quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Museus e o golpe do anel.


Hotel des Invalides

A França sempre foi briguenta. Não parece, eu sei. Você olha as fotos-quadros dos reis e acha que é uma parada gay medieval. Mas é tudo rei barraquento. Então que a França entrou na I Guerra, na II Guerra, na dos Cem anos, nas Napoleônicas (dãr), etc. E sabe como é guerra, né? Uma quebradeira só. O povo volta pra casa todo lesado. Por conta disso foi criado o Hotel dês Invalides, ou hotel dos inválidos, reservado apenas para os soldados que não voltaram inteirinhos.
Hoje em dia o Hotel ainda cumpre seu papel, mas também virou Museu da Armada e Necrópole. É como eu disse: tem gente enterrada em tudo quanto é monumento de Paris. E sabe quem tá enterrado nos Invalides? Napoleão! Seus irmãos e seu filho também. Eu aqui falando de guerra, de túmulo, quase que nem falei da cúpula dos Invalides. Em uma palavra: dourado!

Do jardim do Museu Rodin, tirando foto da cúpula do Invalides
Do ladinho do Hotel dês Invalides, numa entrada meio escondidinha, está o Museu Rodin, um antigo hotel onde o escultor impressionista viveu os últimos anos de vida. É legal por dentro, mas é espetáculo por fora. Tem um jardim com as esculturas mais famosas, tipo O Pensador, espalhadas. Valapena!
Não tão perto, mas facinho de ir a pé (cuidado com o golpe do anel*), está o Museu d’Orsay. Ele já foi Estação Ferroviária, mas com o tempo, foi promovido a Museu. E tem especialidade: é impressionista. Sou doida num impressionista! Monet, Renoir, Van Gogh, Degas, Cézane... minha lista top 5.

Do lado de fora do d'Orsay. Não pode sentar do lado das estátuas, tá? O guardinha briga.



*O golpe do anel. É assim: Você turista inocente, tá lá, passeando, assobiando, de mapa na mão. Daí uma pessoa na sua frente (pode ser homem, mulher, criança) encontra um anel no chão, e te olha com cara de “Olha, encontrei um anel no chão”. Você sorri pra pessoa, porque vc é turista, e está cheio de amor no coração. Daí a pessoa te oferece o anel, porque é contra a religião dela usar badulaques. Você recusa, porque, vc é turista, mas não é idiota, e a situação começou a ficar suspeita. A pessoa insiste, e vc é turista, e tá louco pra chegar no próximo museu antes que feche, então aceita ou não, e dá tchauzinho. Mas a pessoa te segue, diz que tá com dificuldades na vida e te pede dinheiro. Experimenta dizer não, ou dar só três eurinhos. Vai levar um xingão, e em francês, o que é pior, porque vc é turista, e vai entender nada.
A cada 100m entre o Invalides e o d’Orsay tem um ser aplicando o golpe do anel.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Marais

Comecei pela pastilha, quer dizer, pela Place de La Bastille, que a pastilha mesmo nem existe mais. A pastilha surgiu como fortaleza medieval e depois virou prisão, dessas com calabouço. Até o dia em que a população alucinou e resolveu se revoltar (vide Revolução Francesa). Pra isso precisava de armas e munição. Bóra pra pastilha (era lá que o rei guardava sua pólvora e eteceteras). O povo bem doido resolveu vandalizar geral e ainda botar fogo. Que eles não tavam pra brincadeira!

A Maison de Victor Hugo tá bem nas costas da fotógrafa aqui.

De lá fui a Maison de Victor Hugo, o cara que escreveu a história do Quasimodo. Contribuiu pra Disney, já curti! Victor Hugo também escreveu “Os Miseráveis” e foi ativista republicano. A Maison é um mini-hotel (onde ele viveu com mulé e filhos), que virou museu. O último andar é tipo a casa dele, com mobiliário original e tudo. Na frente da Maison tem dessas praças fofas, que só Paris tem.

Jardim do Carnavalet

Outro museu de grátis, ali pertinho, é o Carnavalet. Todinho sobre a História de Paris. Me acabei, né? Passei tipo, três horas, pulandinho de feliz, lá dentro. Daí, fui almoçar, e te prepara, que eu vou falar do melhor restaurante, que eu provei em Paris, tá? Le Petit Marché. Come-se MÓITO bem, por um preço bem razoável, o ambiente é ótimo, descontraído. O risoto vegetariano tava daqui, ó!

Almocinho no Le Petit Marché

O Marais é conhecido como o bairro gay de Paris. Daí vc tira que ele é dos mais fashions e divertidos ( :P ), e imagina que não é numa tarde, que dá pra ver tudo o que ele tem de bom. Mas eu vou citar procêis: tem Museu Picasso (e onde é que não tem Museu Picasso?); tem Memorial de Shoa, um monumento pelos mártires do holocausto (quem foi, disse que soltou uma lágrima); Tem Museu da História do Judaísmo; Tem Museu das Artes e Ofícios, que devia chamar Museu das Invenções; Museu da Caça e da Natureza, cheio de cabecinhas de bambi empalhadas; além de montes de ateliers, estúdios e boutiques.

