terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Roque Santeiro

Já que entrei nessa vibe popular...

Até finzim do ano passado, Luanda tinha o maior mercado a céu aberto (ou feira) de toda essa África! Movimentava tipo 10 milhões de dólares e 15 mil pessoas todo dia! Noffffa! Vendia-se de tudo, e quando digo tudo quero dizer tudo mesmo. Bicho morto, bicho vivo, bicho meio morto e meio vivo; cabelo virgem de brasileira (a brasileira não precisa ser virgem); eletro-eletrônico do vizinho expatriado; entre outras coisas. Dizem as más línguas que até uma casa de mulher-dama bombava por lá (vendendo corpos). Mas o bam-bam-bam campeão de venda eram os pescados. Dava pra sentir o cheiro daqui!
Mara era o nome do “empreendimento”: Roque Santeiro! Ó nóis! Parece que a novela passou por aqui nos anos 80 e virou frisson. Geral queria fazer a Viúva Porcina!
Eu não tive vontade tempo de conhecer, mas quem foi disse que aquilo era a visão do inferno e o cheiro do Tietê. Operativo desde 1986, o mercado fechou por conta da ilegalidade revitalização (jura?) do bairro onde funcionava (Zambizanga). Nem idéia de como é que esse povo está se virando agora, mas isso tá me “cheirando” a impacto social. Tô certa ou tô errada?

Mais informações sobre o Roque, clique aqui. Kame hame ha pra vc!

Foto by aNa

domingo, 30 de janeiro de 2011

Zungueira

Aqui em Luanda, comércio informal é literalmente parte da paisagem. Mas antes de vc pensar no camêlo com a barraquinha cheia de trecos (é 3 por 2 real) do Paraguai (vide China), deixa eu explicar que por aqui quem melhor representa "a crasse", é a zungueira.
Zungueira: Angolana gira (e de postura impecável) que vende seus produtos dentro duma bacia, em cima da cabeça. Na bacia da zungeira encontra-se de um tudo: carregador de celular, marmitex (fresquinhoooo), detergente, livro, tomate, tecido importado (muito compro), etecetera... O ponto de venda é qualquer calçada. Quando elas se juntam pra fofocar numa esquina, está formado um shopping. Seu uniforme típico padrão é o traje africano cheio de amarrações, "ingual" na foto (vibe Milão), e "ingual na foto" faz parte do pacote "bebê amarrado nas costas". Um questão de atitude!

Tenho pra mim que a vida da zungueira é dura, e por isso fiz um versinho em homenagem a essa mulherada que não perde a pose nem com abacaxi na cabeça: "Pra ser zungueira tem que ter disposição. Pra ser zungueira tem que ter habilidade. Eu venho te contar que não é mole não. E agora pra rimar, vou escrever um palavrão". Brincadeirinha, hoje tô o Bozo!

Pra saber mais sobre as zungueiras (porque meu post tá uó) vá para .

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Minhas Férias

Esses dias alguém me parou numa festa e falou: Dóro seu blog de viagens! Elogios a parte, comassim? Meu blog é sobre Angola, gentem, eu juro! Mas já que virou fofoca...

Lá em casa a gente tem sangue cigano (Ó, Dara). Sério mesmo! Conta a lenda que a nona “de nova” morava em tenda rodando o mundo, e lia a mão do povo na perfeição. Conta a lenda também que quando ela “de velha” morreu (e, tipo, já estava morta) saiu visitando a casa da netaiada. Quem achava que ela estava viva, tratava por visita. Quem sabia que ela estava morta, gritava*.
Anyway, por conta dessa árvore ginecológica genealógica, meus pais (que puxaram a mim) não têm residência fixa, e no final do ano passado resolveram ir embora do Brasil. (A Dilma ter ganho as eleições teve nada que ver com isso... pura coincidência.) Portanto...

Destino de férias: Uruguai.
O que eu vi do país me encantou. Cidades pequenininhas, arborizadas, limpinhas... nem parece vizinha do Brasil (desculpa, aê).
Primeira constatação: toda cidade tem coleção de estátuas com praça no meio (ou vice versa). Toda estátua é sempre do mesmo cara: José Artigas. Dono de fábrica de esculturas, produção em série, certo? Não, celebridade histórica, dãm? Bombou horrores na independência (um trocadalho, kkk).
Segunda constatação: toda casa dá com a porta directo na rua. Quintalzinho, varandinha, garagenzinha separando casa de calçada, é out. Privacidade é pros fracos... mara é deixar a porta aberta, que é pra quem estiver passando saber o que tá rolando do lado de dentro.

Terceira constatação: todo cachorro toma calmante. Quando dá 18h, e o proletariado começa a chegar em casa, a cachorrada é liberada pra passear na rua. Pastor Alemão, pit bull, chiuaua, não tem preconceito... Eles vão, sem coleira, sem lenço e sem documento (nada no bolso ou nas patas), não latem, não correm atrás do carteiro, não cheiram os bumbuns uns dos outros. Ficam caminhando, aos montes, em total harmonia, naquele universozinho prozac deles*. Os donos cuidam, sentadinhos na frente de casa, puxando um mate (a-hãm), feito gaúchos (maldade, gente).
Quarta constatação: Adoray o povo (hermana)! Nunca fui tão bem recebida como turista (e nem estava usando muita mini-saia). Os comerciantes fazem questão de falar português, pra comunicação ficar mais fácil! Ficadica, Europa!

