etecetera. A classe média cresceu, deu aquele plus, e a cidade se viu obrigada a acompanhar. Deve ser por aí. Mas já pode parar de ler, que agora tô só divagando...


Washington Olivetto escreveu sobre SP e eu me emocionei.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cara de múcua


O imbondeiro é uma árvore majestosa de tão larga. Também é alta, mas é a largura que impressiona. Pode atingir até 7 metros de diâmetro. É muito metro! Estou crendo que é mais largo que uma casa da COHAB. E analisando o conjunto “largura + comprimento” da raiz, chega-se a conclusão de que foi plantada de cabeça pra baixo.


 A fruta do imbondeiro é a múcua. Realiza uma fruta estranha. É seca. Você conhece alguma fruta seca? Alguma fruta que não mela a mão? A múcua não mela a mão. Ela esfarela na mão. Feito paçoquinha AMOR. Eu já provei. É azedinha (diferente da paçoquinha)! E, segundo dizem, super nutritiva.

Existe suco de múcua, mousse de múcua, refrigerante de múcua. Mas esses tem gosto de nada. Nem azedinhos são. É por isso que a gente chama de “cara de múcua”, aquela pessoa que está com “cara de... nada”. Ou como foi bem explicadinho neste fantástico post: “... a expressão "cara de múcua" queria dizer "estar chateado", "estar triste", quando muito "cara de parvo". Tás com cara de múcua. Era uma expressão ... inexpressiva.”

Você já deve ter visto um imbondeiro. No Brasil, a gente chama de baobá. Você também já deve ter visto alguém com "cara de múcua". No Brasil a gente chama de...


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Welwitschia!

Saúde! Brigada!




Se prepara, que eu vou “falar” difícil: Difícil Welwitschia é um género monotípico de plantas verdes gimnospérmicas cuja única espécie é a Welwitschia mirabilis, que só existe no deserto do Namibe.

Entendeu? Agora vou falar português: A plantinha mais conhecida de Angola, a Welwitschia Mirabilis (saúde!) parece um monstrinho rastejante. Começa que é verde cor de monstro. Depois tem umas folhas, que parecem tentáculos saindo do chão. Eles, os tentáculos, crescem pra sempre. Pra sempre até ela morrer, o que pode durar umas centenas de anos. Cada folha pode ter 2 metros. Imagina isso, a planta é muuuito maior do que eu. Eu tenho medo de tudo que respira e é muuuito maior do que eu.

Eu não sou a única que a acha a “Welwis”, monstra. Charles Darwin chamava ela de “ornitorrinco vegetal”. Ornitorrinco também é da família dos monstrinhos, né? Híbrido de lontra com pato. E os botânicos apelidaram ela de “árvore anã”. Tá bom, anão não é monstro.

A “Welwis” tem cara de mau, mas é mansinha. Não ataca. E por isso está em extinção. E olha, que ela nem precisa de muito pra viver, só de luz e orvalho. Ironicamente, a água tônica mais famosa de marca angolana se chama Welwitschia (saúde!).


A Welwis rosnando pra tia.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Malária


Chato esse negócio de mosquito poder transmitir doença. Porque, convenhamos, que país tropical não é cheio de mosquito? Tô falando isso porque peguei. Peguei malária. Quer dizer, ela me pegou. Porque se fosse eu a pegar, soltava.

Mas, calma, não é nada muito grave! Tô aqui bem vivinha, respirando, mascando chiclete. Poderia ser grave, se eu não tivesse descoberto logo. Mas como aqui em Angola, Malária é feito i-phone no Brasil bumbum, cada um tem o seu, é bater um resfriadinho mais longo, pra gente correr, e fazer o teste.

O que poderia acontecer se eu não tratasse rápido? O resfriadinho podia evoluir prumas crises bem loucas de febre altíssima, que podiam parar rim, fígado, pulmão, provocar convulsões e até coma. Meda, né? Aqui em Angola, e em boa parte do resto da África, a Malária de Plasmodim Falciparum* ainda mata muita gente, principalmente crianças. É doença endêmica, que deixa seqüelas em toda uma população, que, diariamente afectada, aprende a conviver com o problema, e nem sempre sobrevive. Triste isso, gente! E preocupante. O governo faz campanhas (tipo da dengue), mas sem um bom sistema de saneamento básico, fica todo mundo exposto.