Íssaí atrás de mim não é pula-pula de festa infantil. É arte moderna, tá?

Tem também o Centro Pompidou, o maior Museu de Arte Moderna da Europa, e o edifício mais medonho que Paris podia inventar. Tem quem goste, né? Que gosto é feito bumbum. Mas, de boa, Paris toda clássica, lynda e dyva, me colocam um prédio quadrado e do avesso, com toda a tubulação pra fora, e querem que o povo aprecie. :S

Fui no cemitério-tério-tério-tério!

Esse monte de lugares que eu falei, dá pra visitar a pé, tudo um do ladinho do outro. Exercício é bom, gentem, pras artrite! Mas tem um outro lugar, meio longinho, que eu queria muito ver: o Cemitério de Père-Lachaise. Eu não sou gótica, não é por aí. Mas é que o Père-Lachaise é tipo ponto turístico, pela quantidade de celebridades enterradas lá: La Fontaine, Moliére, Chopin, Jim Morrison. É bonito, viu? Valapena! Tem mais escultura que muito museu.

Tumba do Jim Morrison. É das mais sem-gracinha.

Mas, assim, deixa eu compartilhar a minha experiência com vcs. Lá dentro do cemitério, fui seguida de longe, por um velhinho de cabelo branco. E bateu aquela nóia: Será que é vivo ou morto? Então entrei no meio das tumbas pra despistar, e foi pior, porque bateu a outra nóia: Tem gentes me olhando! Quem me conhece sabe, que eu durmo de luz acesa, então conclua que a visita foi bem, beeem rápida.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Amélie Poulain, Toulouse Lautrec, Satine…

Eles estiveram em Montmartre. E eu também.

Antes de ir pra Paris, quando eu lia a respeito de Montmartre, ficava sem entender porque é que todo mundo dizia que é um bairro apaixonante. Eu também não sei explicar, talvez pela vista maravilhosa que se tem de lá de cima (é o ponto mais alto de Paris), talvez pela carinha de cidade do interior, pelas escadarias ou pelas ruas com parapeito (e lelepípedo também)... não sei. Só sei que foi assim. Montmartre é desses bairros que dão aquela nostalgia de maluco. Uma saudades do que nunca aconteceu, sabe?

Dada essa introdução, falemos do topo do morro. Diz a lenda que lá no topo do morro, aonde hoje em dia está a Basílica do Sacré-Coeur, Saint Denis (que até então era só Bispo Denis) foi decapitado por uns pagões romanos. Enche o saco, né, gente? Esse negócio de ser decapitado. Sant Denis também achou. Aborrecidíssimo, tratou de pegar a cabeça do chão, e sair andando, sem nem olhar pra trás. Só parou lá onde está a outra Basílica, a que tem o nome dele. E desde então, o Montmartre virou local de peregrinação, porque convenhamos...
A Basílica do Sacré-Coeur é estonteante. Em formato de cruz, tem várias cúpulas em estilo romano e bizantino. Mas o melhor está do lado de fora: uma vista panorâmica da cidade toooooda!


Ali pertinho está a Place Du Tertre, um reduto de artistas. Parece uma feira de quadros a céu aberto, e é rodeada de restaurantes e bistrôs. Eu estava ali bem na hora do almoço (que, durante as férias, é qualquer hora, néam?) e escolhi o Chez Plumeau. Comida ótima, atmosfera ótima e é exatamente ao lado do Museu Dalí. Pro caso de dar vontade de fazer a digestão num lugar pitoresco. Por lá há também o Museu de Montmartre, interessante pra quem gosta de história (tem uma estátua de Saint Denis, segurando a pópria cabeça).

Chez Plumeau

Mas, olha, se vc quer comer num lugar mais famoso, também há. Descendo a ladeira da Rua Lepic está o Café Deux Moulins. E é famoso por que? Porque é o Café da Amélie. Aix, que tudo! Porque Amélie era moradora de Montmartre, né? E a mercearia/quitanda que ela costumava freqüentar, Au Marche de La Butte, também fica nas redondezas. Claro que isso tudo foi antes dela descobrir que era parenta da Maria Madalena.

Descendo essa rua aí, a Lepic, você chega na Pigale. Á esquerda está, nada mais nada menos que o Moullin Rouge. Voulez-vous coucher avec moi? Não sei vc, mas eu jurava que o Moulin Rouge era só glammour. Eu acreditei na versão do Baz Luman com toda a minha alma! E talvez por dentro, a noite, pode ser, sei lá. Mas, de dia por fora, não, não é. Eu vos garanto. Depois, tem mais, a Pigalle é famosona pelas casas da luz vermelha, que são praticamente vitrines de mulheres de vida fácil, ou nem tanto. Roxaneeee! Então você pode imaginar que é uma área meio decadente. Luz vermelha, não vi nenhuma. Mas vi muito sex shop, tipo um quarteirão inteiro só deles. E, se é pra entrar na vibe, adentremos o Museu do Erotismo. Uma sacanagem só!