Além da cidadezinha onde meus pais montaram o circo, conheci ainda Colonia Del Sacramiento - um vilarejo pequeno e histórico, da época dos portugueses (ora pois), que faz a linha Uruguai/Buenos Aires todos os dias, via balsa. Dá pra ir nadando também, ou não. – e, a capital, Montevidéu. De Montevidéu não vou falar, porque tô com preguiça tem foto pra ver. Bjo, bjo!
Montevidéu vista do céu
* No episódio da nona morta, meus pais viram a fantasma do lado do meu berço, e é por isso que até hoje eu durmo de luz acesa: pra nona não tropeçar.

* Eu, fazendo a cool, sentadinha na Rambla de Montevidéu, quando um pastor alemão qui-ri-dinho sentou do meu lado e encostou a cabeça no meu ombro. Porque devíamos ser amigos de outra vida e eu não lembrei. Ficamos assim por horas, até que ele se cansou, foi embora, e eu voltei a respirar.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Madrid: Peguei o trem errado!

Povo de terceiro mundo tem toda uma visão mágica da Europa, certo? A gente acha que por lá só tem elfo, fada, Gollun (my preciousssss). A gente crê que toda paisagem é digna de StockPhoto sem royalt free. A gente sente que pegou complexo de inferioridade assim que desce do avião.

Daí, cheguei em Madrid, e tive certeza que o trem fez curva errada e caiu em SP. Cheguei até a procurar um busão Praça Ramos. Isso porque Madrid é sujinha, feinha, toda pichadinha, um verdadeiro nojinho. Aposto que eles colocam a culpa na imigração (típico!). Só pra constar primeiro mundo: São Paulo já fez isso e não colou. A imigração acabou e a decadência continua (oi?).

Se eu já não estava curtindo horrores, imagina a raivinha batendo, quando na porta do Museu do Prado, descobri que Velásquez estava fora da área de serviço / ou desligado. Pasmei! Vi “as meninas” do Picasso no Museu da Rainha Sofia (creep!) e dei uma voltinha pelo Museu de cera. Mas só passei a me realizar enquanto turista quando cheguei ao Palácio Real. Ok, isso São Paulo não tem!

O Palácio Real de Madrid é mara! Tem toda uma coleção de papel de paredes centenários/vintages luxo. Ficadica Tok Stock, pra próxima coleção! E por fora tem um daqueles super-jardins com labirinto, que é pra gente se jogar e se perder. Por ali gari deve ganhar melhor, porque é tudo bem limpinho.

Pra noite tem a Plaza Mayor: um quadradão rodeado por prédinhos antigões . No meio do quadradão tem estátuas (mortas e vivas), e embaixo de cada prédio tem um restaurante diferente. Artista itinerante tem tanto que chega a dar poluição sonora... humpf!

Tá bom, confesso, era minha TPM falando! Mas viagem terminada o balanço é o seguinte: valapena Barcelona pros cosmopolitas, Valência pro baile tudo, e Granada pros desapegados. O resto eu pulava fácil. Se joga!

Foto 1: Sexo in Nueva York
Foto 2: Palácio Real
Foto 3: D. Quixote e Sancho Pança

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Finally Andaluzia: Sevilha

Sevilha é uma cidade caldeirão. Não vi bruxa, mas nem por isso deixei de cozinhar até o âmago. Sem exagero: eram 18h e ainda faziam 42 graus (á sombra). Por conta disso, multidão em peso migrava pro litoral, estilo cena de filme catástrofe (Impacto Profundo, Independence Day, A Era do Gelo). Mas eu sou diferente, eu sou original, não sou seguidora das massas (não votaria na Dilma nem que ela me pagasse bolsa Haagen Das). Portanto, bóra pra Sevilha.
Adoro cidade kinder ovo, do tipo que você resolve descobrir a pé, sem mapa, e logo encontra surpresa dentro. Geralmente funciona assim: achou calçadão, é o centro da cidade! E o calçadão de Sevilha é uma verdadeira loucura, coisa linda de Deus (literalmente). Comporta a maior catedral gótica desse mundo todo, que (segundo as más línguas) tem uma escadaria do tipo "no way".
Contornando a igreja, você dá de cara com Alcázar, que é igual Alhambra (vide post Granada boooom) só que menor e, "in my opinion", mais bonita. Ali pelas redondezas tem um bairro boêmio (glup, glup), e carruagens espalhadas de esquina em esquina, pro caso dalguém querer fazer a Cinderela (bêbada).