Comigo o que acontece é o seguinte: o tal do Plasmodium que a mosquita* me injetou, estava se multiplicando, usando meu corpo feito motel, sem usar proteção (como se já não bastasse terem sugado meu sangue). Daí comecei a me chapar de remedinhos (com receita, tá?), e tô bem zureta, mas quase curada.

* Só a mosquita fêmea bruxa, que usa uma roupa toda pintadinha, é que transmite a doença.

* São 4 os tipos de Plasmoduim mais comuns, mas o Falciparum é o mais malzão. Em compensação, não é recorrente. Recorrente é a malária causada pelo Plasmodium Vivax e Ovale. Essas podem voltar a aparecer depois de meses ou anos. Isso quem me falou foi o Google aqui e aqui, tá?



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Era uma vez em Luanda...

Demorei tanto tempo pra começar a falar das coisas do cotidiano de Luanda, que elas até deixaram de existir. Eu, a prima da lesma.

É o caso, por exemplo, das filas nas bombas (postos de combustível). Quando cheguei aqui, há mais de 3 anos atrás (virge!), as filas pra abastecer carro eram de dar 3 voltas no quarteirão (e fazer lacinho). Levava-se no mínimo uma hora fácil pra encher um tanquinho. Era muita demanda pra pouca oferta. A Sonangol, companhia de petróleos angolana, era dona dos únicos e poucos postos, e o governo abria espaço pra mais ninguém.

Apesar disso, os preços não eram, nem são de dar medo. Muito pelo contrário, por ser dona de todo o petróleo (ói o Bush fazendo careta), a gasolina em Angola é baratinha, precinho camarada. Tipo, dá pra encher o tanque com 2000 kwanza, que é marromenos 20 dólares, aí uns 36 reais. Tá bom, né não?

Hoje em dia tem muito mais postos, tipo os da Pumangol, que foram os primeiros a se estabelecer quando a Sonangol deixou. As filas não sumiram completamente, porque aqui tem mais carro que barata, mas agora em 30 minutos, ou até menos, o tanque tá cheio, e o motorista jóinha.

Outra fila que acabou foi a dos navios no Porto de Luanda. Essa fazia parte da paisagem. Os barquinhos ficavam por dias, há quem diga meses, no meio do oceano esperando a sua vez de descarregar. Não sei se as importações diminuíram, ou se foi a burocracia. Numa dessas simplesmente ampliaram o galpão de estoque do Porto. Quem sabe?

Num sei, só sei que foi assim.

E se alguém souber, conta pra mim.



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Bancos de Angola

Eu nunca quis ter conta bancária em Angola, e a explicação é simples: o banco não guarda o dinheiro, ele esconde. Esconde, bem escondidinho e só entrega quando dá vontade. A pessoa vai lá sacar uma quantiazinha, e ouve: não tem dinheiro hoje. Assim, como quem ouve: “Acabou o omo”, “Hoje não tem pastel de queijo”.


Porque o dinheiro não é seu. A partir do momento que você entrega pro banco, fica ciente: ele vai gastar tudo em chiclete.

E se é pra reclamar, não paremos por aí. Um cartão pra saque nas maquininhas (multi-caixa) pode demorar meses pra ficar pronto. E o sistema? Quase sempre caindo, quase que inexistente. Se o banco não tem fila quilométrica, pode apostar, é porque não tem sistema.

Hoje, fui lá sacar um nadinha, e a moça ia me entregando cinqüenta dinheiros a menos, porque leu o cheque errado. Ela, a trabalhadora do banco, LEU O CHEQUE ERRADO!

Eu podo com isso?


Jura, né?


Quem é que nesse mundo nunca teve problema com banco, né? Levanta a mão aí, dona exceção!

domingo, 15 de abril de 2012

Só pra esclarecer

Aquilo que toca na abertura da nova novela das oito, nove, dez... não é kuduro.
Kuduro é isso aqui:


O André Gama comentou o seguinte: "Só pra esclarecer: Isso não é Kuduro, mas sim African House.
Kuduro é isso aqui."


Valeu pela colaboção, André. Mas cá entre nós, sou mais African House então.