Mas você é singela, é inocente e não curte essas safadezas? Então tá. Ali pertinho, na Rua Chaptal tem o Museu da Vida Romântica. Assim,quando vc entra nele, não tá tocando CD do Julio Iglesias, nem nada. Ele é da Vida Romântica, no sentido de estilo de arte romântica da metade do século XIX. Ainda assim não deixa de ser singelo, porque ele é uma casinha, cheia de heras do lado de fora. Do lado de dentro tem aquela decoração antiga fofa, que lembra a vovó. E interessante é a escada em caracol, pendendo pro lado. Eu jurei que despencava! Entre as obras que lá hão, está um busto da Princesa Isabel. A nossa Princesa Isabel!

Esse post é quase o TV Fama, cheio de celebridades!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A princesa e o golfinho.

Essa noite eu sonhei que era uma fada. Eu tinha asinha colorida e orelha de elfo. Daí acordei e resolvi contar uma historinha digna de Irmãos Grimm procês. Senta, que lá vem a história...

Era uma vez, num reino bué, bué distante, chamado Áustria, uma linda princesinha, caçula de 15 irmãos (imagina o mimo!), chamada Maria Antonieta. Como isso é tipo conto de fadas, sua mãe fica sendo a mãe-drasta, tá? A mãe-drasta, a doida da globalização, tinha mania de casar os filhos com nobres de outros países, e para a pequena Maria calhou o Delfim, herdeiro do trono (e golfinho) da França.

O matrimônio foi contraído, quando Maria completou 14 anos. O golfinho tinha 16. E que casalzinho estranho, hein? Maria era elegante, delicada, os passarinhos cantavam á sua janela. O Delfim era paradão, gordinho... um banana. Mas ambos sabiam para que lá estavam, e respeitavam o jeitinho de ser um do outro. Educada para ser uma princesa exemplar, apesar do choque cultural, Maria não apenas se adaptou à corte francesa, como em pouco tempo passou a ser adorada pelo povo. Seu espírito juvenil contagiou a corte, e logo Versalhes virou uma rave.

Jardins de Versalhes. Eu tava lá.

Dormitório de Maria Antonieta. Vi ao vivo.

Daí, o então Rei, avô do golfinho (e filho de Sunshine), morreu de catapora (é sério)! Maria e o maridinho se digistransformaram, da noite pro dia, em Rainha e Rei da França. Gente, eram dois adolescentes! Que pressão! É como se o Justin Biba virasse presidente dos EUA. Realizou? O drama de Maria ia além disso. Como Rainha, era sua obrigação providenciar urgente um golfinho novo pra França. O que não era nada fácil tendo em vista que o casamento nunca tinha sido consumado. Lembra, né? Que o ex-golfinho era um banana?

Sete anos se passaram até os médicos do Rei descobrirem que ele não era só um banana. Ele também sofria de fimose! Que dó, que dó! Fácil de resolver, um cortezinho aqui e ali, e nove meses depois, Maria dá a luz a uma linda menininha. Depois dessa, foram mais quatro bebês, entre eles, o novo Delfim da França. Triste história, dos quatro apenas dois passaram dos oito anos.
Maria virou mãezona, ganhou do maridinho um mini-palácio dentro de Versalhes, o Petit Trianon, se isolou da corte e ficou lá brincando de fazendeira. Tudo lindo, tudo cor de rosa, e se eu fosse o Walt Disney escrevia agora “E viveram felizes para sempre”.

Quadro de Maria Antonieta com seus babys, de Vigée-Le-Brun.

Mas isso é a vida real. E parece mesmo é com história de terror. Fora dos muros de Versalhes, estava toda uma população francesa descontente, literalmente morrendo de fome, por culpa de má administração dos governantes, que se desenrolava desde a época do Rei anterior. Maria Antonieta, um dia adorada, agora era vista como culpada pelas desgraças da população, porque convenhamos, ela era uma gastadeira. Uma Revolução, “a Revolução Francesa”, começou a se formar, e um belo dia, a massa endoidecida resolveu invadir o Castelo e evacuar a família real.

Maria nunca mais viu Versalhes, seu Petit Trianon... ficou um tempo vivendo com a família no Palácio de Tulleries (em frente ao Louvre), tentando entrar em um acordo com os revolucionários, mas lá pelas tantas, a monarquia foi deposta e toda a família real foi considerada traidora da Pátria. O maridão, ex-golfinho e banana, foi logo decapitado. Maria foi mandada para uma cela na Conciergerie, e separada dos seus filhos. Seu “julgamento” foi uma verdadeira caça às bruxas. Era claro que seu destino já estava decidido: Cortem-lhe a cabeça. Maria foi decapitada, e sua cabeça “desfilou” em praça pública. Seu baby, o novo golfinho, morreu pouco tempo depois na prisão, aparentemente por maus tratos. Sua filha ainda passou anos presa, sem saber do destino da mãe...

Ai, gente, já deprimi!