Seguindo o calçadão cae-se (e levanta-se) na Avenida Torneo, às margens do Rio Guadalquivir, toda ela turística, com prédios históricos, jardins e "incrusível" a Arena de Touros Maestranza, onde rolam as famosas touradas. Eu, vegetariana que curte bacon que sou, repasso um profético aviso aos toureiros: "certeza que você nasce azeitona na próxima encarnação, que é pra virar petisco e levar palitada no lombo". Uma simples questão de carma.
E a noite? No verão coma suas tapas ("the winner is" queijo brié com creme de framboesa), e vá pro hostel dormir. Zzzzzzzzzz! Os shows de Flamenco são chatinhos, o calor se mantém infernal, e as festas estão todas bué, bué distantes, nas praias.
Próxima parada: Madrid

Foto1: Catedral Gótica / Foto2: Alcázar / Foto3: Rio Guadalquivir

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Granada (booooom)

De volta ao “travel book español in blog”.
Ao contrário do que o nome sugere, Granada (boooom) tem uma história toda “make peace not war”, Woodstock Vibe in (é respirar, e sentir, se é que você me entende).

Imagine você que numa época em que perseguir seres de pensamentos ecléticos – judeus, ciganos, muçulmanos, emos – era moda, Granada sim-pá-ti-ca acolhia geral (“incrusive” testemunhas de Jeová) numa grande e animada comunidade. Invariavelmente o lugar acabou dominado pelos católicos da inquisição, assim como todo o resto da Espanha, pra fins de padronização (vide ISO9001). Mas o que tem de bom pra ver, continua sendo de origem moura ou cigana (tomou?).
É o caso da Alhambra - antigo palácio do Sultão (pai da Jasmine) no pico do morro cercado por jardins/oásis - e do bairro Albaicin. Ah... Albaicin (suspiros). Vilarejo saído do desenho do Alladin, todo ele ruinhas estreitas de paralelepipedos (repita-rápido-3x), com portais e pracinhas de fontes naturais (aonde os hippies das cavernas* vão buscar água nos dias de tomar banho), e casas de chá (de cogumelo) marroquinas de canto em canto. Uma diliça de ver e de comer, tem narguilé e tapas free (slap, slap). De noite, a vista de Alhambra é uma verdadeira loucura, e tem sempre uma guitarra cigana por perto, que é pra realizar o clima.
Apesar da descrição, o sentimento burca não se incorpora. Muito pelo contrário, o lugar é hippie todo, como que saído da Estrela Guia (novela em que a Sandy é hippie, mas depila as axilas). Os *hippies de raiz (oi?) literalmente vivem em cavernas (aprovadas pelo governo) aonde antes se alojavam os ciganos. E os ciganos, além das luxuosas moradias (tsc, tsc), e das tias que ficam pedindo pra ler sua mão (porque o preço do livro tá um abuso), deixaram de herança pra nóis os melhores shows de Flamenco éva.

Eu, que ia passar só 1 noite na cidade, acabei estendendo pra 4, com uma vontade louca de ficar for life. “One day I will”! Meu sonho de consumo é passar o resto da vida abduzida (se é que você me entende) numa rede em Granada (boooooom). Pronto, falei!

Foto1: Alhambra
Foto2: Vista de Alhambra do Albaicin
Foto3: Makuto - best hippie hostel éva.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Surto Criativo

Pausa no "travel book español in blog". Certeza que geral tá com saudades de Luanda.
Foi assim! Ontem cheguei em casa e realizei que estava sem energia elétrica. Helôw-ow! This is África! O fato ocorre aproximadamente de 3 a cada 2 dias. Problema é que desta vez o caso era um pouco mais assim, eu diria, técnico. A vizinha cortou meu gato (shhhh...abafa).
Preocupada, sem saber quanto tempo duraria o gasóleo do gerador*, abri a geladeira pra pensar, e aí senti o verdadeiro drama: Toda ela era alimento estragável, do tipo que fica verde e dá nojinho. Nessa hora, um ímpeto criativo me iluminou e eu pensei: bóra digitransformar em Ratatouille. Desse momento inspirado surgiu a to-be-famous "Torta Exótica Mwangolê de Ricota com Azeitona e Restos by Thais Miguele". Um sucesso!
Pessoa de coração generoso que sou, compartilho nesse espaço-amigo a receita do quitute com vocês.

"Torta Exótica Mwangolê de Ricota com Azeitona e Restos by Thais Miguele"

Junte 170g de ricota, 2 cebola médias, 1 vidro de azeitona sem caroço, 1 ovo, 1 colher de sopa de maisena, 1 colher de sopa de fermento, 1 colher de azeite, sal, pimenta e o mais importante, uma pitada de canela. Jogue tudo no liquidificador e bata até virar uma coisa só. Despeje em forma pequena untada e enfarinhada. Para enfeitar pique um tomate em cubinhos e jogue por cima da torta com um tanto de óregano. Leve ao forno médio pré-aquecido. Depois, come.
Um diliça!