Sophia Coppola fez um filme bem bonitinho sobre parte da vida de Maria Antonieta. Eu de vc, corria pra alugar a fita. E depois rebobinava. Tem também esse post muito mais legal que o meu, falando da mesma coisa.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sunshine

Era uma vez um pequeno príncipe que sissintia o centro do universo. Literalmente! Ele cresceu e virou Luis XIV, o Rei Sol. Eu escrevo isso e imagino um homem amarelo e redondo. Um dia o ministro das Finanças (Nicolas Fouquet) convidou Sunshine pruma festinha na sua casa (Chateau de Vaux-Le-Vicomte), pra mó de fazer um social. Sunshine chegou na mansão do Ministro e se roeu de inveja. A mansão era um TUDO. O Ministro então foi acusado de desviar verba do reino, porque nunca que o salário ia dar conta daquilo. De castigo, Fouquet foi preso (por Dartagnan). Sunshine pegou o Chateau pra ele, e levou o arquiteto responsável junto.
Daí o arquiteto projectou o Palácio de Versalhes!

Moral da história: nunca faça social com o chefe.


O Palácio de Versalhes é considerado o símbolo supremo do absolutismo francês. Quando ficou marromenos pronto (porque nunca parou de se expandir), toda a corte foi realocada pra lá, o que praticamente eliminou qualquer poder local que algum nobre poderia exercer. Sacou?
E a corte tinha regra de etiqueta até pra respirar, tipo essa: Bater na porta do Rei era proibido. Ao invéz disso, quem queria falar com Sunshine tinha que arranhar a porta suavemente com o dedo mindinho da mão esquerda (da mão esquerda, tá?), até que lhe fosse dada permissão para entrar. O.o


Nada de "ó de casa" com palminha.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Notredame. Sainte Chapelle. La Conciergerie.


Luxo. Clássico. Gótico. Estou falando da Catedral de Notredame, casa do Quasimodo, ao pé do Rio Sena. A Catedral levou mais de um século pra ser construída, que é marromenos o tempo de espera da fila pra subir as torres. Eu bem queria subir, mas não tive paciência, que me desculpem as gárgulas. Beata que sou, assisti uma missa lá dentro. Orgulhinho da vovó.
Faz parte da História da Notredame: a beatificação de Joana D’arc, a coroação de Napoleão Bonaparte, e, na praça em frente à Catedral, o assassinato na fogueira (sob autorização do papa) dos últimos cavalheiros templários.


Missa na Notredame. Repara no padre todo piquitinho.

A região da Notredame tem uma vibe assim meio 25 de março, dada a quantidade de lojas de souvenniers made in China que por lá hão. Mas não deixe isso estragar o passeio, porque logalí está das capelas mais lindas que eu já vi em toda a minha vida, e, arrisco dizer, o (elegido por mim) ponto turístico mais bonito de Paris: A Sainte Chapelle. Vitrais, vitrais, vitrais. Nem vou tentar explicar, tá? Está aí a foto pra vossa avaliação. Clica que cresce.

Sainte Chapelle foi construída dentro do então Palácio Real (anterior ao Louvre, anterior a Versailhes), especialmente para servir de templo à Coroa de Espinhos, aquela de Jesus Cristo. Hoje esse Palácio Real digitransformou em Palácio da Justiça, e junto a ele tem também La Conciergerie.
La Conciergerie é uma fortaleza medieval sinistra de arrepiar pêlinho. Nos tempos da Revolução Francesa serviu de prisão pra tudo quanto foi condenado político, entre eles Marie Antoinnete, aka rainha da França. Pra representar o tormento de ficar preso por ali, existem simulações com manequins nas supostas celas.
E daí, vou contar uma história de terror, tá? Dizem que o fantasma de Marie Antoinnete assombra a Conciergiere. Então que na simulação da cela dela (que não é a original), existe, rodando sem parar, a gravação de uma oração, a mesma que ela supostamente fazia compulsivamente antes de ser mandada pra Guilhotina. Acontece que um dia, sei lá, a luz caiu, o gerador falhou, e a gravação parou. Foi quando aconteceu: tudo quietinho, escuro, apagado... e a oração, sussurada, continuou.

Não sei você, mas eu não durmo essa noite. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sparkling Eiffel Tower

Sou a louca do medo de altura, tá? Tenho vertigem até em cima de cadeira. Então nem me pergunte se eu subi na Torre Eiffel. Porque não. A resposta é não.

A Torre Eiffel, toda exibida, pode ser vista de quase qualquer ponto de Paris. Você tá no Louvre e ó, olha ali a Torre Eiffel. Você tá na Notre Dame e ó, tá logo ali. E ela é linda de tudo quanto é ângulo... menos de perto. Desculpaê a sinceridade, mas de perto a Torre Eiffel parece um monte de ferro. Mas ei, é como eu disse, de longe ela é espetáculo.

Numa das últimas noites, peguei no meu guia TimeOut, pra mó de escolher um restaurante digno de despedida. E o vencedor foi o “Les Ombres” no topo do Museu do Cais Branly. O zóio da cara! Mas hum, valeu a pena! Nem tanto pela comida (o dindin só deu pra entrada e pro cafezinho anyway), e sim pela vista. De cara com a Torre Eiffel (nem tão perto que parecesse sucata, nem tão longe que pra ver só apertando o zóinho).
E a noite, de hora em hora (a TeleSena informa), a Torre brilha feito luzinha de Natal. Xente é emocionante! Biutiful! Saí de lá dando pulinho de felicidade.



O atendimento é ótimo mesmo se você só puder pagar pela entrada e pelo cafezinho. Até me ofereceram sobremesa de cortesia.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quartier Latin


Pra fazer a boêmia, comprei uma boina me hospedei na Rua Moufettard (aquela aonde a Amélie encontra o Dominique Bretodeau). Dizem as línguas que essa é das ruas mais velhinhas de Paris, e ela tem toda cara disso. É toda estreitinha, de paralelepípedos... começa numa igrejinha cuti (Saint-Medard), e termina numa praça (Place de Contrescape) cheia de bares e bistrôs (Hemingway morou por ali). Tem mercado a céu aberto todos os dias, vendendo frutas, queijos, mariscos...
Pausa: comprei uma tabuinha de queijos, e deixei no quarto pra hora do recreio. Quando voltei, o andar todo cheirava a fandangos estragado (novo sabor).
Voltando... o legal da Moufettard é que ela é ultra bem localizada. Fica, por exemplo, bem ao pé do Pantheon.
Pedacinho-inho do Pantheon

O Pantheon já foi igreja, cansou dessa vida e virou mausoléu*/edifício em homenagem aos grandes homens franceses. Lá dentro tem uma porção de estátuas da Revolução Francesa, tem o famoso pêndulo de Foucault (que gira, gira, gira), tem paredes inteiras pintadas, contando a vida de santos e santas, tipo Saint Genevieve (patrona de Paris).
E tem esse mural, em especial, representando os últimos suspiros da santa. Ela bem velhinha, na cama, dando benção pra toda uma multidão desesperada. Super gente boa ela. No meio do povo, tá lá essa moça pelada, olhando pro nada, com cara de “oi?”. Saiu do banho, e “oi?”. Oi? Doideira.

Pedacinho-inho do mural da Saint Genevieve 


Não paremos por aqui, que eu tô virada em guia turística! Pertim do Pantheon está o melhor lugar pra lagartear éva: são os Jardins de Luxemburgo! Saído de conto de fadas. Tem muito jardim em Paris, praticamente toda igreja tem sua pracinha, mas este tem todo um charme especial.
Fonte de Médici


Tudo isso que eu acabei de “descrever” (Moufettard, Pantheon, Jardins de Louxemburgo) fica no Quartier Latin, esse “bairro” antiguinho, antiguinho por onde o Panoramix passeava com o Obelix, que tem também:
- A Sorbonne. Hoje em dia são apenas alguns campus (plural de palavra no plural, faz como?), mas tudo começou ali;
- As Thermas de Clunny. Ruínas de banhos romanos, juntinho ao Museu Medieval. Eu curti!;
- A Fonte Saint-Michel... eteceteras.


Fonte Saint Michel




quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Louvre. Louvre. Louvre.

O Louvre é lindo, é sumptuoso, é coisa.fofa.do.papai. Andei lá dentro 1, 2, 3 vezes inteirinhas.


1. A primeira vez, fui pra ver tudo relacionado à História Francesa (Porque na minha cabeça só faz sentido ver antiguidade Egípcia, no Egito): as esculturas que piscam quando vc não está olhando; os aposentos de Napoleão III*, mergulhados no dourado-tendência; as pinturas pequenas, as de tamanho normal e as super-hiper-ultras gigantescas; os restos originais do Louvre Medieval (emoçãozinha). FIM! Gosti, mas saí de lá traumatizada, arrastada pela multidão até a Vênus de Milo. Eu nem queria ver a Vênus de Milo, tá? Estátua desbraçada!

Aposentos de Napoleão III - sobrinho de Napoleão I, autoproclamado Imperador da França.
2. Da segunda vez fui pra ver a Monalisa. Só a Monalisa. Olha que honra pra ela!

3. Da terceira vez, entrei no Louvre pra usar o banheiro. Custa 1 euro o banheiro do Carroussel do Louvre, viu? Só pra vossa informação! E lá estando, bóra comprar souvenniers no Pylones. Vontade de ter uma mala exclusiva pros souvenniers. Porque eles merecem!*

Melhor que a parte de dentro é a parte de fora do Louvre. É simplesmente FUN-tástica. Pra quem não sabe, o Louvre é palácio disfarçado em museu. Ele era a casinha do rei. E todo palácio é FUN-tástico por conceito, porque é tipo sonho realizado.
Em frente ao Louvre está o Jardim de Tuileries, que eu apelidei de esconde-esconde de estátuas. Elas ficam escondidas no meio dos canteiros, dos cantinhos. Mas essas são as tímidas. Tem também as exibicionistas.
Mais esconcondidinho que as estátuas, lá no finalzinho do Jardim, está o Museu de L'orangerie, só para fãs do impressionismo. É tipo um D'orsay (next post) em miniatura, com um plus: paredes inteiras pintadas com réplicas de Van Gogh - o homem sem orelha- pra vc olhar e se perder. 

Estátua tímida



* Tem todo um shopping, com McDonald's, dentro do Louvre. ¬¬

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Planejando Paris

Eu curto viajar sozinha e na louca, sem grandes planos. Acho um tudo chegar numa cidade e sair feito barata tonta. Eu vibro com o elemento SURPRESA.

Mas dessa vez foi diferente.