*gerador: utensílio que dá a luz, actual símbolo de Angola, substituto da extinta palanca negra gigante.


domingo, 15 de agosto de 2010

Poli-Valência

Valência: cidadezinha cuti-cuti, toda ela medieval, tão idosa que tem até torre/muro furadinho por conta de canhão do Napoleão Bonaparte (vide foto). Estátua é mato, encontra-se uma (rodando bolsinha) em cada esquina.
E pra melhorar ainda tem praia. Águinha incolor (igual a fessora ensinou) e quentinha. Lá a mulherada se joga e faz topless. Eu, like a virgin que sou, não fiz. E aviso: quem pratica topless hoje em dia, queimava sutiã na década de 60.
A noite parece ser ótima. Não sei, não me aventurei. Fiquei com medo de ser abduzida pela multidão teen que invadiu a Espanha neste verão. Aproveito o espaço para fazer um apelo: Pais do mundo todo, não joguem lixo na rua (se é que vocês me entendem). Tsc, tsc...
Em Valência provei a melhor comida: aquela mistura de queijo com mel que acabou com a minha dieta. E conheci a Urchata, que parece leite de soja, mas não é nem leite, nem soja. Wikipédia explica.
Num geral, se alguém me perguntar que lugar recomendo na Espanha, bem digo Valência. Agrada o baile todo.
Mas, meu lugar preferido foi...

domingo, 8 de agosto de 2010

¿Hola, que tal?

Continuando o post anterior (a-han, é uma novelinha), se metade do turismo barcelônico (inventei agora) é artístico, tem outra metade que é esportivo. Se vc é do tipo atleta (ou näo), pode visitar o Museu Olímpico e o Estádio do Barça. Se "vala pena" näo sei. Pulei! Afinal, sou flácida e nada (ou quase nada) hipócrita. Ao invéz disso fui brincar no Carrousel lá do Tibidado, porque infantil garanto que sou!
O Tibidado é igreja/parque de diversöes no topo da montanha. Vc anda na Roda Gigante enquanto reza, e/ou come algodäo doce no confessionário. Praticamente um pograma sacro-child. Todo ele com vista panorâmica da cidade. Muito recomendo!
Num geral Barcelona é toda história. Cada prédio, um monumento! Só que como já foi revitalizado um par de vezes, tá meio que descombinando. Prédio antigäo em rua nova fica tipo tia velha de maria-chiquinha. Pra ver tudo no original, bóra pro Bairro Gótico. Ali sim dá pra se realizar princesa medieval. Quando lá, sente num botequê e peça uns tapas, ow, unas tapas. Berengenas a la miel säo las mejores! Ficaladica!
Foto 1: Self portrait no Tibidado, porque eu também sou arteira.
Foto 2: Tibidado. Dizem que tem cena do Vick Cristina Barcelona filmada lá.
Foto 3: Tia-velha de maria-chiquinha.

Bóra pra Valência? Se joga!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Barcelona (guapa) artística

É assim: a Espanha é dividida entre catalöes e andaluzes. Os catalöes (povo do norte) säo aqueles que näo sabem falar espanhol, e que näo säo exactamente turist-friendly. O paradoxo é que Barcelona, a capital da Cataluña, é toda virada em ponto turístico. Metade do turismo de Barcelona é baseado no Gaudi. Um arquiteto (gay) solteiräo que só desenhava planta (no autocad) durante trip de ópio. Era quando ele se realizava Alice no País das Maravilhas, e saía quebrando azulejo pra fazer mosaico, e/ou apalpando parede como se fosse vaso de argila (doido numa curvinha). Se ele e o Tim Burton se conhecessem, seriam, tipo assim, BFF - best friends foréva. (Cortem-lhe a cabeça!)
Das obras dele, a minha preferida é a Casa Batló (vide foto). Estou até pensando em alugar pra viver. Deve ser o que? 200€ mais condomínio? Além de Gaudi, tem Miró. Esse assaltava creche sempre que queria fazer exposiçäo, de certeza. Mas näo importa se a obra dele é pré-primária, porque ele deixou pra nóis um museu de arte contemporânea, que tem em exposiçäo atualmente, salinhas pra gente dormir. É tipo Cinemax, mas ao invéz de poltronas, o chäo é fofolete. O filme näo faz sentido, näo é hollywoodiano, é exibido no teto. O som é tipo barulhinho da natureza. Toda uma atmosfera. Eu bem fiz uma siesta lá. E isso é arte!

Picasso, o grande, ganhou um museuzinho imcompatível com o seu nick name, bem ao lado do Museu do Chocolate (cujo ongresso é uma barra de meio-amargo). Lá (no Museu do Picasso), descobri que ele sabia desenhar feito gente, só que deu preguiça com o tempo. Acontece...
E nessa cena artística meu passeio preferido, a perder de vista, foi o Museu de Arte Catalä (lá em cima do Montjuic). Fantástico por dentro e por fora! Uma pena essa frescura de näo poder tirar foto de peça amtiguinha. Eu gastava fácil um filme de 36 poses lá dentro. Heeeeein? Vitrola.