1. Antes de ir pra Paris, passei um mês estudando sua história. Eu sou assim de aplicada, tá? Foram horas de documentário da BBC, litros de filmes épicos, páginas e páginas da Wikipédia. Foi de tontear. Deu até comichão de fazer resumão aqui procês.
Isso tudo porque cansei de olhar pra mesma estátua do bigodudo em cima do cavalo - aquela que tem em todo lugar, em todo país, em toda cidade, aquela que é sempre igual, mas sempre diferente – sem saber qual era a do bigodudo. Dessa vez, eu queria biografia detalhada do bigodudo celebridade francesa (que nem tinha bigode nem nada). Além disso, da uma emoção um frio na barriga, um sentimento quase 3D de passar por onde rei, rainha, vilão, mocinho já passaram um dia.
Pode fazer o teste. Vai, pergunta aí. Pode perguntar quase qualquer coisa sobre a história de Paris que eu respondo e ainda dou coordenada.

2. Adquiri um Paris Pass, que é um cartão bem legal, que te dá direito a furar fila de tudo quanto é museu e monumento. É tipo um pacotão, tá? Você compra o cartão e ganha: passe de metro correspondente a quantidade de dias válidos do cartão; 2 dias de ônibus de turismo com lage (hop on, hop off); pocket book (livrinho que cabe na pochete) com 120 páginas de instruções e coordenadas sobre cada um dos lugares aonde vc deve ir (uma vez que já pagou antecipado); passeio de balsa pelo Rio Sena; além de descontinhos aqui e ali. O pacotão não é barato nem nada, mas compensa se você somar quanto gastaria em cada uma das bilheterias. Eu comprei só pra ver a cara de nabo do povo, quando eu furasse a fila.

3. Comprei um Guia Timeout. Esse não teve um dedo de planejamento. Comprei porque tava entediada, só respirando, no aeroporto de Portugal. E ó, foi uma mão na roda! Ele divide Paris em regiões e dá itinerário (com atrações, restaurantes, bares, etecetera) de cada um dos lugares. O meu era de 2009, de modo que vez ou outra fiquei no vácuo, procurando restaurante que já não existia. Em compensação, os mais diliça foram indicados por ele.


Fiksdiks!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Você sabe o que é mumuíla?

No ultimo texto citei, mas não desenvolvi o assunto. Coisa de gente incompleta. 

Foto by Carlos Duarte

É assim: Mumuíla é um povo nômade, criador de gado, que circula pelas bandas da África Austral. Aqui em Angola eles ficam ali por Lubango. Os zómi são polígamos, e as mulheres tão nem aí, assobiando. Tendência entre elas é:
1. Untar gomos de cabelo com esterco, banha de leite e ervas.
2. Usar montoeira de colarzinho de contas no pescoço, entre os seios, na cabeça.
3. Fazer top less all day long.

Então, tá combinado: na próxima festa a fantasia eu vou de mulher mumuíla.

Uma vez namorado passeando por Lubango, parou pra pedir informação: Onde é que eu posso comprar um saco de mumuíla? Oo. Diz ele que confundiu o nome com o de uma frutinha local. Ahan, sei. ¬¬

terça-feira, 24 de maio de 2011

Feira do Benfica

Tem gente que é viciada em cacareco, né? E quando eu digo cacareco, quero dizer souvenir. Tem gente que nem turista é, só está fazendo baldeação em aeroporto e PRECISA comprar souvenir. #eusouassim.
Daí que até pouco tempo, o aeroporto de Luanda era uma possilga, e não tinha uma loja de cacareco. Nenhuminha. Então que, pra comprar souvenir só entrando na cidade e indo até a Feira do Benfica. Oba!

Na feira do Benfica tem coisarada feita de ébano, marfim, madeira cinza. Tem quadro de zungueirada, tem paninho, tem bijoux... em dia bom tem até roupinha. A peça mais procurada (e mais tradicional) é o "pensador de cowke" (tipo o do Rodin, mas menos intelectual), concorrendo com os bustos de mumuilas (bustos em ébano de mocinhas com seus bustos de fora), com as máscaras tribais, e com as minhas preferidas: as girafas. Meu sonho de consumo é ter, no meio da minha sala, uma girafa de madeira mais alta do que eu.
A girafa ainda não adqüiri (eu sou usuária do trema), mas já comprei muita coisa. Posso dizer que meus presentes de Natal pra família consistem basicamente em cacareco do Benfica. E, cá entre nós, eu pechincho horrores. Mas não tem mal, porque isso é regra, assim como o facto de que todo vendedor vai te chamar de "amigo(a)", e de que não há como não sair de lá coberto de poeira. Isso é regra sem exceção.

Pensador de Cowke

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A moeda angolana é o kwanza, tá?

Tá combinado assim? Mas se você quiser pagar em dólar, tá joinha também.

Angola tem essa política econômica de dolarização que ajuda a controlar a inflação. Pra quem é brasileiro, “tamo em casa”, né? Aqui em Angola é possível até abrir conta em moeda estrangeira (desde que seja dólar ¬¬) dentro de banco nacional. Mesmo assim, a regra é clara: qualquer pagamento no mercado interno deve ser feito em Kwanza (kwz).
Então, vai lá. Tenta pagar aluguel com kwz, comprar carro com kwz, pagar taxa da embaixada (brasileira) com kwz. Não dá! O povo não aceita. Ainda assim, a gente insiste.

Nota de 1000 kwz. Nota de 10kwz. É pra confundir a cabeça dum cerumano.

O Brasil não tem dessas liberdades, mas é porque por lá tem muito brasileiro :P. Por outro lado, em Angola tem muito expatriado. E expatriado se for europeu ryco e dyvo, ganha em euro, se for genérico, ganha em dólar.

Anyway, o país tá tão dolarizado, mas tão dolarizado, que tem até as senhoras do câmbio. Elas ficam sentadas em cadeirinhas, encostadas nos muros de qualquer rua, e vc acha que elas estão esperando o bonde, ou a morte da bezerra. Daí, vc passa por elas, e elas falam, assim como quem não quer nada: “Amiga, quer trocar dólar?” Pensa numa praticidade!
Não é que não existam casas de câmbio, é só que essas têm bicha* (#eusougay). E daí tá lá, a senhora do câmbio na sua esquina, te chamando de amiga. É tentador. E também é ilegal!
Se eu recebesse um dólar por cada vez que escrevi a palavra dólar nesse texto, comprava um cofrinho.

* bicha é fila, tá?
* 1 dólar tá mais ou menos 95 Kwz
* a Kate Middleton está casando neste exato momento.

Pra saber mais sobre o assunto (kwz x dólar, e não Kate Middleton, cujo sobrenome agora já não é mais Middleton), clica aqui.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Projecto de Páscoa

Minha mãe guardou nenhum dos porta-trecos feitos de palito de Chicabon que eu fiz pra ela. Nenhum... aff! Mas eu não desisto de dar presente feito em casa.
Então pra Páscoa realizei fazer caixinha de ovinhos de verdade, pintados e recheados com Confeti.

foto 1


Desafio 1: Achar ovo branco. Em Angola não tem. Só tem do alaranjado. SÓ DO ALARANJADO. Desafio 2: Esvaziar os ovos sem quebrar. Descobri que existe uma variedade enorme de maneiras de despedaçar um ovo. Desafio 3: Comer tanto ovo*. Desafio 4: Pintar os ovos com papel-crepon. Derrota! Não achei guache, mas a aquarela tava na promoção, e funcionou (foto 1).

A intenção era rechear os ovinhos com papel celofane, depois com Confeti, formando tipo um pacotinho, sabe? Pra que? Pra pessoa poder quebrar o ovo sem espalhar o chocolate, né? Porque o melhor de ganhar um ovo colorido é poder jogar ele na parede... é zen! Daí que celofane tá em falta, então recheei com guardanapo colorido, que é pobre, mas é limpinho (foto 2). Na foto (2) vc vê também o protótipo do paper toy que eu transformei em caixa. 

foto 2

Voilà! É issaí que os amigos e o more ganham de presente nesta Páscoa! Quem gostou, bate na palma da mão!!!!

foto 3


*Receita de brigadeirão de microondas para aproveitar os ovos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Eka, Cuca, etc...

Fica aí todo mundo dizendo que Angola não tem indústria, só faz importar, e coisa e tal. Mas quem se “importa”, quando aqui produzimos aquilo que há de mais essencial: A CERVEJA!!!?

A CUCA, aquela que vai te pegar, surgiu nos anos 50, e é líder de mercado. Sua garrafinha long neck (pescoço longo) parece vidro de xarope, mas o gosto é de cerveja. Juro! Eu curto e fico bebinha só não conta pra minha avó. A Carol só sai se for pra tomar fino da CUCA. É assim de bom!

Cuca em Xarope

A outra nacional, maior concorrente da CUCA, é a EKA. A-han, o nome é EKA. Veja bem, eu não sou muito enjoadinha. Provo comida, mesmo quando ela é verde. Mesmo quando ela é verde e gosminha. Mas por uma questão de princípio, me recuso a consumir um negócio chamado EKA, tá? Não me leva a mal.

Também tem a NOKAL, a N`gola, e agora tem a Tchizo. Tchizo, olha aí... muito mais sonoro, onomatopéico até! A produção é em Cabinda, e assim que chegar em Luanda, garanto a degustação.

Claro que ainda rola importação. Tem Heineken (pede por EINIQUEM), tem Carlsberg (pede por Carlos Bergue), tem Superbock e Cristal. O mercado português não só exporta pra cá, como já abriu / está abrindo fábrica em Luanda.

Mas o importante é que o mercado nacional tá ganhando! Tim Tim pra comemorar!

Cerveja Chinesa em Copo de Einiquem

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Albinismo

Uma coisa que chama a atenção aqui em Angola é a quantidade de albinos. Pra quem não sabe, o albino é um ser tão branco, tão branco, que até brilha no escuro.