Foto 1: Casa Batló por dentro
Foto 2: Parc Guell: azulejos quebrados
Foto 2: Museu de Arte Catalä

Next post: + Barcelona pra vc.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Os fins justificam os meios (de transporte)

Warning: Este post vai estar todo desacentuado até segunda ordem. O teclado só habla español.
Quando eu era quiança, achava luxo andar de aviäo. Criaturinha toda inocência...
Agora que fico entalada (em meus 1,50m) entre lutadores de sumô e tiozinhos em síndrome da loba, percebo: Isso é uma porr(piii) de uma lata de sardinhas!
Total armadilha das alfandêgas do mundo todo: 3 horas pra entrar, 3 horas pra sair; Aerovelhas, aerofeias e aerochatas com o toba estampado na cara; Lanchinho sabor conservante, preparado especialmente pra inchar as gorduras; Pânico recorrente de perder a bagagem, ser barrado na imigraçäo, gastar a alma no dutty free... A lista é infinita, e certeza que até o céu conspira, mandando turbulência a cada 3 minutos.
Aposto "incrusível" que trocaram o oxigênio por gás hélio.

No momento em que vos escrevo este singelo textículo (27/07/2010), estou dentro do aviäo da TAP, atrasado 2 horas, tremendo feito vara verde em pleno ar. E que venham as férias!

O.B.s 1: Entre TAP, TAAG, GOL, TAM, vá de Emirates. Ficadica!
O.B.s 2: As aeronaves que saem de Angola ainda tem cinzeiro. Me-da!

domingo, 25 de julho de 2010

Chillout em Luanda

Houve um tempo em que pogramão de sábado a noite em Luanda era assistir miúdo dançando kuduro na TPA e/ou se enfiar dentro do mosquiteiro, e ficar se abanando. (Bocejos).
Luck me que não sou assim taaaaaaão velha, e quando cheguei aqui a Chillout já existia.

A Chillout é típico inferninho básico de cidade litorânea: na beira da praia, todo aberto, com tendinha (Circus referência) pra lá e pra cá, estilinho El Divino Beach* (tem até colchão branco perto da areia... aff, plágio). Toda noite funciona o restaurante a la carte, que cobra vários dinheiros pra servir folhinha decorada no meio do prato.
Mas quando bate o sino (pequenino, sino de Belém) das 0:00h, o chef vira abóbora, o César (DJ residente foréva) começa a tocar, e a pista lota de expatriado suando. Uma visão do paraíso.
Do lado de fora, forma-se uma super-bicha (aloka), e os hostess simpáticos, só deixam entrar quem é VIP (virgem, inadimplente e puritano). Do lado de dentro, é todo um mapa-mundi misturado: tem libanês, português, canadense, espanhol, israelense, americano, genérico...

Quer dizer, tinha, né? Porque o mundo gira, a roda gira, a pomba-gira, o pogresso chega, e a concorrência também. Hoje, a Chillout caiu em desuso, tá toda tia-velha. Eu, que sou clássica, ainda me monto de diva pra aparecer lá vez em quando. Afinal, são tantas emoções!

Hoje em dia, expatriado novo da casa, faz post em blog, começando assim: Houve um tempo em que pogramão de sábado a noite em Luanda era ferver na Chillout. Aix, até me ataca as artrite.

* El Divino Beach é em Floripa, desculpa aê.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Queeeeem quer pão?

Segundo os especialistas (da Boa Forma) o café da manhã é a refeição mais importante do dia. Angolano leva ao pé da letra e mete o pé na jaca. Aqui o café da manhã ganha toda uma nova dimensão e muda de nome. Ele se torna o "Pequeno-Almoço". U-hu!
Ou você pode chamar pelo apelido carinhoso "mata-bicho". Mata quem? As lumbriga, culega.

Nunca dormi em casa de angolano (:P), mas os do escritório que papam por aqui mesmo, costumam degustar uma sopinha de manhã: de carne, de legumes... Pros que ficam presos no trânsito, existe a opção de comprar um "iogurte natural home-made" no farol. Sai directo da bacia da cabeça da zungueira. Tem sabor salmonela ou febre-tifóide (pra substituir os lactobacilos vivos).
E pão ninguém come? Come. Pois se ele sai directo da árvore. Em qualquer esquina você encontra, dentro dos saquinhos, pendurados nos galhinhos, o famoso "pão da árvore", fresquinho, de ontem. Pão-de-forma aqui se chama pão-de-caixa, apesar de vir no saco. E sonho é bola-de-Berlim. Uma verdadeira bomba!

Praqueles que fazem dieta líquida (a graaaaaaande maioria) tem o campeão de vendas: best whisky em sachê. Disponível em qualquer esquina ou porta aberta. Ficadica!

Nas palavras da sábia Xu-xa: "Se eu fosse manteiga, derretia num instante, a-as-sim. ASSIM!"

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quem bate? É o cacimbo!


Aqui em Luanda as coisas funcionam assim: 35 graus à sombra TO-DO-DIA. Qual não foi minha surpresa quando, hoje, acordei (pasmem!) com FRIO! Affff! É nessas horas que a gente percebe que 2012 está chegando. Me-da!
Em 2009 não senti nada parecido, e segundo fontes seguras, por aqui não costuma ter dessas “frescuras”. Tive até que desencavar pulôver (fashion-me) da mala. Essência de mofo bombando!
Anyway, em Angola o nome do inverno é cacimbo. Uma questão de semântica. Cada um escolhe o nome que quer praquilo que dá seu póprio arrepio. E o cacimbo é definido mais como época de seca do que de frio. Mesmo princípio: cada um dá o nome que quer pra sua própria seca.
No geral, o Cacimbo tem lá suas vantagens. Colabora com o Al Gore porque o AC (on foréva) fica off (do jeitinho que ele mandou). A gente usa como desculpa pra tomar banho só de sábado. E principalmente diminui o odor característico da cidade, mix de porcaria com "cheiro de corpo concentrado" (CC-C).
Use AVANÇO, elas avançam (the flies)
Pena que dura pouco. Certeza que amanhã volta a ferveção!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A crise caiu no meu bolso

Olha, eu não vou mentir, tô assim meio tensa. Achei que a crise internacional era igual a gripe suína e não dava por aqui. Adivinha... tô redonda de tão enganada!


Em Angola a coisa demorou um pouco mais pra ferver porque o Governo tava crendo que todo mundo ama petróleo forever. O que não deixa de ser verdade, taí os EUA bombando nas guerras pra não deixar a gente mentir sozinho. Só que se o mundo não tem dinheiro, no mínimo vai atrás do "Quer pagar quanto?". Angola teve que entrar numas de Promoção Petróleo Queima Total. Aqui dentro, em compensação, gastava-se na mesma, os importados não barateavam, e eram navios cheios de contentores fazendo bicha* no porto todo dia. Pra piorar, o país sissintindo, decidiu sedear campeonato africano de futebol (Vai aprendendo, Rio de Janeiro), e mandou construir um estádio super-top em cima do outro. Porque de escola ninguém precisa, né?

Daí é só fazer a matemática (aix, kd minha calculadora?): exportação menor que importação igual a? Desde o início de 2009, o Governo parou de pagar as empreiteiras, com promessas de que acertava tudo num montão no fim do ano. Brasileiro que é bem do bobinho e não aprende nunca, ainda tem mania de acreditar em político, magina. Levou calote!
Pra não dizer que estamos todos na mais profunda... veio o FMI pra ajudar, deu empréstimo, colectou dinheiro de Portugal e do Brasil (de certeza que os dois tavam nadando), e como condição, mandou o Governo virar gente grande e pagar suas contas. Pra isso deu o prazo de seis meses, contando de janeiro.

E é isso, até junho tô sissigurando! Vai gente, põe meu nome na novena!

*Bicha: Em Portugal é fila.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Leia Rápido: Férias nos EAU

Se você leu o título e jurou que eu tinha dado uma de Sol e cruzado a fronteira pras “Américas”, volta pro mobral, queridinho. Mania feia essa de achar que os EUA mantém o monopólio do “nome em formato de sigla”. Eu fui foi pros E-A-U (lê-se Emirados-Arabes-Unidos), que é, resumindo, lá onde fica o Dubai.
E quem nasce em Dubai é? Dubaiano. Piadinha infame essa.


Dubai é um paraíso, pra quem tem muito dinheiro. O que definitivamente não é o meu caso. Imagine que o ônibus de turismo com laje, o meu preferido no mundo todo, tem um roteiro de 12h que faz só os shoppings da cidade. Conheço um bando de mulher que (tem orgasmos) enlouquece só de pensar. Mas, veja bem, queridinha, eu entrei numa loja estilinho C&A (I wish), e quase caí seca e dura quando vi o preço de um frente-única básicão: milSSS dó-la-res e mais um pouco!
Lembre-se: Pit-Jolie andam por lá just for fun!

O que eu queria mesmo era ter uma sensação de desenho do Alladin - “As noites na Ará-a-a-bia e os dias també-e-em”. Mas essa coisa de arranha-céus super modernos com tecnologia até na ponta da antena, acabaram completamente com o clima by Disney. Se não fosse a mulherada com modelito variando de burka que cobre até a alma, a roupinha moda-Jade, eu só acreditaria que estava ali no meio dos Emirados, porque meu inglês era melhor que o deles.
Felizmente, o Museu de Dubai é tu-di-bão… daqueles que criam todo um ambiente, com sons, luzes, cheiros. Olha a minha alma de nerd-fênix renascendo. As souks (feirinhas de rua) são interessantes de ver, mas decepcionam de tão revitalizadas. Parece tia que exagerou na plástica. Até faz tipo, mas não tem nada de original.
E já que é pra ser artificial, o negócio é ir ao Wafi, um shopping carérrimo com um restaurante maravilhoso no subsolo, loja das Havainas e da Melissa (porque brasileiro está na moda), e uma réplica de souk com uns vitrais super luxo! Ficadica!

Nota: A areia do deserto é tão macia que dá vontade de rechear o travesseiro. Não andei de camelo… droga!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sintra. Óbidos. Peniche. Porto.