Wikipédia explica: O albinismo é um distúrbio congênito caracterizado pela ausência completa ou parcial de pigmento na pele, cabelos e olhos, devido à ausência de uma enzima envolvida na produção de melanina. Captou? Essa wikipédia... sempre falando bonito.

foto by Alexandre Campagnaro

foto by Alexandre Campagnaro

No começo eu achava que enxergava muito albino por aqui, porque eles naturalmente se destacavam no meio da multidão, tipo EMO em Show do Rick e Renner (apesar da filosofia dor-de-corno ser a mesma). Mas depois pesquisei (direito) e descobri que na África tem muito mais albino que em qualquer outro lugar do mundo. Na Europa, a taxa de albinismo é um em cada 17.000 pessoas, enquanto que na África é de um a cada 2.000 ou 5.000 dependendo do país.

Tudo isso por conta de um gene recessivo que se a mãe tem e o pai também, fo-deu! Ser albino não é das coisas mais legais porque a pele é muito sensível, os olhos são muito sensíveis. É normal o albino ter fotofobia, astigmatismo, nistagmo e mais um monte de ismo, além do pior de tudo, cancêr de pele. Choquei mesmo quando li que tem gente que acredita que albino dá sorte, tipo rabo de coelho, ferradura de cavalo. Daí rolam raptos e amputamentos pra mó de fazer amuleto. Deprimo só de pensar!

Segundo meus colegas, aqui em Luanda não tem disso não. No máximo rola uma deconfiaçazinha do pai quando o filho nasce branco... ¬¬

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cai a chuva...



... e molha o meu amô-or!

Chuva do dia 09, sábado. E eu, perdida, bem no meio da Samba.

Hoje é aniversário do Júnior, tá?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rato Urso

Eu nasci em São Paulo, cidade famosa pela Avenida Paulista, pelo MASP pelo Rio Tietê. Cheiroso que só ele! Por isso o que eu vou contar agora pode parecer frescurinha, vou logo avisando.

Nos meus muitos anos de vida (quase 19, né?) eu nunca tinha visto um rato-urso cara-a-cara. De verdade mesmo, morando no Brasil, eu nunca vi um rato. Vi hamster, porquinho da índia, chinchila, mas nunca um rato monstro transmissor de peste negra.

Quando me mudei pro apartamento em que resido agora, e aquilo não era bem um apartamento, era uma possilga, tive umas 4 DRs com o camundongo inquilino do lugar. Ele não queria aceitar ação de despejo. Daí, apelei pra ratoeira (até então eu achava que ratoeira era coisa de Tom e Jerry, só existia no imaginário infantil). Pra concluir: sim, assassinei* um rato, e não me orgulho disso. Principalmente porque ele era todo pequeninho e tinha uma vida cheia de descobertas pela frente.

Então que esses dias um amigo chamou pra jantar e tals, e ele mora em prédio. Daí chegamos em turminha e começamos a subir os 8 lances de escada. Lá pelo quarto lance... todo mundo completamente sem ar (bandivelho)... começou uma gritaria assim bem gay de cima pra baixo. E o culpado era o rato-urso. O maior RATO que eu já vi na minha vida. Nada fievel, nada Remy. Era rato de tamanho de urso descendo a escada. Juro!

E daí, não preciso falar mais nada: trauma pra vida toda!



* Só pra explicar que, na verdade mesmo, a assassina, que montou e colocou queijinho fandango na ratoeira, foi a Carol, mas eu não posso colocar a culpa só nela, porque isso é transmissão de karma, e eu fui cúmplice incentivadora.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dia da Paz - a Retratação

Ai, gente, coisa feia que eu fiz. Confiei na primeira resposta que o Google me deu. E a gente sabe que isso é muita falta de responsabilidade, e que se eu tivesse na escola, bombava de ano. Se não fosse o Cláudio me esclarecer, na maior educação, porque convenhamos, ele podia ter me chamado de super-ignorante, e ter me dado uma rasteira...

Então, segue aí o esclarecimento do Cláudio: o 4 de Abril comemora os acordos de paz assinados no Luena no dia 4 de Abril de 2002 após a morte do Savimbi em combate, e o subsequente fim da guerra, e não os acordos de Lusaka de 1994. Reparar que nunca existiu feriado em Angola de 4 de Abril até o ano de 2005.

Não é que o Dia da Paz tenha nada a ver com o Protocolo de Lusaka, como eu tinha explicado no post anterior. O feriado comemora a assinatura do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka. Também não sou tão ruim de serviço assim.

Disculpa aí, gente! Valeu!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dia da Paz

Segunda Feira, 04 de abril, foi feriado u-huu (vamos combinar que depois da palavra feriado sempre vai rolar um u-huu)! Foi Dia da Paz. Eu, expatriada inocente, jurava que estava comemorando o fim da Guerra Civil, né? Na-nã.

O 4 de abril comemora o Protocolo de Lusaka, tratado de paz mediado pela ONU entre MPLA* (partido do governo angolano) e UNITA (partido da oposição) em 1994. O Protocolo previa desarmamento da população; direito de acesso dos partidos políticos à imprensa estatal para fins pacificadores; programa de assistência e reinserção social... tudo muito mara, tudo muito lindo!

... Na teoria. Porque a Guerra só acabou em 2002. Deve ser um daqueles casos de “o que vale é a intenção”.

Eu comemorei a paz pintando minhas unhas de lilás, que é cor serena, que é cor singela, que é cor de parede de quarto de criança.