Faz mais ou menos um século que eu voltei de Portugal, daqui há pouco estou saindo de férias de novo (bóra ver Dubai), e ainda assim vou descrever o restante da viagem nazoropa, por conta da minha futura terceira idade. Vai que eu o Alzhaimer me ataca!
Guenta que isso aqui é meu póprio diário!
Além de Lisboa e do Old Town Hostel, lugar em que me hospedei todo o tempo e aonde viveria tranquilamente se fosse mais desapegada, assim half a hippie, visitei:


Sintra
Em duas palavras: emo cionante. Castelos e palácios… isso e escova progressiva, é só o que eu preciso pra ser feliz. Foi entrando no Palácio da Pena, cafofo da família real, que percebi, como que por mágica, que estava começando a realizar meu sonho de conhecer o mundo. E daí, foi instantâneo, comecei a chorar… do na-da! Solta pobre nesse mundo pra ver qual tipo de mico que ele paga. Vergonhinha alheia. Taí um bom motivo pra viajar sozinha… constrangi ninguém. E ainda brinquei de Barbie Princesa do Arco Irís enquanto por lá.
Além do Palácio e do Castelo dos Mouros (medieval demais pro meu taste), visitei também o Museu do Brinquedo. Liberte a criança que há dentro de você! Ansiosérrima pra ver a secção das bonecas, mal lá entrei, já senti arrepios… super creep. Realizei que: boneca velha é coisa de filme de terror. Tipo a boneca da Xuxa que era possuída pelo demonho!


Óbidos
Eu já falei que curto um Castelo? Pois Óbidos é toda uma cidade dentro do Castelo. Lá é tudo fofo, realiza… vc anda ouvindo flautistas. E tem Taberna Medieval. Quer coisa mais Hollywood? Quando lá, prove a ginja, um licor de qualquer coisa que vem no copinho de chocolate. Embriague-se e consuma glicose na sequência. Super prático! Se todos adotassem a medida, seria a falência das emergências das madrugadas. Ficadica!

Peniche
Em duas palavras: praia desurfista. Gostei marromeno… todo mundo sabe que tenho ó-di-o de areia. Histórinha interessante: ficou de noite, o hostel estava lotado, não tinha mais ônibus pra ir embora da cidade. O que fazer? Dormir no banco da praça coberta de jornais de ontem… ai, que decadência! Pegar uma balada e simplesmente não dormir… sempre uma opção. Na indecisão, caminhando sem rumo, cruzei com uma tia segurando uma placa: Aluga-se quartos para casais. Pronto! Era só me digi-transformar num casal.
 
Porto
O portenho é um português acuritibanado. A cidade é mais fria, menos animada, mas muito mais bonita que Lisboa… que me perdoem os lisboetas. Em cada esquina uma fachada linda de dar brilhinho nozóio. Participei de um pub crawl (e não me lembro de como voltei pro Hostel), visitei cave de vinho do porto e passei embaixo de todas aquelas pontes do Rio D`ouro. Assim como em Lisboa fiz passeio em ônibus com laje (e choveu). Mas o gostoso mesmo foi passear a pé… me perdi em uns becos que davam em outros becos, que davam em outros becos e que acabavam em becos, todos com paisagens lindas. Eu tava na zoropa, até pedra me encantava.

Hein? Curtiu minhas férias?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Lisboa Turística

Como vida de mochileiro não é feita SÓ de noite, bóra virar 24 horas pra pegar o Yellow Buss (ônibus de turismo), aquele que tem banquinhos na lage pra melhor apreciação da paisagem. Faz parte do pacote passar horas nas filas, pegando marquinha sexy de óculos de sol, pra visitar mosteiros, igrejas, museus, castelos. De todos gostei mais foi do Castelo de São Jorge. Primeiro porque eu sou uma princesa. Depois porque ficava marromenos perto do Hostel, e dava pra ir a pé ver o pôr do sol sempre que a coragem permitia. Quando lá, visite o Chapitô, escola-de-circo/restaurante/bar, ambiente atlético/eclético (ao pé do Castelo), que, pasmem, tem porção de pimentinha no cardápio. Eu provei: é ruim, mas é bom!

Mas o top-must de Lisboa no verão, são, sem dúvida, os saldos. U-huuuu! Promoções pipocando, ululando saltitantes. Chega a dar vesguice! Me acabei! Se coubesse na mala eu trazia a Zara toda (ou pelo menos toda a seção infantil que é a que me cabe). Mas comprei, hein? Nó... como eu comprei!
Quando exausta de gastar, era comer. Aff, que vida! Sentava-me eu numa daquelas mesinhas ao ar livre (no Shiado) e pedia, na caruda, o Menu de Turista: entrada, prato principal, bebida (sangria) e cafezinho, tudo num pacotão de 7 euros. Todo dia era feriado de Páscoa: bacalhau, bacalhau, bacalhau. O número 1 da lista dos tops: Bacalhau (jura?)com Natas. Clássico, eterno, gratinado, único!
No caminho, pra não desperdiçar experiência, era sentar do ladinho de Camões pra tomar um fino (é chopp em "português", seu sem cultura!) assistindo for free (sacanagem!), showzinho de algum artista itinerante. O mais interessante/exótico/bizarro, foi o de um flautista medieval, coberto até o âmago de piercings e tatuagens, acompanhado de um vaimaraner (back vocal) trajando coleira fetiche-sado. Realizou? Meeeeda!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lisboa Etílica

Tenho cara de Galileu pra ficar fazendo textinho de redenção? (“Looooógico que a Terra é quadrada”). Nem preciso, até onde sei português é beeeem menos piromaníaco que padre. Então acreditem quando vos digo: Portugal é tudibão no verão!
A começar por Lisboa. (suspiro). Ai, Lisboa. Bons momentos! Rodadas de shots constantes todas as noites no Bairro Alto aonde as pessoas não ficam paradinhas sentadas num bar, conversandinho, feito gente normal. Elas vão é descaradas pro meio da rua, fumar haxi e procurar o shot mais barato no estabelecimento ao lado. Realize ruas estreitíssimas lotadas até a boca de mochileiros, com uma porta atrás da outra aberta em forma de bar. Foi lá que eu aprendi a virar (sem fazer cara feia) tequila, whisky com amarula, licor de menta com vodka (continue variando aí na sua cabeça), e meu preferido sem remorso, o pastel de nata, que longe de ser aquele folhado-recheado-bomba-de-calorias que todo mundo conhece porque passou horas na fila da confeitaria de Belém, é um shot bem do docinho feito de licor de cacau e de chocolate, com chantily e canela no topo, tudo junto e misturado. Drink virado em sobremesa! Destaque para o bar Sem Nom (este é o nome!) que tem uma super variedade de shots por 1 Euro e um bar man/dono que paga a última rodada e bebe junto. Ê laia...

A pessoa quando frequenta o 3As gasta um post inteirinho discursando sobre o assunto. Don't worry, as férias foram curtas mas foram vastas, e tem muito mais Portugal by Thais pra entrar aqui. To be continued…

Crédito da Foto 2: Mônica Cheng, no Sem Nom.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Coisa de Tuga

Que português é sem noção, isso todo brasileiro sabe (corta pra cena de Thais sendo linchada na rua). Mas aqui em Angola a gente consegue medir de régua quão fora da casinha são eles, e na prática, dentro das nossas póprias residências.
Ignora o fato de que só temos energia elétrica porque algum ser iluminado (vixi, um trocadalho) inventou o gerador, e que 82,4% dos banhos tomados por mói (lê-se muá, seu inguin-norante) são de canequinha com uma aguinha de bidão* que parece que é feita ou de cloro ou de poça d’água (a escolha do freguês). Isso não é culpa SÓ dos tugas, a guerra civil contribuiu bastantão pra infra-estrutura nota -5.
Culpa dos tugas é eu estar felizona da vida, cantando o meu refrão preferido do Seu Jorge com a Dona Ana (Eu não sei paraaaaaaaaaaar de te olhar), no meio da minha ducha quentinha (17,6% das vezes), e de repente, como que por mágica, ser surpreendida por uma escuridão gritante de filme de terror. Como? Quando? Por que? Por que os portugueses, sagazes que só eles, decidiram que o lugar do interruptor é do lado de fora do banheiro. Bah! … Revoltante, não é mesmo? Quer ver então, quando vc divide apê com uma roomate que te ama-de-paixão, e que, assim, sem querer, apaga a luz toda vez que vc está cantando “Eu não sei paraaaaaaaaaar de te olhar”. Até desafino!
Repara que isso é detalhe e tem coisa pior. Exemplo: a fechadura funciona ao contrário, ou seja, pra abrir, a chave vira em sentido horário, e pra fechar, em sentido anti-horário. Entendeu? Nem eu. Pois são anos e anos de vida (aix, nem é tanto assim) abrindo a porta de um jeito X, pra de repente ter que reprogramar todo um cérebro pra girar do outro lado. Eu até raciocino, mas meu corpo está no automático e não acompanha. É como se eu decidisse que direita virou esquerda e esquerda virou direita. (Ok, péssimo exemplo, isso ainda me confunde). É como se me dissessem que scarpin é rasteirinha e rasteirinha é scarpin. Não computo, entende? Já não basta ter feito faculdade, pós graduação, ter escrito toda uma tese de mestrado (dentro da minha cabeça), tenho mesmo que racionalizar mais isso? Pou-pe-me!

Glossário anexo:
*Bidão: Reservatório de água ne-ces-sá-rio para a vida de qualquer expatriado em Angola, porque a gente fica sem ar, mas não fica sem banho. Objetivo: Encher as canequinhas. Geralmente abastecido pela diarista da casa (pode até ser feito de cuspe, que a gente nunca vai saber a procedência). Água tratada? Ah, tá. É a Q-boa nosso de cada dia, e pronto! Ainda assim, o número de “micóbrios” mortos é tão grande que se a gente olhar com atenção consegue enxergar os cadáveres amontoados lá no fundo. O pior é que a família deles fica velando em volta.
Foto de prédio acabadinho by MaLu Claúdio.